Nesta sexta-feira (15), Leonardo Attuch entrevistou Rui Costa Pimenta na TV 247 para analisar os desdobramentos políticos mais recentes no cenário nacional e internacional. O presidente do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República minimizou o impacto do recente vazamento de áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, classificando a reação da esquerda e da grande imprensa como fruto de um “otimismo” excessivo.
De acordo com Rui Pimenta, o escândalo que associa o parlamentar a um suposto pedido de R$140 milhões ao empresário Daniel Vorcaro tem um caráter “mais de aparência do que um escândalo real”. O analista defendeu que a solicitação de financiamento para um filme privado não configura, a princípio, um ato ilícito ou imoral.
“O bolsonarismo tem muito mais teflon do que o Lula”, afirmou o presidente do PCO.
Pimenta argumentou que a base de apoio da direita tende a encarar o episódio como mais uma perseguição do sistema e não como um crime real. Sobre as oscilações nas pesquisas diárias do Instituto Atlas — que apontam o presidente Lula sete pontos à frente em um eventual segundo turno —, o dirigente sugeriu cautela, sinalizando que os números refletem um abalo temporário e uma forte pressão externa para forçar a desistência do senador.
Indagado por Attuch sobre a postura do mercado financeiro e os editoriais dos jornais tradicionais, que pregam a libertação da “direita bolsonarista”, Pimenta rotulou a atitude da imprensa como “cinismo”. Na avaliação do entrevistado, a burguesia busca viabilizar uma candidatura de “terceira via” sem o ônus do radicalismo ideológico, mas esbarra na resistência do próprio eleitorado bolsonarismo.
O presidente do PCO pontuou que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi rapidamente carimbado como “traidor” e apelidado de “Zória” pelos bolsonaristas após ensaiar críticas públicas. Caso o recuo de Flávio Bolsonaro se torne inevitável, Pimenta apontou que a substituta natural seria a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem considera uma candidata potencialmente forte, com boa presença pública e menos desgaste político do que o senador.
O jornalista Leonardo Attuch também trouxe ao debate questionamentos dos espectadores sobre a natureza ideológica do Partido dos Trabalhadores. Pimenta concordou com a crítica de que o PT defende o capitalismo e a propriedade privada, o que classificou como “a desgraça do Brasil”, reiterando a necessidade de uma alternativa de esquerda genuinamente socialista.
Ele alertou que o grande capital não deseja a vitória de Lula nem a de Flávio Bolsonaro, preferindo figuras totalmente submissas à agenda neoliberal, como foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “A direita civilizada destruiu o país”, declarou, acrescentando que líderes populares mantêm uma margem de independência que incomoda a classe dominante.
Na política internacional, a entrevista abordou o recente encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Rui Pimenta rechaçou a tese de que o evento representou uma capitulação do imperialismo norte-americano perante a potência asiática, definindo a reunião como “um encontro amigável de inimigos”. Segundo ele, os monopólios globais mantêm o objetivo inalterado de tentar conter o avanço chinês.





