A crise aberta no Democracia Cristã depois do anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (18). Aldo Rebelo, que vinha sendo apresentado pelo próprio DC como pré-candidato ao Planalto, afirmou que sua candidatura está mantida e atacou o método usado pela direção nacional da legenda.
“Minha pré-candidatura está mantida e sigo com minhas agendas. O Joaquim Barbosa não confirmou. Não se faz política na clandestinidade”, disse Aldo à CNN.
Segundo o calendário eleitoral, as convenções das legendas poderão ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.
A situação ficou ainda mais confusa porque Joaquim Barbosa, embora lançado pela direção do DC, não tratou sua candidatura como fato consumado. À Folha de S.Paulo, o ex-ministro do STF afirmou que só será candidato se forem preenchidas condições políticas: boa receptividade do eleitorado, alianças, tempo de televisão e recursos para campanha.
O presidente nacional do DC, João Caldas (AL), afirmou que Aldo teria “menos que traço” nas pesquisas e que a sigla já vinha articulando o nome de Barbosa nos bastidores. Segundo a CNN, Caldas também disse que Aldo foi comunicado “por interlocutores” e que a decisão deve ser oficializada na convenção.
O caso também atingiu outros setores da política. Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro (PL), chamou a eventual candidatura de Joaquim Barbosa de “piada” e atacou sua aposentadoria antecipada do STF. Barbosa foi o relator do mensalão, processo que condenou Valdemar por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-ministro do STF aparece para parte da imprensa como nome de “terceira via”, mas sua trajetória no Supremo também desperta resistência em setores diretamente atingidos por suas decisões.
A CNN publicou que a entrada de Barbosa rachou o DC e que a sigla tenta agora contornar a crise, buscar alianças e encontrar um vice. Segundo a emissora, dois líderes de partidos “de centro” foram chamados para conversas iniciais, mas ainda aguardam sinais mais concretos do próprio Barbosa.
A candidatura que o DC tentou apresentar como fato consumado ainda depende da convenção, de alianças, de tempo de televisão, de recursos e da decisão final do próprio Joaquim Barbosa. Até lá, o que existe de concreto é um partido pequeno em guerra interna e uma manobra de cúpula que saiu pior do que o planejado.





