Política internacional

Chanceler do Irã vai à Índia para participar de reunião dos BRICS

O encontro ocorrerá na quinta e sexta-feira (14 e 15), sob presidência indiana, com debates sobre estabilidade regional, cooperação multilateral e resistência econômica

A Chancelaria do Irã anunciou a viagem do ministro das Relações Exteriores, Seyed Abás Araqchi, a Nova Délhi, na terça-feira (12), para participar da reunião de ministros dos países do Brics. A ida foi confirmada pelo porta-voz Esmail Baqai e reforça a articulação entre os países em organismos multilaterais. O encontro ocorrerá na quinta e sexta-feira (14 e 15), sob presidência indiana, com debates sobre estabilidade regional, cooperação multilateral e resistência econômica.

Baqai afirmou que Araqchi viajará à capital indiana para representar o Irã na reunião ministerial do Brics. A presença iraniana no encontro expressa a prioridade dada por Teerã ao grupo em um momento de pressões externas, disputas energéticas e tensões militares na região. O porta-voz destacou que Irã e Índia mantêm bom nível de cooperação e coordenação, tanto no Brics quanto na Organização de Cooperação de Xangai, dois espaços nos quais os dois países buscam ampliar sua margem de decisão diante das pressões dos Estados Unidos.

A reunião em Nova Délhi deve servir também para contatos bilaterais. Segundo Baqai, Araqchi manterá conversas e trocará opiniões com o chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, além de outros ministros e autoridades presentes. A diplomacia iraniana vê o encontro como uma oportunidade para consolidar canais políticos em um bloco que reúne países com peso econômico, energético e diplomático crescente.

O eixo anunciado para a reunião ministerial abrange estabilidade regional, cooperação multilateral e resistência econômica. Esses temas se conectam diretamente às preocupações atuais do Irã, que enfrenta bloqueios, ameaças militares e tentativas de isolamento promovidas por Washington. Ao deslocar seu chanceler para a Índia, Teerã busca reforçar o Brics como espaço de coordenação política e de defesa de interesses comuns entre países pressionados por sanções, chantagens comerciais e imposições unilaterais.

A relação com a Índia tem peso especial nesse movimento. Nova Délhi é apresentada por Baqai como parceira de cooperação em duas estruturas estratégicas, o Brics e a Organização de Cooperação de Xangai. A dupla participação permite que Irã e Índia tratem de comércio, segurança, energia e coordenação diplomática em foros que não dependem da tutela dos Estados Unidos. Para Teerã, a presença no encontro ministerial amplia a capacidade de dialogar com governos que também defendem maior autonomia nas decisões internacionais.

A viagem ocorre em meio à tensão gerada pela guerra lançada contra o Irã pelos Estados Unidos e por “Israel”, conforme denunciado por Teerã. Baqai afirmou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para qualquer cenário e advertiu que qualquer tentativa de invasão terrestre provocaria danos graves ao agressor. A mesma linha de advertência foi estendida a violações do espaço aéreo e das águas territoriais iranianas, que, segundo as autoridades do país, receberão resposta contundente.

O porta-voz também situou a diplomacia iraniana no contexto do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, em vigor desde o início de abril, enquanto o bloqueio naval dos Estados Unidos contra portos iranianos permanece em curso. Nesse cenário, a ida de Araqchi à reunião do Brics reforça a tentativa de Teerã de combinar defesa militar, denúncia política e articulação internacional. A presença do chanceler em Nova Délhi, portanto, não se limita à participação protocolar: ela integra uma estratégia mais ampla de ampliar alianças, preservar canais econômicos e enfrentar a pressão imperialista em organismos de peso crescente.

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