Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, publicada em 6 de maio de 2026, Floriano de Azevedo Marques Neto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reuniu-se com o advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, defensor de Daniel Vorcaro no caso Banco Master, em um hotel de Brasília um dia depois de a defesa de Vorcaro entregar aos investigadores os anexos da proposta de delação premiada. A Revista Oeste, em texto publicado em 7 de maio de 2026, também noticiou o encontro e destacou que o ministro e o advogado teriam deixado o local separadamente e em horários distintos.
Floriano Marques é apresentado pelo próprio Estadão como um dos principais aliados do ministro Alexandre de Moraes no Judiciário. Segundo o jornal, ele chegou ao TSE em 2023 por indicação de Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O advogado José Luís Oliveira Lima, por sua vez, defende Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, em investigação que envolve suspeitas de fraudes bilionárias. A proposta de colaboração premiada de Vorcaro, segundo as duas reportagens, foi entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) com anexos que indicam episódios investigados, pessoas envolvidas e possíveis elementos de prova.
Floriano Marques confirmou o encontro ao Estadão, mas negou ter tratado do conteúdo da colaboração. Segundo ele, a conversa teria ocorrido entre amigos de longa data.
“Eu realmente confesso a você que não perguntei nada sobre isso. Eu confesso a você que fui conversar com um amigo”, afirmou o ministro, conforme publicado pelo Estadão e reproduzido pela Oeste.
Ainda segundo Floriano, Juca teria comentado que havia entregado a proposta de delação no dia anterior. O ministro disse que respondeu apenas: “puxa vida, que coisa”.
Juca também minimizou o caso. De acordo com a Revista Oeste, o advogado disse que a conversa aconteceu depois de ele deixar a academia do hotel, durou menos de cinco minutos e que seria uma “leviandade” insinuar que os dois discutiram a delação.
O ponto central do episódio é a relação do caso Master com Alexandre de Moraes. Segundo o Estadão, há expectativa de que Vorcaro forneça detalhes à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República sobre suas relações com ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Moraes.
O jornal informa que Vorcaro mantinha contatos frequentes com o ministro e contratou sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Viviane teria recebido R$80 milhões do Banco Master por 22 meses de contrato, o equivalente a mais de R$3,6 milhões por mês, conforme admitido por ela mesma.
Os valores pagos pelo banco seriam incompatíveis com os valores de mercado para os mesmos serviços e dados da Receita Federal demonstram que o montante pago ao escritório da esposa de Moraes era dez vezes maior do que o recebido por outros escritórios que atuaram em defesa do Master.





