Pré-candidato a presidente

Rui Pimenta: ‘não existe gênero’

Durante o programa Análise Política da 3ª, da Rádio Causa Operária, Rui Costa Pimenta afirmou que a chamada ideologia de gênero não se sustenta na prática

Em fala durante o programa Análise Política da 3ª, transmitido pela Rádio Causa Operária, Rui Costa Pimenta, pré-candidato à presidência da República pelo Partido da Causa Operária (PCO), criticou duramente a chamada “ideologia de gênero”. Para ele, a ideia de que existiria algo chamado “gênero”, separado da realidade biológica, seria uma construção abstrata, sem base concreta e incapaz de se sustentar diante dos problemas reais colocados pela vida social.

Segundo Pimenta, o ponto central da discussão não está nas formulações teóricas em si, mas em sua aplicação prática. Ele afirmou que o problema da ideologia de gênero é justamente o fato de ela entrar em choque com situações concretas, como a polêmica em torno do uso de banheiros e a própria definição de mulher. Para ele, é possível “discutir até o mundo acabar” no terreno das ideias, mas a questão muda de figura quando a teoria se transforma em regra social.

“O problema de todas essas coisas é a prática”, afirmou Pimenta. “Quando você chega num ponto que tem a crise do banheiro e também você tem a situação em que você não pode dizer o que é uma mulher porque isso contraria a ideologia de que a mulher trans é uma mulher igual às outras mulheres, aí você vê que, na prática, a coisa não funciona.”

O presidente nacional do PCO caracterizou a “ideologia de gênero” como uma formulação criada para justificar uma determinada situação, mas que não encontraria correspondência na realidade. “É uma ideologia, é uma ideia que o pessoal desenvolveu para justificar uma situação, mas ela, na prática, não funciona. Essa que é a grande realidade”, disse.

Ele também rejeitou a ideia de que a resistência a esse tipo de concepção seja um fenômeno exclusivamente de direita. Segundo ele, a oposição à ~ideologia de gênero~ é muito mais ampla e atravessa diferentes setores da sociedade, inclusive pessoas de esquerda.

“A resistência social é muito grande a isso”, afirmou. “Eu não sei se o pessoal já percebeu, mas a resistência é generalizada, não é só a direita. Tem um monte de gente que não concorda e é de esquerda.”

Rui Pimenta explicou que, em sua avaliação, a base dessa concepção estaria ligada a correntes filosóficas que teriam levado ao extremo a ideia de que tudo aquilo que as pessoas pensam sobre si mesmas seria uma imposição social artificial. Ele citou Michel Foucault como uma referência importante dessa doutrina.

“Alguns filósofos começaram com a ideia de que tudo o que as pessoas pensam é uma imposição social artificial. Essa teoria vem do Foucault, principalmente”, afirmou. Ele reconheceu que, em uma sociedade de classes, parte da ideologia reflete os interesses e as opiniões dos setores dominantes. No entanto, segundo ele, uma ideologia só consegue se impor quando encontra algum apoio na realidade concreta.

“Como a sociedade é uma sociedade de classes, tem oprimidos e opressores, uma parte da ideologia logicamente reflete a opinião dos opressores”, disse. “Mas você não pode refletir uma opinião se ela não estiver baseada na realidade, porque isso aí seria contrariar muito as tendências do ser humano normal.”

A partir dessa crítica, o pré-candidato refutou a ideia de que ser homem ou mulher seria apenas um papel social. Para ele, a “ideologia de gênero” substitui a realidade por uma noção subjetiva e contraditória. “Aí inventaram que ser homem ou ser mulher é um papel social, não é uma realidade”, afirmou.

Ele levantou ainda uma contradição que aparece dentro do próprio raciocínio defendido pelos ideólogos do gênero. Se tudo é imposição social, perguntou Pimenta, por que apenas a identificação com o sexo biológico seria considerada uma imposição, enquanto a identificação contrária não seria?

“Se você for transexual, isso aí também não é uma imposição social?”, questionou. “Porque só seria imposição social você ser um homem biológico e acreditar que você é um homem biológico. Mas você ser um homem biológico e acreditar que você é uma mulher não seria imposição social? Seria uma espécie de contrariedade da imposição social. Não faz nenhum sentido isso.”

Questionado se um marxista poderia concordar com uma teoria desse tipo, Rui Pimenta respondeu: “não, não faz sentido”. Ele explicou que uma das premissas fundamentais do marxismo seria analisar a realidade objetiva, e não simplesmente aquilo que a pessoa pensa sobre si mesma. “Uma das premissas fundamentais do marxismo é que você não deve levar em consideração o que a pessoa pensa que é. Você deve levar em consideração o que a pessoa é de fato”, afirmou.

Rui citou como exemplo a discussão em torno da expressão “mulher biológica”. Para ele, negar a existência da mulher biológica seria uma forma extrema de contrariar a realidade.

“Mulher biológica, na verdade, é até um pleonasmo. A mulher biológica é a mulher. Como é que não existe? O que significa isso exatamente? O que eles querem dizer com isso? É contrariar muito a realidade.”

O dirigente também afirmou que a “ideologia de gênero” produziria uma distorção sobre a dimensão real do fenômeno transexual. Segundo ele, a população transexual constitui uma parcela muito pequena da sociedade, mas o discurso identitário procuraria apresentá-la como se fosse uma situação numericamente ampla.

“O mais curioso de tudo é o seguinte: se você pudesse fazer uma estatística, você ia verificar que 99, alguma coisa por cento das mulheres são biológicas, são mulheres, não são transexuais”, afirmou. “O transexual é a minoria da minoria. Criaram aí a fantasia de que seria um estado que atinge um número muito grande de pessoas. É falso isso.”

Ao final da discussão, Rui Pimenta foi perguntado se sua crítica implicaria defender discriminação ou perseguição contra pessoas transexuais. Ele rejeitou essa interpretação de maneira direta. “Não. Lógico que não”, respondeu. Para ele, a sociedade deve ser tolerante e aceitar as diferenças individuais. O problema, segundo ele, começa quando a tolerância é substituída por uma tentativa de imposição ideológica sobre o conjunto da população.

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