Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) interditaram a BR-406, no Rio Grande do Norte, na terça-feira (19), para impedir o despejo de 110 famílias do Acampamento Zé Teixeira. O protesto fechou os dois sentidos da rodovia durante a manhã e foi encerrado por volta do meio-dia, após pressão contra a reintegração de posse em área ocupada desde junho de 2025.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que a interdição ocorreu no quilômetro 44,4 da BR-406, em Guamaré, e que equipes foram enviadas ao local. Outra cobertura local situou a mobilização no trecho entre Jandaíra e Baixa do Meio, região próxima às áreas reivindicadas pelo MST. Durante o bloqueio, a PRF indicou rotas alternativas, entre elas o deslocamento pela RN-401 até Macau e depois pela RN-118 até Pendências, antes do retorno à BR-304.
O MST afirmou que a ação foi organizada contra a retirada de 110 famílias do Acampamento Zé Teixeira, instalado em área que o movimento descreve como abandonada e ligada à Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). As famílias vivem no local há quase um ano e dizem ter iniciado plantações de alimentos variados, além de atividades de alfabetização. Para o movimento, a reintegração de posse significaria expulsar trabalhadores rurais de uma terra sem função social e abrir espaço para interesses privados sobre uma área pública ou de pesquisa.
A disputa envolve também áreas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Emparn, conforme as informações disponíveis sobre a ordem de reintegração. Representantes do MST apontam que a área reivindicada inclui a Unidade Experimental Campo de Serra Velho, em Jandaíra, com cerca de 1.600 hectares. O movimento afirma que a terra estava improdutiva, com estruturas danificadas, e que as famílias passaram a dar destinação concreta ao espaço por meio do trabalho agrícola.
A interdição da BR-406 também buscou chamar atenção para cobranças antigas por assentamentos no Rio Grande do Norte. Faixas exibidas no ato cobravam resposta sobre o assentamento do Baixo Açu, reivindicado há 12 anos. O Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba) também aparece no centro de conflitos agrários no estado, com disputa entre trabalhadores rurais sem terra, governo e setores empresariais do campo.
Para as famílias acampadas, o despejo não é uma simples execução burocrática de ordem judicial, mas a retirada de trabalhadores que reivindicam terra para produzir. A ocupação, segundo o MST, já havia transformado uma área parada em lugar de moradia, plantio e formação básica. Ao bloquear a rodovia, o movimento tentou impedir que a reintegração ocorresse sem pressão pública e sem solução para as 110 famílias. A liberação da via ao meio-dia encerrou o bloqueio, mas não resolveu o conflito fundiário que levou os trabalhadores à estrada.


