A consolidação da ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi após o golpe de 1953 começou com uma campanha de detenções em massa contra as forças que sustentavam o governo derrubado. Os principais alvos foram os membros do partido comunista Tudeh e da Organização da Frente Nacional, as duas principais forças políticas que haviam apoiado a nacionalização do petróleo por Mohamed Mossadeq. A perseguição se estendeu da cúpula do governo deposto até a base militante, com execuções, longas sentenças de prisão, torturas e assassinatos divulgados como mortes acidentais.
A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A repressão imediata após o golpe e a perseguição aos quadros do governo nacionalista serão objeto de exposição detalhada pelo ministrante do curso, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
Entre os militares ligados ao partido Tudeh, a repressão veio principalmente por meio de execuções e longas penas de prisão. No caso dos civis, segundo o relatório Human Rights and the Legal System in Iran, publicado pela Comissão Internacional de Juristas em 1976, predominaram as prisões. Várias centenas de civis foram detidas. Muitos presos foram obrigados a fazer confissões públicas e a condenar o Tudeh, sendo libertados em seguida. Outros foram condenados a penas prolongadas.
A perseguição à cúpula do governo
A cúpula do governo derrubado foi submetida a julgamentos políticos. Mossadeq, junto com três de seus ministros — o Dr. Shayegan, o Dr. Lutfi e Ahmad Razavi —, foi condenado em tribunal aberto a penas que variavam entre três anos e três meses de prisão. O julgamento aberto serviu para dar verniz legal à perseguição contra os derrotados pelo golpe.
Mesmo esse verniz durou pouco. Após cumprir uma pena curta, o Dr. Lutfi foi atacado por vândalos e morreu poucos dias depois. A oposição denunciou que a polícia havia incentivado o ataque. O Dr. Hossein Fatemi, ex-ministro das Relações Exteriores e uma das figuras centrais do governo nacionalista, foi julgado separadamente e executado em 1954. Sua execução foi uma advertência ao conjunto da oposição: o novo regime estava disposto a matar até figuras públicas conhecidas internacionalmente.
O caso Shirazi
Karimpour Shirazi, editor de um jornal independente, foi outro dos primeiros assassinados pelo regime. Sua morte ocorreu na prisão, enquanto aguardava julgamento. A oposição denunciou que ele foi queimado até a morte. A polícia alegou que ele havia “caído da janela”.
O caso antecipou um método que a ditadura repetiria nos anos seguintes. Quando um preso era assassinado durante interrogatório ou no cárcere, a versão oficial recorria a fórmulas vagas: queda acidental, doença repentina, tentativa de fuga. Os relatos dos demais presos e as marcas de tortura nos corpos desmentiam essas explicações. Para o regime, porém, bastava apresentar uma versão oficial que seus aliados imperialistas pudessem aceitar publicamente.
Execuções e confissões públicas
O Xá eliminava dirigentes, militantes e jornalistas, ao mesmo tempo em que advertia toda a sociedade iraniana de que qualquer oposição organizada ao regime instalado pela CIA seria tratada como crime de morte. Os militantes que aceitavam denunciar publicamente o Tudeh eram libertados. Os que se recusavam eram mantidos na prisão, torturados ou assassinados.
Essa primeira fase consolidou o caráter da ditadura. Em poucos meses, o regime havia decapitado politicamente o governo nacionalista, executado seu ministro das Relações Exteriores, assassinado um jornalista de oposição na prisão e atacado a estrutura de massas do principal partido comunista do País. O Irã passava ao controle de uma ditadura que se manteria por outros 25 anos, apoiada em execução, tortura e propaganda.
A continuidade até 1979
A perseguição aos quadros do governo Mossadeq não ficou restrita aos primeiros anos posteriores ao golpe. O que foi feito contra Fatemi, Lutfi, Shirazi e os militantes do Tudeh em 1953 e 1954 seria repetido, nas décadas seguintes, contra estudantes, intelectuais, sindicalistas, clérigos xiitas e todos os setores que enfrentaram o domínio imperialista sobre o Irã.
Essa repressão ajudou a preparar a revolução de 1979. 26 anos de execuções, torturas e perseguições não destruíram a oposição. Ao contrário, tornaram o enfrentamento ao regime cada vez mais profundo. Quando a ditadura começou a cair, não havia nenhuma força social importante disposta a salvá-la.
O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.




