A edição desta segunda-feira (18) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), teve como tema principal a perseguição movida contra o Partido da Causa Operária (PCO), seu presidente nacional, Rui Costa Pimenta, pré-candidato à Presidência da República, e o secretário nacional do partido, Henrique Áreas.
Na edição de número 50, Francisco Muniz e Victor Assis discutiram o processo movido contra dirigentes do PCO, a tentativa de equiparar a denúncia contra o sionismo a preconceito religioso, os ataques de “Israel” contra a resistência palestina e a guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
Muniz citou notícia da CNN Brasil sobre a acusação contra Pimenta e Áreas. Segundo a reportagem lida no programa, os denunciados teriam “em diversas oportunidades incentivado a destruição de um Estado judeu”, apoiado organização apontada como terrorista e difundido conteúdo de discriminação religiosa contra judeus.
O apresentador classificou as acusações como “absolutamente inverídicas e caluniosas” e destacou que o caso envolve uma tentativa de transformar uma posição política contra o Estado de “Israel” em crime.
“É o tipo: o jeitinho dele. É um processo quase racista. […] Todas essas acusações absolutamente inverídicas e caluniosas, inclusive”, afirmou Muniz.
Victor Assis afirmou que a acusação procura deformar a posição do PCO. Segundo ele, a crítica do Partido não é dirigida aos judeus, mas ao Estado sionista imposto sobre a Palestina.
“A questão do Estado judeu não é uma questão do Estado judeu abstrato. Eles tentam trazer a seguinte acusação: ele é contra o direito de um judeu ter Estado. Quem quiser formar um Estado, se o Chico quiser fazer o Estado Chico, faz. O problema é onde e em que situação concreta. Não é um Estado judeu, o problema é você, num território em que existem diferentes populações, diferentes grupos étnicos, constituir um Estado judeu. Porque isso significa necessariamente um Estado supremacista, um Estado racista, um Estado de apartheid.”
Assis afirmou que a existência de “Israel” como Estado confessional transforma a população palestina em cidadãos sem direitos. Para o comentarista, a posição do PCO está ligada à defesa do povo palestino e à denúncia dos crimes cometidos por “Israel” na Faixa de Gaza.
“Então, um Estado judeu criado artificialmente ali na região da Palestina é um problema. Lógico que é um problema. Tinha apartheid antes do sionismo vir para lá? Não, não tinha. Tinha muito problema porque a região era dominada pelo imperialismo britânico. Mas não era essa segregação.”
O comentarista afirmou ainda que os sionistas utilizam a memória do Holocausto para encobrir os crimes praticados atualmente contra os palestinos.
“Agora, a partir do momento em que você estabelece que existe um Estado judeu, você está estabelecendo que existem cidadãos de primeira e segunda categoria, ou seja, cidadãos que têm direitos e cidadãos que são tratados iguais a animais ou nem animais são tratados da maneira como os palestinos são tratados. É algo completamente desumano. Por isso que é muito vergonhoso os sionistas evocarem a memória de pessoas que morreram nos campos de concentração nazistas para defender esse tipo de coisa, porque o que eles fazem é igualzinho.”
Muniz também leu no programa a declaração de Rui Costa Pimenta sobre o caso. O presidente nacional do PCO afirmou que a denúncia é uma perseguição política feita pelo lobby sionista em razão das críticas do Partido aos crimes de “Israel” em Gaza.
“É uma denúncia absurda, um caso evidente de perseguição política. Trata-se de uma calúnia realizada pelo lobby sionista devido às contundentes críticas que fazemos acerca da matança de milhares de mulheres e crianças na Faixa de Gaza. Exemplo dos piores crimes de guerra. O truque do lobby sionista é tentar confundir judaísmo e sionismo. Qualquer crítica ao sionismo é tratada como se fosse um preconceito racial contra os judeus. Estamos sendo perseguidos por nossas opiniões políticas, coisa típica de ditaduras”, declarou Pimenta, em trecho lido por Muniz.
