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Plantão Irã: Líbano e Ormuz cercam o sionismo

Programa destacou como resistência libanesa e controle iraniano sobre Estreito de Ormuz pressionam “Israel” e EUA nas negociações sobre a guerra

O Plantão Irã desta segunda-feira (25), programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária, tratou das negociações entre Irã e Estados Unidos, da situação no Líbano e do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Apresentado por Francisco Muniz, com a participação de Pedro Burlamaqui, o programa começou destacando os 26 anos do Dia da Resistência e da Libertação, data celebrada no Líbano pela expulsão das tropas de “Israel” do sul do país, em 2000. Muniz lembrou que o secretário-geral do Hesbolá, Naim Qassem, tratou a data como uma vitória do povo libanês, da resistência e de seus dirigentes.

Burlamaqui afirmou que a retirada das tropas sionistas do Líbano representou uma das primeiras grandes derrotas militares do Estado de “Israel” na região. Para ele, a derrota de 2000 abriu o processo de desmoralização do exército israelense, então apresentado como invencível.

“Esse evento tem ainda mais importância porque ele marca uma das primeiras e uma das mais importantes derrotas do Estado de ‘Israel’ de maneira geral. ‘Israel’ vinha ocupando o Líbano desde o final da década de 80, eram cerca de 20 anos de ocupação, e devido a uma força que tinha acabado de ser formada no meio da ocupação, uma força guerrilheira nesse sentido — não era um exército regular, não era um exército de um país, nada do tipo, era simplesmente um grupo que decidiu se juntar pra lutar contra a ocupação do próprio país.”

Segundo Burlamaqui, a prisão de Khiam foi um dos principais exemplos dos crimes cometidos pelo sionismo durante a ocupação. O comentarista lembrou que a prisão funcionou como um centro de tortura contra libaneses, militantes da resistência, jornalistas e políticos contrários à ocupação. Após a expulsão de “Israel”, a Força Aérea israelense bombardeou parte da estrutura, em uma tentativa de destruir provas dos crimes praticados.

“Um dos grandes episódios dessa libertação foi justamente a abertura da prisão de Khiam, que era considerada como sendo o centro das torturas cometidas pelo Estado sionista contra o povo libanês, contra membros da resistência, contra jornalistas, contra políticos que não necessariamente estavam envolvidos com a luta armada. E, nesse sentido, é descrita uma série de barbaridades, coisas que a gente só ouve falar realmente em prisão israelense, mas essa daqui, no caso, estabelecida no meio do Líbano.”

O programa também tratou da nova ofensiva sionista contra o Líbano. Muniz informou que o ministro da Fazenda de “Israel”, Bezalel Smotrich, defendeu que 10 prédios em Beirute fossem destruídos para cada VANT explosivo lançado pelo Hesbolá contra tropas de ocupação no sul do país. A proposta foi apresentada em reunião do gabinete de segurança sionista, da qual participou o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir.

Segundo o apresentador, ataques sionistas assassinaram pelo menos seis pessoas no sul do Líbano no domingo (24), atingindo Al-Numayriya, Al-Duweir, Abba e Jibchit, principalmente civis em motocicletas. Muniz afirmou ainda que, desde 2 de maio, 41 pessoas foram assassinadas por “Israel” no país. Desde março, quando começou a nova onda de ataques israelenses contra Beirute, o número chegou a 2.659 mortos e 8.183 feridos, além de mais de um milhão de libaneses deslocados.

Para Burlamaqui, as ameaças de Smotrich mostram a fraqueza do exército sionista diante do Hesbolá. O comentarista afirmou que a resistência libanesa desenvolveu uma capacidade militar que limita as operações israelenses no sul do Líbano, em especial com o uso de VANTs FPV guiados por fibra ótica.

“Mas eu acho que a tecnologia que o Hesbolá desenvolveu está colocando em xeque completamente o exército sionista. Inicialmente, os combates eram travados de uma maneira mais ou menos tradicional, como sempre ocorreu nesses últimos anos, pelo menos. E aí, logo depois veio por parte do Hesbolá a inovação dos drones FPV, de primeira pessoa, que são navegados por meio de fibra ótica, impedindo a interceptação, deixando eles mais furtivos etc.”

Burlamaqui destacou que “Israel” passou a adiar operações para a noite, numa tentativa de escapar dos operadores de VANTs do Hesbolá. A manobra, no entanto, foi respondida pela resistência, que passou a usar sensores infravermelhos para atacar posições israelenses também no período noturno.

“Só que o problema é que agora, eu vi isso justamente hoje, o Hesbolá começou a colocar câmeras de sensores infravermelhos nesses drones. Ou seja, agora eles podem atuar de noite. Segundo a própria imprensa libanesa, foi publicado um vídeo pela imprensa militar do partido libanês que mostra justamente um drone atingindo uma posição israelense de noite, detectando o exército sionista por meio desse sensor infravermelho.”

Outro tema abordado foi o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Muniz informou que o Irã abateu, no Golfo Pérsico, um VANT hostil por meio dos sistemas de defesa aérea Arash al-Kamangir. Segundo as informações discutidas no programa, autoridades iranianas afirmaram que nenhum VANT capaz de invadir radares voltará a violar os céus do Golfo Pérsico.

