Universidade Marxista

Revolução Islâmica criou dia de luta contra a Nakba

Instituída por Khomeini em 1979, a jornada internacional de Al-Quds transformou a defesa da Palestina em uma bandeira mundial contra o imperialismo

A Revolução Islâmica de 1979 não apenas derrubou uma das principais ditaduras pró-imperialistas do Oriente Próximo. Ela também transformou a causa palestina em uma das questões centrais da política internacional dos povos oprimidos. Poucos meses depois da vitória revolucionária contra a monarquia do xá Reza Pahlavi, o aiatolá Ruhollah Khomeini instituiu o Dia Internacional de Al-Quds, celebrado todos os anos na última sexta-feira do mês sagrado de Ramadã.

A data foi criada como uma jornada mundial de solidariedade ao povo palestino e de luta contra a ocupação sionista de Jerusalém, chamada em árabe de Al-Quds. Desde então, tornou-se uma das principais manifestações internacionais contra a Nakba, isto é, a catástrofe imposta ao povo palestino desde 1948, quando centenas de milhares de palestinos foram expulsos de suas terras para a criação artificial do Estado de “Israel”.

Antes de 1979, o Irã era um dos principais aliados de “Israel” e dos Estados Unidos na região. A ditadura do xá, sustentada pela CIA desde o golpe de 1953 contra o governo nacionalista de Mohammad Mossadegh, mantinha relações estreitas com o regime sionista. O petróleo iraniano, a repressão interna e a posição geográfica do país faziam do Irã uma peça fundamental da dominação imperialista.

Com a Revolução Iraniana, essa situação foi virada de ponta-cabeça. A embaixada israelense em Teerã foi fechada e entregue à Organização para a Libertação da Palestina. O novo governo rompeu com a política pró-sionista do xá e passou a apresentar a libertação da Palestina como uma tarefa de todos os povos oprimidos da região.

Foi nesse cenário que Khomeini convocou os muçulmanos e todos os defensores da Palestina a transformar a última sexta-feira do Ramadã em uma jornada internacional de luta. A escolha de Al-Quds não era casual. Jerusalém é uma cidade sagrada para muçulmanos, cristãos e judeus, mas, no centro da causa palestina, tornou-se também um símbolo da ocupação, da expulsão de um povo inteiro e da tentativa sionista de apagar a identidade nacional palestina.

A Mesquita de Al-Aqsa, localizada em Jerusalém Oriental, é o terceiro lugar mais sagrado do Islã. Ao longo das últimas décadas, ela foi alvo de ataques, invasões, restrições e provocações por parte das forças israelenses e de grupos sionistas. Por isso, a defesa de Al-Quds passou a sintetizar a defesa de toda a Palestina.

A importância histórica da data está justamente no fato de que ela não se limita a uma celebração religiosa. O Dia de Al-Quds é uma manifestação política. Ele denuncia a ocupação israelense, a cumplicidade dos Estados Unidos e das potências imperialistas e afirma o direito do povo palestino à resistência.

Ao criar a data, a Revolução Iraniana deu uma forma organizada e internacional à luta contra a Nakba. A tragédia de 1948 deixou de ser apresentada como um problema local ou humanitário e passou a ser entendida como parte de uma luta histórica contra o imperialismo. A Palestina deixou de aparecer apenas como uma causa árabe. Tornou-se uma causa de todos os povos submetidos à opressão colonial.

Essa foi uma das grandes contribuições da Revolução Islâmica. O Irã revolucionário demonstrou que a derrota do imperialismo em um país poderia abrir caminho para uma política regional de apoio aos povos oprimidos. A partir daí, a causa palestina passou a estar ligada diretamente ao desenvolvimento do Eixo da Resistência, envolvendo forças como o Hesbolá no Líbano, organizações palestinas, o Ansar Alá no Iêmen e outros setores que enfrentam a dominação norte-americana e sionista no Oriente Médio.

Quase meio século depois, o Dia de Al-Quds adquiriu uma dimensão ainda maior. As manifestações já não ocorrem apenas no Irã. São realizadas em diversos países, incluindo Iraque, Líbano, Iêmen, Paquistão, Índia, África do Sul, países europeus, Estados Unidos, Canadá e também no Brasil. A cada nova ofensiva de “Israel” contra Gaza, a Cisjordânia ou Jerusalém, a data ganha uma importância maior.

É por isso que estudar a Revolução Iraniana de 1979 é fundamental para compreender a situação atual do Oriente Próximo. A criação do Dia de Al-Quds foi parte de uma revolução que rompeu com o imperialismo, estatizou o petróleo, destruiu a monarquia pró-norte-americana, enfrentou a embaixada dos Estados Unidos e resistiu a uma guerra de oito anos organizada para esmagar o novo regime.

A Universidade Marxista realizará, entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o curso A história do Irã e da República Islâmica, como parte da Universidade de Férias de inverno. O curso será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), e abordará justamente o processo histórico que transformou o Irã em um dos principais obstáculos aos planos dos Estados Unidos e de “Israel” no Oriente Médio.

Entre os temas fundamentais do curso estarão os antecedentes da Revolução Islâmica, a dominação imperialista sobre o país, a ditadura do xá, a queda da monarquia, a formação da República Islâmica, a estatização do petróleo, a guerra Irã-Iraque e o papel do Irã na defesa da Palestina e dos povos oprimidos da região.

O Dia de Al-Quds mostra que a Revolução Iraniana não pode ser compreendida apenas como um acontecimento nacional. Ela modificou toda a política do Oriente Próximo. Ao colocar a Palestina no centro de sua orientação internacional, a revolução abriu uma nova etapa na luta contra o sionismo e contra o imperialismo. Por isso, diante da guerra atual, da campanha permanente de calúnias contra o Irã e da tentativa de esmagar a Resistência Palestina, conhecer a história da Revolução Islâmica é uma necessidade política elementar.

As inscrições para o curso A história do Irã e da República Islâmica podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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