A Editora Democritos realizou, nesta sexta-feira (15), o lançamento de O Espinho e o Cravo, romance do dirigente palestino Iahia Sinuar, líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) martirizado por “Israel”, na Biblioteca Latino-Americana, no Memorial da América Latina, em São Paulo. A atividade fez parte da programação da 8ª Feira do Livro da Unesp, que acontece entre os dias 13 e 17 de maio, reunindo mais de 200 editoras.
O lançamento foi realizado em formato de debate, com uma exposição sobre o conteúdo do livro e sobre o contexto histórico da luta do povo palestino. A apresentação ficou a cargo de Juliano “Juca” Simonard, que participou do trabalho de tradução, edição, notas e revisão da obra. Após a fala inicial, os presentes puderam fazer perguntas, apresentar comentários e participar de uma discussão sobre os principais temas levantados pelo romance.
A presença da Editora Democritos na Feira da Unesp também contou com uma banca com suas publicações. Além de O Espinho e o Cravo, a editora levou ao evento livros, revistas do Diário Causa Operária, materiais dos coletivos ligados ao movimento operário e popular, como publicações do coletivo de mulheres Rosa Luxemburgo, da revista Breton, da revista João Cândido e outros títulos.
O Espinho e o Cravo havia sido lançado inicialmente no sábado anterior (9), no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo. A obra chega agora ao público da Feira da Unesp como uma das principais publicações da editora sobre a luta do povo palestino.
Publicado no Brasil em dois volumes, o livro tem cerca de 800 páginas e apresenta a história recente da Palestina por meio da vida de uma família palestina. O romance acompanha o período que vai da Guerra dos Seis Dias, em 1967, até a Segunda Intifada, tratando da ocupação de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, da vida nos campos de refugiados, da organização da resistência e da luta dos prisioneiros palestinos dentro das cadeias de “Israel”.
A obra foi escrita por Sinuar enquanto ele estava preso pelo Estado sionista. O manuscrito circulou clandestinamente entre os prisioneiros palestinos, que copiaram trechos manualmente para impedir que o texto fosse destruído pelos carcereiros israelenses. Por isso, o livro tem importância não apenas literária, mas também histórica e política.
Durante a atividade, Simonard destacou que, embora seja um romance, a obra permite compreender de maneira concreta a experiência do povo palestino sob a ocupação. O livro mostra a vida cotidiana nos campos de refugiados, as relações familiares, a escola, o trabalho, os casamentos, a religião, a formação política dos jovens e as formas de sobrevivência diante da violência colonial.
Ao mesmo tempo, O Espinho e o Cravo apresenta o desenvolvimento das organizações palestinas, do Fatá ao Hamas, passando pela Primeira Intifada e pela formação das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Um dos pontos centrais do livro é a denúncia das prisões sionistas, mostrando tanto a brutalidade imposta aos presos palestinos quanto a organização política construída dentro das cadeias.
A edição brasileira foi preparada pela Editora Democritos a partir da comparação entre o original em árabe, traduções em outras línguas e a primeira versão em português feita pelo jornal Clandestino. O trabalho editorial incluiu notas explicativas sobre organizações, acordos, acontecimentos políticos e elementos da cultura árabe e palestina, além de uma tabela de nomes árabes com diferentes formas de escrita e transliteração.
O lançamento na Feira da Unesp ocorreu em um momento em que a questão palestina ocupa o centro da política mundial. Diante do genocídio cometido por “Israel” na Faixa de Gaza, a publicação de uma obra escrita por um dos principais dirigentes da resistência palestina permite ao leitor brasileiro conhecer a luta palestina a partir de dentro, pela experiência de um povo submetido há décadas ao sionismo e ao imperialismo.
A obra pode ser adquirida por R$270,00, em dois volumes, com acesso à versão digital. Os interessados também podem comprar o livro pelo sítio oficial da Editora Democritos ou pelo telefone (11) 99741-0436.





