Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizaram um ato conjunto em São Paulo, na quarta-feira (20), contra as condições de estudo e permanência nas universidades estaduais paulistas. Desde então, entidades estudantis das três instituições mantêm greve em 264 cursos.
A paralisação, que já dura mais de um mês, cobra políticas de permanência estudantil, melhorias nos restaurantes universitários, contratação de docentes, reformas em moradias e aumento dos repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A manifestação do dia 20 começou no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, ao lado de professores da rede pública, e seguiu até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, no Morumbi. Os estudantes também denunciam falta de diálogo com as reitorias e problemas de infraestrutura nas instituições.
O movimento alcança 69 cursos na Unesp, 65 na Unicamp e 130 na USP, onde a greve começou em 14 de maio. As reivindicações centrais incluem aumento do auxílio permanência, reforma e construção de moradias estudantis, melhorias nos restaurantes universitários, contratação de professores e ampliação dos repasses do ICMS, principal fonte orçamentária das universidades estaduais paulistas desde 1995.
Na USP, estudantes cobram que a bolsa permanência chegue ao valor de um salário mínimo paulistano. O Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (PAPFE) paga atualmente R$ 885 por mês em seu valor integral e R$ 335 mensais para moradores do Conjunto Residencial da USP. A proposta da reitoria é reajustar o auxílio integral para R$ 912 e o apoio aos moradores para R$ 340. Para o movimento estudantil, os valores não cobrem os custos de vida, transporte, alimentação e material didático.
Na Unicamp, estudantes criticam a Bolsa Auxílio Moradia (BAM), de R$ 725, por exigir 40 horas mensais de trabalho. O Diretório Central dos Estudantes afirma que a universidade trata o auxílio como bolsa-trabalho e utiliza estudantes em atividades que poderiam ser realizadas por servidores contratados. Também há reclamações sobre gastos de moradores com reformas nas casas estudantis e problemas estruturais, como instalações elétricas antigas.
Na Unesp, a permanência estudantil aparece ligada sobretudo à segurança alimentar. Parte dos restaurantes universitários é privatizada, e alguns campi com cursos noturnos não têm restaurante à noite. Estudantes cobram gestão direta dos restaurantes, construção de unidades em todos os campi e oferta noturna de alimentação. A universidade também enfrenta reclamações sobre bolsas abaixo do salário mínimo paulista e moradias com problemas como mofo e atraso em reformas.
O financiamento das universidades é outro eixo da greve. Desde 1995, USP, Unicamp e Unesp recebem 9,57% da arrecadação do ICMS paulista, distribuídos entre as três instituições. A reforma tributária, que prevê o fim do ICMS em 2033, é apontada pelos estudantes como uma ameaça ao orçamento das universidades estaduais.
A Unesp afirmou que os repasses do imposto não foram suficientes para cobrir despesas fixadas em 2026 e reconheceu déficit orçamentário de R$ 189 milhões, coberto por crédito adicional. Entidades estudantis e de servidores defendem que o governo estadual poderia ampliar o financiamento por meio de suplementação orçamentária, revisão de renúncias fiscais ou aumento do percentual do ICMS destinado às universidades.
Servidores da USP defendem, por exemplo, que o repasse passe de 9,57% para 11,6% da arrecadação do imposto. Segundo as entidades, o orçamento estadual de R$ 382,3 bilhões, as renúncias fiscais de R$ 78,7 bilhões e as reservas financeiras do estado indicam que há recursos para atender às demandas apresentadas pela greve.



