O recente lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, destaca-se por destinar R$11 bilhões a medidas de repressão, supostamente para combater o crime organizado.
O pacote, que inclui investimentos em tecnologia de vigilância e reforço de forças policiais, ocorre em um contexto de pressão eleitoral, onde a “segurança pública” emerge como tema central. A decisão de fortalecer o aparato repressivo, em permanente guerra contra o povo trabalhador, com mais de 6 mil mortes por ano assumidas oficialmente, mostra o governo atuando em sintonia com o pensamento das classes dominantes, para quem a questão da “segurança” é sinônimo de repressão do povo e defesa dos seus ganhos com a exploração e roubo do povo.
O programa se constrói sobre a promessa de integração entre União, estados e municípios, inteligência policial e rastreamento financeiro. Entre as medidas, destacam-se o combate ao tráfico de armas, a expansão de comitês de investigação financeira e a segurança nos presídios. A ênfase em repressão e controle estatal levanta preocupações, especialmente em um governo que depende do voto popular e da confiança das populações marginalizadas.
Ao responder à pressão da direita com medidas voltadas ao aparato repressivo, o governo Lula corre o risco de perder apoio popular, especialmente nas periferias, onde a polícia é frequentemente associada à violência. A estratégia prioriza repressão em vez de investimentos sociais e busca disputar um eleitorado conservador tradicionalmente ligado à direita e à extrema direita.
Lula desloca-se para a pauta dos adversários, sem necessariamente conquistar o eleitorado conservador já está inclinado à direita.
A tentativa de associar a nova política à cooperação internacional, incluindo pedido a Donald Trump para entrega de brasileiros acusados de crimes, reforça o caráter político da iniciativa em um momento em que o imperialismo e seus chefes são confrontados por uma ampla reação dos povos oprimidos (Irã, Rússia, China etc.).
Em suma, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, ao priorizar o fortalecimento do Estado repressivo, revela-se uma tentativa de disputar o discurso da direita, mas pode, paradoxalmente, fortalecer seus adversários políticos. Ao deixar em segundo plano uma política social mais ampla, Lula perde a oportunidade de enfrentar as causas materiais da violência e, assim, conquistar de forma mais sólida o apoio das camadas populares.





