A vereadora Cris Monteiro (NOVO-SP) publicou em suas redes sociais uma peça publicitária contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República. No vídeo, a parlamentar afirma que Pimenta teria dito que “o Holocausto é uma farsa”.
A acusação não corresponde ao que foi dito. Rui Pimenta afirmou que o assassinato de judeus nos campos de concentração aconteceu. A crítica feita por ele foi outra: o uso político do Holocausto pelo sionismo para encobrir os crimes cometidos pelo Estado de “Israel” contra o povo palestino.
Logo no início do vídeo, Cris Monteiro declara:
“Esse é o Rui Pimenta, presidente do PCO, e ele afirmou de forma repugnante que o Holocausto é uma farsa que serve para ocultar os crimes do sionismo.”
A fala corta o ponto central da declaração de Pimenta. O dirigente do PCO disse:
“Não que o Holocausto tenha sido uma farsa, que os judeus tenham sido mortos nos campos de concentração. Isso realmente aconteceu. Mas a divulgação desse fato é uma farsa.”
Ou seja, Pimenta não negou o Holocausto. Ele afirmou expressamente que o massacre ocorreu. O que ele chamou de farsa foi a utilização política desse fato histórico por setores sionistas.
Depois da fala inicial de Cris Monteiro, o vídeo coloca um narrador para afirmar:
“Essa atitude repugnante de um líder partidário de extrema esquerda não é por acaso. O negacionismo do Holocausto é uma das ferramentas mais antigas e mais perversas de antissemitismo.”
A frase atribui a Rui Pimenta uma posição que ele não defendeu. O pré-candidato afirmou que os judeus foram assassinados nos campos de concentração. Portanto, a acusação de “negacionismo” não nasce da fala completa, mas de uma edição política do seu conteúdo.
O que Cris Monteiro propositalmente omite é a diferença entre judeus e sionismo. O sionismo é uma ideologia política ligada à criação e à defesa do Estado de “Israel”. Os judeus são um povo e uma comunidade religiosa e cultural espalhada por vários países.
Cris Monteiro apaga essa diferença. No vídeo, a crítica ao sionismo aparece como ataque aos judeus. Esse é o mesmo método usado por setores pró-“Israel” para tentar tornar crime qualquer denúncia contra a ocupação da Palestina.
Pimenta criticou o Estado de “Israel” e a política sionista. Cris Monteiro apresentou essa crítica como se fosse antissemitismo.
Em outro trecho, Cris Monteiro afirma:
“É uma tentativa de apagar fatos históricos amplamente documentados, relativizar a barbaridade nazista, diminuir o sofrimento das vítimas e transformar uma tragédia humana em objeto de manipulação ideológica.”
A acusação inverte o conteúdo da fala original. Rui Pimenta não apagou o fato histórico. Ele disse que o massacre aconteceu. Também não relativizou a barbárie nazista. O tema da sua fala era o uso político do Holocausto pelo sionismo.
O próprio vídeo de Cris Monteiro faz o que acusa Pimenta de fazer. Usa uma tragédia histórica real para atacar um adversário político e para blindar o Estado de “Israel” de críticas.
Depois de acusar Pimenta de negar o Holocausto, Cris passa a falar dos crimes do nazismo. Ela afirma:
“Entre 1933 e 1945, o regime nazista de Adolf Hitler promoveu a perseguição sistemática e o extermínio dos judeus na Europa.”
E acrescenta:
“Cerca de seis milhões de judeus foram assassinados em guetos, campos de concentração e câmaras de gás, homens, mulheres, crianças. Crianças foram mortas apenas por existirem, por serem judeus.”
Essas informações não respondem à fala de Rui Pimenta, porque ele não negou o massacre. A função desse trecho é emocional. O vídeo usa o horror do nazismo para fazer o público aceitar a acusação anterior sem verificar a fala completa.
A peça de Cris Monteiro fala do sofrimento do povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial, mas não fala do massacre atual contra os palestinos. Fala de crianças judias assassinadas pelo nazismo, mas não menciona as crianças palestinas mortas por bombardeios israelenses.
Essa omissão é parte do problema denunciado por Rui Pimenta. A memória do Holocausto é usada por setores sionistas como escudo político. Quando alguém denuncia “Israel”, esses setores respondem com a acusação de antissemitismo.
A questão, portanto, não é a existência do Holocausto. A questão é o uso dessa tragédia para impedir a crítica ao Estado de “Israel”.
Mais adiante, a vereadora afirma:
“Vale lembrar que o mesmo Rui Pimenta que agora banaliza o Holocausto foi o idealizador da comemoração dos dois anos dos ataques terroristas do Hamas.”
Com essa frase, Cris Monteiro revela o alvo real da campanha. O vídeo não trata apenas da fala sobre o Holocausto. Ele busca atacar o PCO por sua defesa da Palestina e por sua posição contra “Israel”.
A menção ao Hamas serve para reforçar a tese de que toda defesa da resistência palestina seria “terrorismo”. É o mesmo método usado contra movimentos, partidos, jornalistas e ativistas que denunciam o massacre em Gaza.
Cris Monteiro também afirma:
“Aquele evento que foi nefasto em celebração à brutalidade contra inocentes, que a gente inclusive denunciou no Ministério Público.”
A fala mostra que a campanha não se limita ao debate público. A vereadora se orgulha de ter acionado o Ministério Público contra uma posição política do PCO.
Esse é o ponto mais grave da peça. No lugar de responder politicamente ao PCO, Cris Monteiro defende a intervenção do aparato estatal. No lugar do debate, a denúncia. No lugar da liberdade de expressão, a pressão judicial. O caso mostra, portanto, a farsa do Partido Novo, que se apresenta como defensor da liberdade de expressão, mas que não passa de mais um partido do regime.





