Por sua importância histórica e sua influência decisiva na luta de classes atual no Oriente Próximo, a Revolução Iraniana de 1979 segue sendo alvo de uma campanha permanente de calúnias. Para o imperialismo, é insuportável que um povo submetido à dominação estrangeira tenha derrubado uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos e reorganizado o país sobre bases independentes. É por isso que o Irã e seus dirigentes continuam sendo atacados pela imprensa burguesa.
Entre os dias 27 de junho e 5 de julho, a Universidade Marxista realizará o curso A história do Irã e da República Islâmica, da Universidade de Férias da AJR. A atividade, ministrada por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, tratará da história que levou à Revolução Iraniana, da derrubada do Xá à formação da República Islâmica. Com isso, a Universidade Marxista procura apresentar uma interpretação marxista do processo revolucionário, refutando as calúnias em torno da República Islâmica.
Um dos temas centrais será a trajetória do revolucionário Imam Khomeini. A morte do líder da revolução fez 35 anos em 3 de junho de 2024, mas sua presença continua decisiva na luta dos povos oprimidos contra o imperialismo. A campanha contra ele não é uma tentativa de desarmar politicamente todos os setores que veem no Irã um ponto de resistência à dominação norte-americana.
O sucessor de Khomeini, o mártir Saied Ali Khamenei, chamou atenção para esse problema. Segundo ele, falsificar a imagem de Khomeini não consiste apenas em atacá-lo abertamente, mas em separar sua figura de seus princípios. Nas palavras de Khamenei, “as personalidades também podem ser distorcidas”. Isso ocorre, explicou, “quando os principais pilares da personalidade desse grande ser humano permanecem desconhecidos, são mal interpretados ou são interpretados de forma distorcida e superficial”.
Khomeini dirigiu uma revolução que destruiu um dos regimes mais importantes do imperialismo no Oriente Próximo. O Xá era uma peça-chave da política norte-americana na região. A revolução de 1979 liquidou esse regime e retirou o Irã da órbita direta dos EUA.
Por isso, Khamenei advertiu que “se a personalidade do Imam (que descanse em paz) for distorcida, mal apresentada, apresentada de forma errada, todos esses grandes perigos recairão sobre o povo do Irã”. Ao transformar Khomeini em caricatura, o imperialismo procura enfraquecer a revolução que ele dirigiu.
Para combater essa operação, Khamenei afirma que não basta defender Khomeini de maneira genérica. É preciso estudar seus princípios. “O caminho que pode impedir essa distorção é a releitura dos princípios do Imam”, afirmou. Esses princípios estão nas declarações feitas antes e depois da vitória da Revolução Islâmica e devem ser tomados em conjunto.
Entre esses fundamentos, está a defesa do Islã contra as adaptações feitas aos interesses dos poderosos. Está também a desconfiança diante das potências imperialistas. Não se deve confiar nas promessas dos inimigos do povo iraniano, dos “arrogantes” e das grandes potências.
Outro ponto fundamental é a confiança na força do povo. Khomeini apoiou-se na mobilização popular para derrubar a monarquia e defender a revolução diante da guerra e das agressões externas. A revolução não foi uma conspiração palaciana nem uma simples troca de governo. Foi um levante de massas contra uma ditadura sanguinária.
Khamenei recorda ainda que o Imam era “um defensor sério dos desamparados e oprimidos” e que “rejeitava fortemente a desigualdade econômica”. A Revolução Iraniana se apresentou como ruptura com a ordem em que uma minoria ligada ao imperialismo enriquecia enquanto a maioria vivia sob repressão e pobreza.
A posição de Khomeini diante dos Estados Unidos foi outro aspecto decisivo. Khamenei afirmou que o Imam “não tinha qualquer reconciliação com os arrogantes” e lembrou que a expressão “Grande Satã” para os Estados Unidos foi uma criação de Khomeini. O povo iraniano conheceu na prática a intervenção imperialista: golpe de Estado, ditadura, polícia política, tortura e submissão econômica.
Khamenei resume a questão afirmando que “independência significa liberdade na escala de uma nação”. Para os países oprimidos, não há liberdade verdadeira quando as decisões fundamentais são tomadas pelos países imperialistas.
Daí a importância de estudar a Revolução Iraniana sem os filtros da imprensa imperialista. A mesma máquina que apresenta “Israel” como uma “democracia” enquanto massacra o povo palestino é a que apresenta o Irã como ameaça irracional. A mesma imprensa tenta apagar o conteúdo anti-imperialista da revolução.
O curso A história do Irã e da República Islâmica pretende enfrentar essa falsificação. Entender Khomeini exige compreender o golpe de 1953, a ditadura do Xá, a política dos Estados Unidos no Oriente Próximo, a mobilização das massas iranianas e o significado da independência nacional. Sem isso, a história do Irã vira uma coleção de preconceitos fabricados pela imprensa burguesa.
Como afirmou Hojatoleslam Hamid Rouhani, “quando o Imam começou o movimento, certamente não estava em consonância com as fórmulas globais”. Khomeini não se adaptou às fórmulas aceitas pelo imperialismo. Ao contrário, rompeu com elas.
Quem quiser compreender por que a República Islâmica continua sendo alvo dos Estados Unidos deve estudar a revolução que lhe deu origem e o dirigente que a conduziu. As inscrições para o curso podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.