A discussão sobre o processo foi ligada à situação na Palestina. Muniz mencionou o assassinato de Ezeddin al-Haddad, comandante das Brigadas Al-Qassam, braço armado do Hamas. Al-Haddad foi assassinado por “Israel” ao lado de sua esposa, sua filha e outros palestinos em Gaza.
Segundo Muniz, o ataque foi classificado pelas Brigadas Al-Qassam como “um assassinato covarde” e como violação do cessar-fogo firmado em Sharm el-Sheikh. O apresentador destacou que o dirigente palestino não foi assassinado em combate.
Assis afirmou que o caso mostra o caráter da política de “Israel” contra a resistência palestina.
“Você chega e mostra o que é o Estado de ‘Israel’, que assassina o comandante, não apenas um comandante militar, mas um dirigente político, um quadro político importantíssimo para a nação inteira. Você critica isso daí, aí vêm os sionistas falar do Holocausto. É absurdo.”
O comentarista lembrou que al-Haddad, conhecido como o Fantasma de Gaza, era uma das principais figuras militares da resistência palestina.
“Normalmente, os líderes das Brigadas Al-Qassam são todos, do ponto de vista palestino, heróis de guerra. São figuras que viram uma espécie de lenda para a população porque sobrevivem a uma quantidade enorme de emboscadas, lideram o seu povo numa luta muito desigual com o Estado de ‘Israel’. Não era diferente aqui com Ezeddin al-Haddad.”
A edição também tratou da guerra contra o Irã, apresentada pelos participantes como parte da mesma ofensiva imperialista no Oriente Próximo. Muniz afirmou que o Irã mantém a posição de só aceitar o fim da guerra se houver o encerramento das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, Gaza, o próprio Irã e os ataques contra bases norte-americanas.
Assis afirmou que os Estados Unidos atuam para sabotar as negociações.
“Os Estados Unidos, reiteradamente, aparecem nas negociações para sabotar a discussão em torno do acordo de cessar-fogo, enrolando, enganando o Irã, ou melhor, tentando enganar, porque o próprio Irã já vai às negociações muito desconfiado. Não custa lembrar que as duas últimas guerras deflagradas contra o Irã ocorreram em meio às negociações, tanto a guerra dos 12 dias quanto a guerra que está em curso.”
Segundo o comentarista, a posição norte-americana mostra que o imperialismo tenta ganhar tempo porque não conseguiu impor uma derrota militar ao Irã.
“A postura dos Estados Unidos tem sido essa. A postura de sabotagem, guiada pelos interesses do presidente norte-americano, que evidentemente não quer fazer um acordo tão desfavorável assim, porque isso inevitavelmente levará a uma crise política em seu governo, que já se encontra em crise.”
A discussão sobre o Estreito de Ormuz foi apresentada como outro ponto da disputa. Muniz mencionou a criação de uma autoridade iraniana sobre o estreito do Golfo Pérsico e a importância estratégica da região para o transporte de petróleo e cabos submarinos de fibra óptica.
Assis afirmou que o Irã está transformando uma operação militar em uma política permanente de soberania sobre a região.
“Enquanto a guerra não é terminada e também não tem nenhum novo capítulo mais importante do ponto de vista militar, o Irã vai aplicando o seu programa, vai levando adiante as exigências que ele está fazendo nas negociações. O que só mostra que as negociações têm um valor formal, elas estabelecem ali às claras o que vai acontecer, mas quem efetivamente dita o que vai acontecer é a correlação de forças, é a luta política, é a luta anti-imperialista.”
Para Assis, a política iraniana em Ormuz demonstra que os países oprimidos só conseguem impor sua soberania por meio da força diante do imperialismo.
“O Irã aprendeu com toda uma experiência profunda que, se você quer estabelecer alguma coisa com relação ao imperialismo, você tem que impor por meio da força, não adianta confiar em conversa ou coisa do tipo. Como os Estados Unidos estão enrolando, o Irã já está por conta própria instituindo o controle do Estreito de Ormuz, o controle não apenas militar, mas o controle econômico, que vai, inclusive, ajudar a financiar a recuperação de toda a infraestrutura destruída pelos Estados Unidos.”





