Ednelson Cesaretti

Professor de Educação Física na rede municipal de São Paulo. Pós graduado em Educação Física Escolar, licenciado em História. Militante da Corrente Educadores em Luta/PCO

Coluna

Neymar revive Pelé

Que venha a convocação e que a vontade do povo seja respeitada, Neymar na Copa!

Um capítulo marcante para o futebol ocorreu no último dia 28 de abril. Novamente um grande ídolo brasileiro do futebol é celebrado com tamanha reverência por povos estrangeiros.

Desta vez, isto coube à Neymar, na Argentina. Diga-se de passagem, território de uma rivalidade histórica, que evoca diretamente os tempos em que Pelé parava estádios pelo mundo.

A comparação com Pelé não é nenhum exagero: é raro um jogador brasileiro, vestindo a camisa de um clube nacional, ser o centro das atenções de forma tão positiva na Argentina (ao contrário do que tem ocorrido no Brasil).

Esse episódio simbolizou um momento de “trégua” e reconhecimento técnico puro, em que o talento do craque superou as cores das bandeiras.

A recepção a Neymar parou Buenos Aires, com milhares de torcedores demonstrando grande empolgação por sua visita.

Ao treinar nas instalações do Boca Juniors, o craque foi recebido com festa e entusiasmo por milhares de jovens torcedores argentinos. Esse clima de reverência deu o tom para o que aconteceria no estádio, onde o jogador foi tratado como uma das maiores personalidades no país de Los Hermanos.

O jogo válido pela Copa Sul-Americana ocorreu no Estádio do San Lorenzo, em Buenos Aires.

Uma das cenas que viralizou mundo afora foi a de um menino argentino que entrou em campo com Neymar. O garoto não conteve o choro ao lado do ídolo, sendo prontamente acolhido pelo craque com um abraço e palavras de carinho.

Além de alguns lances de genialidade, Neymar teve participação direta no gol de empate do Santos.

Antes, durante e após a partida, os torcedores do San Lorenzo deixaram a rivalidade de lado para aplaudir o camisa 10 santista. Neymar comentou em vídeo após o jogo que “nunca havia vivido algo assim fora do Brasil”, destacando que a torcida cantou o tempo todo e o tratou com uma honra inesperada.

Ao final do jogo, foi a vez dos próprios jogadores do San Lorenzo reverenciarem Neymar e pedir-lhe sua camisa e chuteira.

O jogo serve como uma clara denúncia inclusive da perseguição a Neymar no Brasil. Onde a imprensa brasileira orquestrada pelo imperialismo e balizada pelo identitarismo, não pode chegar, é a vontade do povo que se impõe.

Neymar é o maior representante desta cultura popular nacional. A “campanha” contra o craque no Brasil se dá pela grande imprensa, em especial, a Rede Globo, que atua como porta-voz de interesses estrangeiros.

Mas até mesmo o povo brasileiro há tempos vem percebendo estes ataques e repudiando esta perseguição.

Que venha a convocação e que a vontade do povo seja respeitada, Neymar na Copa!

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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