Manifestantes europeus realizaram atos pró-palestina em Viena, na Áustria, na terça-feira (12), durante a primeira semifinal da 70ª edição do Eurovision. Os protestos ocorreram do lado de fora da arena Wiener Stadthalle e tiveram como foco a participação de “Israel” no concurso, enquanto a guerra contra Gaza e as denúncias de genocídio ampliavam a rejeição ao país no evento. Pequenos caixões foram levados à praça Schwedenplatz, no centro da capital austríaca, como denúncia simbólica das mortes palestinas.
A presença de “Israel” no Eurovision levou cinco países a abandonar a competição: Espanha, Irlanda, Eslovênia, Holanda e Islândia. A saída foi apresentada como protesto contra as operações militares do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza e contra o tratamento desigual em comparação com a Rússia, excluída do concurso após o início da guerra na Ucrânia em 2022. Para os manifestantes, a permanência de “Israel” no palco europeu favorece um governo que cometeu crimes graves enquanto artistas palestinos e apoiadores da causa sofrem pressão política.
A campanha “Sem Música para o Genocídio” também ampliou o alcance das mobilizações. Mais de 1,1 mil artistas assinaram carta aberta contra a participação “israelense” no programa, incluindo nomes como Macklemore, Peter Gabriel e Massive Attack. Sob o lema “Sem palco para o genocídio”, os organizadores prepararam um protesto musical para sexta-feira (15) e uma marcha para sábado (16), data da final do concurso. O objetivo era manter a pressão durante toda a semana do evento, transformando a disputa musical em espaço de denúncia política.
A controvérsia também foi alimentada por acusações de manipulação da votação popular em favor de “Israel” na edição de 2025. Uma investigação citada pela agência de notícias italiana ANSA apontou que o governo “israelense” teria investido pelo menos US$ 1 milhão para influenciar o resultado do concurso. A União Europeia de Radiodifusão, responsável pelo Eurovision, negou interferência nos resultados e alterou regras, reduzindo de 20 para 10 o número máximo de votos por telespectador. Mesmo assim, a entidade emitiu alerta formal à emissora “israelense” Kan após a equipe de Noam Bettan divulgar vídeos em vários idiomas incentivando o público a usar todos os votos disponíveis nele.
A semifinal teve ainda a apresentação do italiano Sal Da Vinci, fora da disputa, enquanto Alemanha, Áustria, França e Reino Unido já estavam classificados para a final. Mas a cena política ao redor da arena ocupou o centro da atenção. O protesto em Viena mostrou que o Eurovision não poderia ser tratado como simples festival musical em meio à destruição de Gaza. A questão colocada pelos atos foi direta: enquanto “Israel” for mantido no palco, a final seguirá cercada por denúncia, boicote e cobrança popular.




