Plantão Irã

Guerra poderá custar 1 trilhão de dólares aos EUA

Programa diário de notícias da Causa Operária TV discutiu ainda a firmeza do Hesbolá e a situação de fragilidade das monarquias árabes

Na edição desta quinta-feira (14) do programa Plantão Irã, transmitido pela Causa Operária TV, os apresentadores Victor Assis e Pedro Burlamaqui analisaram o impacto econômico bilionário da guerra para os Estados Unidos, a confirmação de ataques secretos da Arábia Saudita contra território iraniano e a abertura estratégica do Estreito de Ormuz para embarcações chinesas.

O programa iniciou com as divulgadas pela agência Reuters confirmando que a Arábia Saudita realizou ataques diretos contra o Irã. Segundo Pedro Burlamaqui, fontes imperialistas e iranianas indicam que esta seria a primeira vez que ocorre uma ofensiva militar saudita direta no território persa.

Victor Assis ponderou sobre a postura diplomática da monarquia saudita, que teria avisado ao Irã sobre possíveis escaladas em caso de retaliação. Para o comentarista, o cenário mais provável foi de um pedido de desculpas velado.

“O mais provável é que as autoridades sauditas tenham ido ao Irã e meio que pedido desculpas, dizendo: ‘Olha, os Estados Unidos pressionaram a gente, a gente teve que fazer alguma coisa aqui, mas por favor, não retaliem'”, afirmou Vitor. Ele acrescentou que “a Arábia Saudita não está em condições de impor nenhuma ameaça porque o Irã já está ocupado respondendo às ameaças dos Estados Unidos”.

A análise se estendeu ao papel de governos vizinhos como Jordânia, Emirados Árabes e Cuaite. Assis classificou essas monarquias como “governos traidores da sua própria população” e “governos fantoches” que obedecem a interesses estrangeiros por temor a insurreições populares.

Pedro Burlamaqui trouxe ainda dados sobre o Cuaite, onde quatro marinheiros civis iranianos teriam sido detidos por um suposto erro de navegação. Enquanto o Cuaite alega infiltração do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), o governo iraniano nega e exige a libertação imediata. “O Irã está denunciando este como mais um ato ilegal por parte do Cuaite”, explicou Pedro.

Questionado sobre a tendência das relações regionais, Victor Assis explicou que não há uma regra exata, mas sim uma pressão crescente do imperialismo. Segundo o comentarista, “na medida em que a crise política se intensificar no mundo inteiro, a pressão do imperialismo sobre esses regimes vai ser maior”. Para ele, o desfecho depende da correlação de forças: enquanto regimes como os Emirados Árabes se alinham mais ao imperialismo, a Arábia Saudita parece buscar uma convivência menos explosiva.

“A impressão que dá é que a burocracia saudita, até por uma preocupação com sua própria sobrevivência, está buscando ter algum tipo de relação mais pacífica com o Irã”, avaliou.

Durante a transmissão, os apresentadores ressaltaram a importância do estudo histórico para compreender o conflito atual. Foi anunciado o curso A História do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta. O curso ocorrerá entre 27 de junho e 5 de julho através da Universidade Marxist, visando aprofundar o conhecimento sobre a resistência iraniana.

No plano interno, Pedro Burlamaqui destacou a desarticulação de cinco redes de contrabando de armas em Teerã ligadas a “Israel”, resultando na eliminação de 20 suspeitos. O programa também exibiu imagens exclusivas de um veterano iraniano em cadeira de rodas e com máscara de oxigênio protestando nas ruas.

Victor Assis analisou que a agressividade estrangeira acabou por unificar a sociedade. Ele citou que o assassinato de líderes religiosos foi uma “estupidez” do imperialismo.

“O povo iraniano está unificado numa só luta, na luta contra o imperialismo. Direita, esquerda, setores mais conservadores, setores mais liberais, comunistas, ateus, xiitas e não-xiitas… todos estão juntos”, afirmou o apresentador, destacando que o regime saiu fortalecido pela firmeza demonstrada na guerra.

Sobre a situação no Líbano, o programa abordou a rodada de negociações em Washington envolvendo “Israel” e o governo libanês. Victor Assis alertou que o real objetivo dessas conversas é o desarmamento da resistência libanesa. Ele ressaltou que o Hesbolá é uma organização de caráter defensivo e que o imperialismo busca isolar o grupo para facilitar planos “macabros” na região, comparando a situação atual ao golpe de Estado ocorrido na Síria.

O tema central foi o rombo financeiro causado pela guerra aos Estados Unidos. Embora o secretário de Defesa, Pete Hegseth, tenha declarado um custo de 29 bilhões de dólares, analistas citados no programa apontam que o valor real pode atingir 1 trilhão de dólares.

Victor Assis argumentou que a cifra oficial é “bastante subestimada”, lembrando que apenas um ataque em base no Catar gerou prejuízos de mais de um bilhão de dólares.

Na questão marítima, o Irã anunciou a abertura do Estreito de Ormuz especificamente para navios chineses. Pedro Burlamaqui relatou que cerca de 30 embarcações cruzaram o estreito desde a última quarta-feira (13), operando sob um arranjo especial de cooperação e pagamentos que podem envolver a moeda chinesa.

Victor Assis classificou a situação como “humilhante” para os Estados Unidos, que tentam coagir o Irã via ONU sem sucesso.

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