O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), foi ao ar nesta terça-feira (19) com apresentação de Victor Assis e participação de Pedro Burlamaqui. O programa tratou dos principais acontecimentos da guerra no Oriente Próximo, com destaque para a operação da Europol contra contas atribuídas ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI).
Segundo Burlamaqui, a agência policial da União Europeia anunciou uma operação de repressão digital que derrubou 14.200 publicações e contas. Entre os alvos esteve a principal conta atribuída ao CGRI no X, que tinha mais de 150 mil seguidores.
“Essa operação foi desatada depois que a União Europeia designou o CGRI como um grupo terrorista em fevereiro deste ano, antes mesmo da agressão imperialista contra o Irã. A operação ocorreu entre 13 de fevereiro e 28 de abril e, segundo informações da Europol, envolveu autoridades policiais de 19 países”, afirmou Burlamaqui.
O apresentador explicou que as contas retiradas do ar publicavam em árabe, inglês, francês, persa e outros idiomas. Segundo a Europol, o conteúdo reunia mensagens políticas, homenagens a combatentes e vídeos gerados por inteligência artificial em defesa do CGRI e de retaliações pela morte de Ali Khamenei, assassinado pelo exército sionista de “Israel” em 28 de fevereiro.
Victor Assis afirmou que a operação mostra a hipocrisia dos governos europeus, que se apresentam como defensores da paz ao mesmo tempo em que reprimem organizações e países que enfrentam o imperialismo.
“As lideranças europeias, os chefes de Estado que compõem a União Europeia, vêm fazendo bastante demagogia em relação à guerra, indicando que a guerra não termina por teimosia de Trump. […] Mas aí fica a pergunta: se eles consideram que a guerra deveria terminar e a guerra não termina pelos Estados Unidos, por que o exército terrorista não é o exército norte-americano e sim as forças armadas que atuam na guerra em favor do Irã?”, disse.
Assis destacou que a censura contra a conta com mais de 150 mil seguidores revela a preocupação do imperialismo com a popularidade das posições anti-imperialistas na Internet.
“Sobre a quantidade de pessoas que seguem a página, é sem dúvida uma demonstração da popularidade dos povos que se levantam contra o imperialismo, a exemplo do Irã, do Afeganistão, a exemplo do povo palestino, da Venezuela, Nicarágua, Rússia. Existe uma tendência muito forte a querer acompanhar o que esses países estão fazendo”, afirmou.
Para o apresentador, a Internet permite que informações produzidas por fontes iranianas, árabes e palestinas cheguem ao público sem passar pelo controle da grande imprensa imperialista.
“Se essa guerra estivesse acontecendo há 30 anos, 40 anos, a gente não ia saber nem 0,1% do que a gente sabe hoje por meio das fontes iranianas, das fontes árabes que relatam o que de fato está acontecendo no Oriente Próximo. Porque realmente não tem televisão aqui. O Irã não tem um canal de televisão no Brasil, mas os Estados Unidos têm cinco, seis, sete, sei lá quantos canais têm”, declarou.
Assis afirmou que a ofensiva contra contas ligadas ao Irã faz parte de uma política mundial de restrição da liberdade de expressão. Ele também criticou setores da esquerda brasileira que defendem medidas de censura semelhantes às aplicadas pelo imperialismo.
“É justamente por isso que há uma ofensiva mundial contra a Internet, contra o uso da Internet para fazer política, mas na verdade para fazer qualquer coisa. Porque a partir do momento em que a liberdade de expressão é cancelada, você não pode falar absolutamente mais nada”, disse.
O programa também tratou dos ataques de “Israel” contra a Flotilha Global Sumud, que tentava levar alimentos à Faixa de Gaza, do processo movido contra Rui Costa Pimenta e Henrique Áreas a partir de representação da Confederação Israelita do Brasil (Conib), e da atuação militar do Hesbolá no Líbano.
Na parte final, Burlamaqui citou relatório da imprensa israelense segundo o qual os VANTs do Hesbolá paralisaram cerca de 80% das operações planejadas por “Israel” no sul do Líbano. O programa também informou que 22 libaneses foram assassinados por ataques israelenses nas últimas 24 horas, apesar do cessar-fogo formalmente em vigor.





