Estudantes da Unesp de Bauru paralisaram atividades no campus, na terça-feira (12), durante a greve estudantil nas universidades estaduais paulistas. Alunos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design oficializaram a paralisação junto à direção da unidade, enquanto outros cursos relataram adesões e discussões internas. O movimento cobra permanência estudantil, moradia, alimentação, contratação de docentes e melhores condições para estudar.
De acordo com a universidade, a paralisação foi formalizada na FAAC. Na Faculdade de Ciências, a direção informou não ter recebido comunicação oficial, mas havia relatos de paralisação em dois cursos. Já na Faculdade de Engenharia, as atividades acadêmicas seguiam normalmente. Os estudantes afirmaram que o movimento tinha indicativo de greve e seria discutido em assembleia geral, o que indica uma tentativa de ampliar a adesão dentro do campus e coordenar decisões entre diferentes unidades.
As mobilizações em Bauru acompanham atos e greves em unidades da USP, Unicamp e Unesp em várias cidades do estado de São Paulo. Entre as reivindicações comuns estão mais investimentos em permanência estudantil, ampliação de moradia universitária e melhoria da alimentação oferecida aos alunos. A greve estudantil da USP começou em 14 de abril, segundo o relato reproduzido pela fonte, mas em Bauru a USP não havia aderido ao movimento. A pauta estudantil também se cruza com a pressão de docentes e servidores por recomposição salarial.
Na Unesp, os estudantes denunciam falta de professores, sobrecarga de servidores e dificuldades para permanecer na universidade. O Diretório Central dos Estudantes afirma que a situação atinge ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil. A crítica central é que muitos alunos conseguem entrar na universidade pública, mas enfrentam obstáculos concretos para concluir o curso: falta de moradia, custo de alimentação, transporte, ausência de auxílios suficientes e turmas afetadas pela falta de docentes.
A reitoria respondeu apresentando dados pífios como uma grande conquista para os estudantes. Segundo a reitoria, a Coordenadoria de Permanência Estudantil atendeu 7.746 estudantes de graduação com algum tipo de auxílio em 2025, o equivalente a mais de 20% do total. Também informou que 17 unidades da Unesp contam com restaurante universitário, admitindo que 7 unidades não têm. A reitoria não falou sobre a qualidade dos restaurantes e se eles realmente são suficientes para os campi onde estão. A reitoria afirmou que uma nova unidade deve ser inaugurada ainda neste ano, embora não tenha informado sobre planos e datas. Para os estudantes, porém, os dados não eliminam a pressão imediata no campus de Bauru. A greve mostra que a permanência se tornou o ponto decisivo da vida universitária: sem condições materiais, a vaga pública deixa de significar garantia real de formação.