Burlamaqui avaliou que os acontecimentos mostram o fortalecimento da posição iraniana na região. Para ele, o Irã não apenas preservou o controle de Ormuz, como ampliou sua capacidade de impor a soberania sobre uma passagem decisiva para o comércio mundial de petróleo e gás.

“Eu acho que esses dois acontecimentos que você citou agora mostram que o Irã não só não está perdendo o controle do Estreito de Ormuz, como ele está desenvolvendo esse controle, quer dizer, estabelecendo um sistema mais concreto, um sistema mais forte para conseguir impor aquilo que ele quer impor nessa região que é de seu controle por direito, uma questão, nesse sentido, de soberania.”

Para o comentarista, o bloqueio de Ormuz foi uma medida decisiva contra a agressão imperialista. Segundo Burlamaqui, a medida teve importância militar e política, pois manteve a Marinha iraniana no controle de uma área fundamental e provocou uma crise econômica que segue afetando os preços do petróleo, do diesel e do gás natural liquefeito.

“Finalmente, fica cada vez mais claro que vai passar só quem o Irã deixar passar. A China, por exemplo, tem tido quase que livre trânsito pela região, justamente por se tratar de um parceiro do Irã e também pelos acordos que foram fechados entre os dois países em relação a essa navegação.”

O ponto central da edição foi a nova etapa das negociações entre Irã e Estados Unidos, realizadas no Catar. Muniz informou que a delegação iraniana chegou ao país para tratar dos termos para encerrar a guerra. Entre os integrantes estava Abdolnaser Hemmati, governador do Banco Central do Irã.

O apresentador destacou que a pauta vinha sendo apresentada com temas como Ormuz e o estoque iraniano de urânio enriquecido. No entanto, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, a etapa atual tratava do fim da guerra, e não das questões nucleares. Muniz também mencionou declaração do presidente Masoud Pezeshkian, segundo a qual a República Islâmica do Irã não se renderá às pressões e exigências excessivas em nenhuma circunstância.

Burlamaqui afirmou que o principal dado das negociações é a posição firme do Irã. Segundo ele, os Estados Unidos oscilaram em vários momentos do processo, enquanto a República Islâmica manteve suas exigências.

“Finalmente a gente tem de um lado o país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos, e do outro uma república no Oriente Próximo, mas que desde o começo das negociações não arredou o pé em absolutamente nenhum momento. Enquanto a gente viu muito os Estados Unidos indo e voltando em relação ao que eles aceitariam, o que não aceitariam.”

Para o comentarista, o fato de o Irã tratar primeiro do fim da guerra, sem aceitar vincular imediatamente esse tema ao enriquecimento de urânio ou ao controle sobre Ormuz, mostra a força da posição iraniana.

“Acho que o mais importante nessa declaração que você mencionou é que neste momento o acordo não diz respeito à questão nuclear e também não necessariamente ao próprio controle sobre o Estreito de Ormuz, mas única e exclusivamente sobre o problema de parar com a guerra, parar com as agressões e manter um regime mais ou menos estável ali na região. Isso por si só já mostra a força do Irã, porque não é que eles tiveram que, por exemplo, abrir mão do enriquecimento de urânio para poder fechar o acordo de cessar-fogo.”

Burlamaqui avaliou que o Irã conduz as negociações a partir de uma situação favorável. Segundo ele, não apareceram informações indicando que Teerã tenha cedido em algum ponto decisivo. Ao contrário, as autoridades iranianas deixaram claro que há questões que não serão alteradas.

“Finalmente quem está liderando as negociações, quem está puxando o negócio é justamente o Irã. E ao mesmo tempo em que a gente tem essa pressão por parte de ‘Israel’ e essa situação de poder, de superioridade tanto militar quanto política do Irã, a gente tem também a pressão interna nos Estados Unidos contra o governo de Donald Trump.”

O comentarista afirmou ainda que Trump enfrenta pressões dentro de sua própria base política. Segundo Burlamaqui, setores ligados ao movimento MAGA se afastam do presidente norte-americano em razão da política de agressão contra a Venezuela, Cuba e, principalmente, o Irã.

Burlamaqui mencionou a saída de funcionárias ligadas ao setor de inteligência do governo norte-americano, atribuída oficialmente a motivos pessoais, mas relacionada, segundo informações internas discutidas no programa, ao descontentamento com a guerra contra o Irã.

“Então quer dizer, eu acho que todos esses fatores estão fazendo as negociações se encaminharem no sentido de favorecer o Irã de maneira generalizada em tudo aquilo que ele está exigindo. Até o momento, pelo menos, não houve nenhuma notícia, tanto por parte da imprensa imperialista quanto da imprensa árabe e persa, de que o Irã estaria cedendo em alguma coisa fundamental.”

Burlamaqui também lembrou declarações de militares iranianos durante o auge da guerra, nas quais afirmavam que o país se preparava desde 1979 para enfrentar uma invasão terrestre dos Estados Unidos. Ele explicou que uma invasão ao Irã colocaria o próprio governo Trump em uma situação de crise interna, pois levaria a população norte-americana a se sentir diretamente ameaçada pela guerra.

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