São Paulo

Militante do PCO denuncia perseguição a palestinos no Brasil

De acordo com seu depoimento, o PCO, junto com um militante do PT, atuou para ajudar na retirada de um palestino que teria permanecido 41 dias preso e submetido a maus-tratos

Maria Ângela, militante do PCO, denunciou a prisão e os maus-tratos contra palestinos no Brasil, em palestra na FESPSP, na segunda-feira (11), durante a última intervenção do debate. A fala ocorreu por volta das 21 horas, ao final da atividade “A IA Recrutada na Guerra: Tecnologia, Fronteiras e Conflitos Mundiais em 2026”, de Jamil Chade, depois de uma discussão sobre a discriminação contra estrangeiros e imigrantes que chegam ao País. A militante afirmou que palestinos que procuram refúgio ou entrada no Brasil vêm sendo barrados, presos em aeroportos e submetidos a tratamento abusivo, principalmente em Guarulhos.

A intervenção de Maria Ângela colocou no centro do debate uma questão que não havia sido abordada diretamente durante a palestra: a situação dos palestinos e de outros povos islâmicos diante das autoridades brasileiras. Ao receber o microfone para fazer uma pergunta, a militante se apresentou como integrante do Partido da Causa Operária e relatou que o partido acompanha casos de estrangeiros impedidos de ingressar no Brasil. Segundo ela, palestinos que tentam entrar no País “não conseguem entrar”, são “presos nos aeroportos” e “maltratados pela Polícia Federal”.

A militante citou, em particular, o aeroporto de Guarulhos, principal porta de entrada internacional do Brasil. De acordo com seu depoimento, o PCO, junto com um militante do PT, atuou para ajudar na retirada de um palestino que teria permanecido 41 dias preso e submetido a maus-tratos. O relato foi apresentado como exemplo de uma política de perseguição que, segundo a militante, não estaria restrita aos palestinos. Maria Ângela também mencionou casos de egípcios detidos em aeroportos brasileiros e afirmou que mulheres também sofrem abusos nessas situações.

A pergunta feita por Maria Ângela buscou saber se os participantes da mesa tinham conhecimento desses casos e como avaliavam a situação dos povos islâmicos que, nas palavras da militante, lutam contra o imperialismo e o sionismo. A fala não recebeu resposta dos palestrantes, mesmo tendo sido a última intervenção da noite. Esse silêncio deixou sem esclarecimento uma denúncia grave, que envolve tratamento de estrangeiros, direito de entrada, acolhimento humanitário e atuação das forças de segurança em território brasileiro.

A presença do PCO na atividade não se limitou à intervenção oral. Quatro militantes participaram da palestra e distribuíram materiais políticos ao público. Entre eles estava a Gazeta Causa Operária, publicação impressa gratuita lançada pelo partido em 2026. O jornal foi apresentado pelo PCO como uma publicação quinzenal voltada a levar aos trabalhadores notícias e análises sobre acontecimentos nacionais e internacionais, com distribuição em ruas, fábricas, universidades, terminais de ônibus e praças públicas.

Além da distribuição gratuita da Gazeta, os militantes também venderam o Jornal Causa Operária e a revista Dossiê Causa Operária. A iniciativa reforçou a atuação do partido em espaços de debate político e acadêmico, levando ao público sua imprensa partidária e suas denúncias sobre temas internacionais. No caso da intervenção de Maria Ângela, o eixo central foi a contradição entre o discurso de acolhimento a estrangeiros e a denúncia de que palestinos e outros povos islâmicos estariam sendo tratados como suspeitos ao chegar ao Brasil.

A denúncia ganha importância em meio ao aumento da perseguição internacional contra palestinos desde o avanço da ofensiva sionista no Oriente Médio. Ao trazer o tema para uma palestra sobre tecnologia, fronteiras e conflitos mundiais, a militante deslocou a discussão para a experiência concreta de pessoas que tentam buscar entrada em outro país e acabam, segundo o relato, tratadas como criminosas. A falta de resposta à pergunta não encerra o problema; ao contrário, expõe a necessidade de investigar o que ocorre nos aeroportos brasileiros, especialmente em Guarulhos, e de defender o direito dos povos perseguidos de não serem submetidos a prisões arbitrárias e maus-tratos.

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