Durante a última terça e quarta-feira, 19 e 20 de maio, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, reuniram-se em Pequim e assinaram uma declaração conjunta acompanhada de aproximadamente 20 documentos bilaterais. O texto principal, que contém 130 páginas, consolida a “parceria abrangente” entre as duas nações e apresenta uma oposição formal à ordem mundial dirigida pelos Estados Unidos.
A recepção de gala a Putin, tratado como “velho amigo” e recebido com honras e cerimônias ao ar livre para a partilha de chá, contrastou frontalmente com a frieza dispensada na mesma semana a Donald Trump. A passagem do ex-presidente norte-americano terminou como uma demonstração do isolamento e do declínio da influência dos Estados Unidos, sem qualquer anúncio comercial relevante.
O eixo político do documento assinado pelos dois líderes é a rejeição absoluta da ordem “unipolar”. A declaração conjunta acusa diretamente as potências imperialistas de tentarem impor uma “lógica hegemônica e neocolonial”. Em defesa da autodeterminação, Rússia e China rechaçaram o que classificam como a “lei do mais forte” e o uso de “medidas coercitivas unilaterais ilegais” — os criminosos embargos e sanções econômicas aplicados à revelia da Organização das Nações Unidas (ONU) para asfixiar nações oprimidas.
Aliança defensiva contra a máquina de guerra da OTAN
Frente à escalada bélica do imperialismo, a declaração conjunta estabelece um aprofundamento das relações militares entre russos e chineses, prevendo o aumento de exercícios militares e patrulhas conjuntas para fortalecer a capacidade de resposta contra as provocações.
O documento denuncia com firmeza os Estados Unidos por buscarem uma “vantagem militar absoluta” às custas da estabilidade mundial. Putin e Xi Jinping condenaram o projeto de escudo antimísseis norte-americano, conhecido como “Domo Dourado”, bem como a destruição sistemática, por parte dos EUA, do acordo de restrição de arsenais nucleares conhecido como Novo START, que expirou no dia 5 de fevereiro de 2026. O tratado chegou ao fim após o governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, não responder à proposta da Rússia de prorrogar o acordo por mais um ano. Com o fim do prazo, as duas potências ficaram sem um tratado em vigor que limite legalmente o tamanho de seus arsenais nucleares estratégicos.
Os governos rechaçaram a instalação de infraestrutura militar norte-americano e o deslocamento de mísseis próximos às fronteiras das nações soberanas, táticas clássicas de intimidação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O repúdio à máquina de guerra imperialista não se limitou à Europa e à Ásia. Em uma clara condenação ao enclave sionista e a seus patrões nos Estados Unidos, o documento critica duramente os ataques recentes dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, denunciando essas ações terroristas de Estado como atos que destroem a estabilidade no Oriente Médio.
Soberania e a farsa do divisionismo norte-americano
A declaração reafirma o total alinhamento na defesa inegociável da integridade territorial frente às campanhas divisionistas financiadas pela CIA e pelo Pentágono. A Rússia ratificou o reconhecimento de que Taiuã é uma parte inalienável da China continental, atacando a política norte-americana de armar a ilha para provocar o país asiático. A China, por sua vez, garantiu apoio total à Rússia na garantia de sua própria segurança e na rejeição de qualquer interferência externa, além de repudiar operações imperialistas de “mudanças de poder” — os golpes de Estado arquitetados para sequestrar ou assassinar líderes nacionais.
A América Latina, histórico “quintal” explorado pelos EUA, também foi pauta. Os dois países exigiram que a região seja mantida como “zona de paz”, apoiando o direito das nações latino-americanas e caribenhas de traçarem seu destino e rechaçando a histórica “interferência de forças externas” na região. Complementando a frente política, firmaram o compromisso de combater a “reescrita da história” da Segunda Guerra Mundial, não permitindo qualquer glorificação do nazismo e do fascismo — um claro sinal aos grupos nazistas da Ucrânia que foram financiados e hoje integram as fileiras da OTAN.
Soberania tecnológica contra o bloqueio econômico
Para contornar a sabotagem e o cerco econômico do imperialismo, os acordos apontam para a autossuficiência e a integração. A Rússia indicou que utilizará microchips de fabricação chinesa para sustentar seu modelo de Inteligência Artificial (GigaChat), uma tentativa de romper o monopólio das gigantes de tecnologia dos EUA.
No campo da infraestrutura energética, a declaração ratificou a “cooperação em energia nuclear pacífica”, garantindo a continuidade das obras russas nas usinas nucleares de Tianwan e Xudapu, na China. Por fim, o desenvolvimento da infraestrutura para a integração eurasiana segue em negociação profunda, com as conversas sobre o gigantesco gasoduto Força da Sibéria 2 em andamento para definir, em termos justos e soberanos entre os dois países, o preço e os volumes de fornecimento, redirecionando o fluxo de energia para longe do controle europeu.





