Durante o ato nacional de 1º de Maio convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO), em São Paulo, o Diário Causa Operária (DCO) conversou com Luan Monteiro, pré-candidato do partido ao governo do estado do Rio de Janeiro. Na entrevista, Monteiro explicou os motivos da pré-candidatura, defendeu a reconstrução da indústria nacional e apresentou a posição do partido contra as chacinas policiais no estado.
Segundo o pré-candidato, o lançamento de uma candidatura própria do PCO no Rio de Janeiro tem como objetivo apresentar uma alternativa ligada diretamente à luta dos trabalhadores. Para ele, não basta apoiar qualquer candidatura que se apresente como “de esquerda”. É necessário que a campanha esteja vinculada à militância e ao movimento operário.
“Lançar uma candidatura que seja de fato ligada à luta dos trabalhadores, pessoas que sejam da luta, da militância, e que tenham de fato algum vínculo com a luta do movimento operário”, afirmou Monteiro.
O dirigente destacou que o PCO tem como tradição lançar militantes do próprio partido ou pessoas ligadas às lutas populares. No caso do Rio de Janeiro, segundo ele, essa política ganha ainda mais importância diante da postura defensiva adotada por setores da esquerda.
“Há um setor grande da esquerda que está apoiando a candidatura do Eduardo Paes. Então acaba sendo uma necessidade que tenha pelo menos uma candidatura verdadeiramente de esquerda, que seja uma atitude mais voltada para a militância, com um programa concreto para a classe operária”, disse.
Monteiro afirmou que a participação do PCO nas eleições tem como eixo a defesa do programa do partido e das reivindicações fundamentais dos trabalhadores. Ele também ressaltou que a campanha deverá levantar temas centrais da política nacional e internacional, como a defesa dos povos oprimidos e da Palestina.
“O nosso objetivo na eleição, como de costume, é apresentar o programa do partido, colocar as reivindicações essenciais dos trabalhadores, defender a luta dos povos oprimidos, defender a Palestina, colocar as questões que estão em evidência na política”, declarou.
O pré-candidato também denunciou o caráter antidemocrático do processo eleitoral. Segundo ele, as eleições são marcadas por obstáculos impostos às candidaturas operárias e independentes da burguesia.
“A gente sabe inclusive que a eleição é um jogo de cartas marcadas, no qual a nossa participação é muito boicotada, mas a gente acha importante ir lá para poder fazer a propaganda do nosso programa e mostrar que existe de fato uma candidatura que seja para os trabalhadores”, afirmou.
Questionado sobre a destruição econômica do Rio de Janeiro, em especial após a operação Lava Jato, Monteiro defendeu um programa de reconstrução da indústria nacional. Para ele, essa política passa pela reestatização integral das empresas estratégicas, em particular a Petrobrás e a Eletrobrás.
“Nós defendemos historicamente o desenvolvimento industrial do país de uma maneira geral. A gente acha importante colocar como uma questão primordial a defesa da reestatização total da Petrobras, a reestatização da Eletrobras, todas as empresas estratégicas e fazer de fato um programa para que se coloque em perspectiva o desenvolvimento”, explicou.
Monteiro afirmou que o Rio de Janeiro foi um dos estados mais atingidos pela destruição da indústria. Segundo ele, fábricas foram fechadas e a economia fluminense passou a depender cada vez mais do turismo e de setores controlados pela iniciativa privada.
“O Rio de Janeiro é uma das cidades que foi mais destruída ao longo dos últimos anos. Acabaram com a indústria, com as fábricas. Então, a própria economia da cidade hoje está muito voltada para o turismo, para outros setores ligados à iniciativa privada”, disse.
Para o pré-candidato, a riqueza petrolífera do estado deveria ser utilizada em benefício da população fluminense. No entanto, segundo ele, a Petrobrás vem sendo atacada e saqueada pelo imperialismo e pelo capital financeiro.
“O Rio é um dos lugares que tem uma quantidade de petróleo muito grande. É um negócio muito pouco utilizado para o benefício do povo fluminense”, afirmou. Em seguida, completou: “As ações da Petrobras estão sendo sempre fisgadas pelo imperialismo, pelos tubarões do capital financeiro norte-americano. Então a gente precisa defender a nossa indústria nacional”.
Na parte final da entrevista, Monteiro abordou a violência policial no Rio de Janeiro. Ao ser perguntado sobre como o PCO poderia ajudar a parar as chacinas cometidas pelas forças de repressão, o pré-candidato foi direto: o ponto central, para o partido, é o fim da Polícia Militar.
“A gente é muito claro: primeiro de tudo, temos que ter como ponto fundamental o fim da Polícia Militar”, declarou.
Segundo Monteiro, a PM não cumpre uma função de segurança pública para a população trabalhadora. Ao contrário, atua como instrumento de repressão do Estado contra os pobres e os trabalhadores.
“É um aparato que só serve para reprimir o povo trabalhador, não cumpre nenhuma tarefa de segurança pública”, afirmou.
O pré-candidato criticou ainda os setores da esquerda que, segundo ele, adotam a mesma política da direita ao defender mais investimento em polícia em nome da chamada segurança pública. Para Monteiro, essa posição é uma demagogia eleitoral que não resolve os problemas enfrentados pela população.
“A esquerda que entra nessa loucura do que a direita propaga, de ter pauta de segurança pública, isso aí é tudo demagogia eleitoral. O pessoal faz para tentar tranquilizar o trabalhador que de fato sofre com alguns problemas”, disse.
Para o dirigente, a saída não está em fortalecer a polícia, mas em organizar os próprios trabalhadores para sua defesa. Ele defendeu que a população dos bairros operários se organize contra a violência do Estado e contra as agressões que sofre cotidianamente.
“A nossa política não tem que ser de investir em polícia, nada disso. A gente tem que defender concretamente o fim da Polícia Militar”, afirmou. “O ponto elementar é que os trabalhadores se organizem para fazer autodefesa nos seus bairros.”
Monteiro também criticou a Guarda Municipal, afirmando que ela tampouco cumpre uma função progressiva para a população. Para ele, as forças repressivas servem como braço armado do Estado contra os trabalhadores.
“A Polícia Militar não está ali para servir de forma alguma aos trabalhadores. Não cumpre nenhuma tarefa a não ser servir como um braço armado do Estado para atacar e destruir a população”, declarou.
Ao lembrar as chacinas realizadas no Rio de Janeiro, o pré-candidato afirmou que esse tipo de operação não combate o crime organizado nem resolve o problema das drogas. Segundo ele, serve apenas para espalhar medo entre os trabalhadores.
“Esse tipo de operação que acontece com muita frequência no Rio de Janeiro não serve para trazer segurança pública, não serve para combater o crime organizado, não serve para acabar com o problema das drogas de forma alguma. Serve só para reprimir os trabalhadores e tacar medo na população”, afirmou.
Monteiro concluiu defendendo que, para garantir algum tipo real de segurança para a população, é preciso enfrentar as instituições repressivas responsáveis pelas chacinas.
“Se a gente quer algum tipo de segurança, primeiro a gente tem que tirar a arma desse pessoal e acabar com essa instituição que é uma das maiores criminosas do país”, concluiu.





