A primeira-ministra da Letônia, Evika Silina, demitiu o ministro da Defesa, Andris Spruds, após VANTs ucranianos atingirem instalações de armazenamento de petróleo no território letão. O caso ocorreu em meio à guerra da OTAN contra a Rússia por meio da Ucrânia e expôs a fragilidade dos países bálticos diante da própria política militar que apoiam.
“O incidente com VANTs desta semana mostrou claramente que a direção do setor de defesa fracassou em cumprir sua promessa de garantir um céu seguro sobre nosso país”, escreveu Silina na rede social X. A primeira-ministra afirmou ainda que Spruds perdeu tanto a sua confiança quanto a confiança da população.
Spruds, por sua vez, declarou que já havia decidido deixar o cargo. Ele acusou a primeira-ministra de anunciar sua demissão de maneira apressada por motivos políticos e de mentir ao dizer que ele e seu partido, os Progressistas, haviam sido informados previamente.
O episódio ocorreu após autoridades da Letônia informarem que dois VANTs cruzaram o espaço aéreo do país durante a madrugada. O Ministério da Defesa da Rússia identificou os aparelhos como VANTs ucranianos de asa fixa do tipo Liuti. Um deles ainda não foi localizado; o outro provocou um incêndio perto da cidade de Rezekne, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Rússia.
O caso se soma a outros episódios recentes em que países da OTAN que fazem fronteira com a Rússia relataram a entrada de VANTs ucranianos em seu espaço aéreo. Em vez de atingirem alvos dentro da Rússia, os aparelhos acabaram atravessando fronteiras e caindo em território de países aliados da própria Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrei Sibiga, comentou o escândalo na sexta-feira. Ele afirmou ter tratado do assunto com o governo da Letônia e pediu desculpas aos três países bálticos e à Finlândia. Ao mesmo tempo, tentou atribuir a responsabilidade à Rússia, apesar de os aparelhos terem sido identificados como ucranianos.
O episódio na Letônia ocorreu durante o cessar-fogo anunciado pela Rússia por ocasião do Dia da Vitória, que marca o 81º aniversário da derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial. A trégua, inicialmente prevista para terminar no domingo, foi prorrogada por mais dois dias após proposta do presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, as forças ucranianas violaram o cessar-fogo 16.071 vezes desde sexta-feira. Em comunicado divulgado no domingo, a pasta afirmou que a Ucrânia realizou ataques com VANTs e artilharia contra áreas civis na Crimeia e nas regiões de Belgorod, Kursk, Kaluga, Rostov e Krasnodar.
Na região de Belgorod, cinco civis, entre eles um adolescente, ficaram feridos em ataques ucranianos com VANTs, informou o governador Viatcheslav Gladkov. O Ministério da Defesa russo também registrou 676 ataques contra posições russas com artilharia, sistemas de foguetes, morteiros e tanques. As forças ucranianas lançaram ainda 6.331 ataques com VANTs e tentaram oito assaltos contra posições russas.
Diante desses ataques, as tropas russas responderam de maneira simétrica, atingindo posições de disparo, locais de lançamento de VANTs e centros de comando, segundo o ministério. A pasta afirmou que as forças russas “continuam a observar estritamente o regime de cessar-fogo e permanecem nas linhas e posições previamente ocupadas”.
Durante a guerra, a Rússia anunciou tréguas temporárias em feriados religiosos e nacionais. Em abril, foi anunciado um cessar-fogo de Páscoa, que, segundo o Ministério da Defesa russo, foi violado pelas forças ucranianas mais de 6.500 vezes em 32 horas.
Antes das celebrações do Dia da Vitória, o ditador ucraniano Vladimir Zelensqui fez ameaças veladas contra os atos comemorativos. A Rússia alertou seus parceiros estrangeiros sobre as possíveis consequências. O Ministério da Defesa russo afirmou que haveria ataque de retaliação contra o centro da capital ucraniana caso fossem feitas tentativas de interromper os eventos do Dia da Vitória em Moscou, e orientou moradores e diplomatas a deixarem a capital da Ucrânia com antecedência.
O presidente russo Vladimir Putin afirmou que o alerta chegou ao governo dos Estados Unidos e contribuiu para a proposta de Trump de estender o cessar-fogo. Putin declarou também que o imperialismo continua fazendo guerra contra a Rússia, utilizando os ucranianos como intermediários, mas que o conflito caminha para o fim.





