A assembleia de docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou, na sexta-feira (15), a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (18). A decisão foi tomada em meio às negociações entre o Fórum das Seis, que representa categorias das universidades estaduais paulistas, e o Conselho de Reitores.
Segundo Regina Célia Silva, segunda vice-presidenta da Regional São Paulo do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior e diretora da Associação de Docentes da Unicamp, a paralisação tem como objetivo cobrar a reabertura das negociações.
Os estudantes da Unicamp já estavam em greve, assim como os servidores técnico-administrativos. Com a decisão dos docentes, as três categorias da universidade passaram a estar paralisadas a partir de segunda-feira.
Os professores reivindicam reajuste salarial de 7,39%, percentual correspondente ao índice de inflação do período acrescido de 3% para recomposição de perdas anteriores. A categoria também defende as reivindicações unificadas do Fórum das Seis, que incluem ampliação das bolsas de permanência, aumento dos valores pagos aos estudantes, melhores condições nas moradias e restaurantes estudantis, cotas para estudantes trans e vestibular para índios.
Regina Célia Silva afirmou que ocorreram três rodadas de negociação e que o Conselho de Reitores não aceitou a proposta de reajuste apresentada pelos docentes. Segundo ela, a greve foi aprovada por ampla maioria na assembleia.
A assembleia também aprovou a realização de um ato na quarta-feira (20), em frente à Reitoria da Unicamp, pela retomada das negociações. A categoria decidiu ainda participar de um ato público em São Paulo, no mesmo dia, organizado por entidades sindicais e estudantis em defesa do serviço público e da educação pública.
Os docentes também constituíram o Comando de Greve da Associação de Docentes da Unicamp. Novas ações e a programação da paralisação serão divulgadas posteriormente pela entidade.
Na assembleia, foi aprovada ainda uma moção de repúdio e alerta à comunidade acadêmica, que será encaminhada ao Conselho Universitário da Unicamp e ao Conselho de Reitores. O texto critica o Projeto de Lei 439/2026, que pretende proibir movimentos estudantis, greves, ocupações e manifestações políticas nas universidades públicas paulistas, com punições a estudantes, docentes, reitores, diretores e servidores.
Segundo a moção, a proposta é “flagrantemente inconstitucional, autoritária e incompatível com os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito estabelecidos pela Constituição Federal de 1988”. O documento afirma ainda que o projeto viola a autonomia universitária, a liberdade de expressão, o direito de manifestação, o direito de greve, a liberdade de organização política e sindical, o devido processo legal e direitos civis e políticos.
A greve na Unicamp ocorre em meio à mobilização das universidades estaduais paulistas pela retomada das negociações com o Conselho de Reitores.



