Nessa quinta-feira (7), a major Adriana Kutwak, da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), apresentou representação ao Ministério Público Federal contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à presidência da República, por manifestações públicas de apoio ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), ao Partido de Deus (Hesbolá) e à resistência palestina em geral.
A iniciativa busca transformar em caso de polícia uma posição política: a defesa de organizações que enfrentam militarmente o Estado de “Israel”. A representação cita postagens e declarações do PCO, entre elas a palavra de ordem “1.000% com o Hamas” e a defesa do 7 de outubro de 2023 como um marco da luta palestina.
Kutwak é médica cardiologista, oficial da PMERJ e já foi candidata nas eleições do Rio de Janeiro. Em 2022, disputou uma vaga de deputada estadual pelo Agir. Em 2024, concorreu a vereadora pelo PSD.
O pedido afirma que o PCO teria ultrapassado os “limites” do debate político ao defender o Hamas e o Hesbolá. A major pede apuração por suposta apologia ao “terrorismo”, “discurso de ódio”, “intolerância religiosa” e “antissemitismo”.
O caso é tão grotesco que a própria Justiça brasileira já arquivou casos semelhantes. Em processo contra o militante Ieri de Souza Braga Júnior, do PCO, acusado por usar uma camiseta do Hamas na Câmara dos Deputados, o Ministério Público do Distrito Federal entendeu que a manifestação não configurava crime. O parecer citado no material afirma que “a mera divulgação acintosa de apoio velado ou explícito” ao Hamas não caracteriza crime, pois o grupo não é oficialmente considerado terrorista pela República Federativa do Brasil nem pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Outro caso citado é o de João Jorge Pimenta, dirigente do PCO. Ele foi alvo de uma queixa-crime assinada por 27 deputados bolsonaristas depois de pedir, em ato na Avenida Paulista, uma salva de palmas ao Hamas, à Jiade Islâmica e aos grupos que lutam pela Palestina. Em outubro de 2025, a Justiça de São Paulo arquivou o inquérito, entendendo que não havia prova de materialidade nem indícios de dolo de estimular terceiros à prática de crime.
A representação de Kutwak se apoia na propaganda israelense inicial sobre o 7 de outubro, segundo a qual cerca de 1.200 pessoas teriam sido mortas e 251 levadas como reféns para Gaza. No entanto, a própria imprensa imperialista já denunciou a aplicação do chamado Protocolo Aníbal, política militar israelense que admite matar seus próprios civis para impedir que sejam feitos reféns, indicando que parte considerável das vítimas teriam sido mortas por “Israel”.
Enquanto isso, o aparato policial brasileiro, do qual a Polícia Militar é a principal face nas ruas, produz números muito maiores de mortos todos os anos. Segundo os dados reunidos no material, o Brasil registrou 6.393 mortes por intervenção policial em 2023 e 6.014 em 2024. No Rio de Janeiro, estado da major Kutwak, foram cerca de 869 a 871 mortes em 2023, 703 em 2024 e 797 em 2025.
Ou seja: em apenas dois anos com dados nacionais fechados, a polícia brasileira matou mais de 12 mil pessoas. No Rio de Janeiro, em três anos, foram cerca de 2.369 mortos por intervenção policial. A corporação que agora vê uma de suas oficiais denunciar o apoio político à resistência palestina como “terrorismo” integra um aparelho estatal responsável por centenas de mortes anuais apenas em um estado.
Desde 2023, o PCO, Rui Costa Pimenta e militantes do partido passaram a ser alvo de uma série de ações, representações e notícias-crime. Entre elas, aparecem iniciativas da Confederação Israelita do Brasil (Conib), de deputados bolsonaristas, de entidades sionistas e de figuras ligadas à defesa de “Israel”. Há mais de uma dezena de ações em curso ou apresentadas contra o partido e seus militantes.
As acusações giram em torno das mesmas ideias: apoio ao Hamas, defesa da resistência palestina, pedido pelo fim do Estado de “Israel” e crítica ao sionismo. Em outras palavras, tenta-se converter a denúncia política contra o Estado israelense em crime.
A representação da major Adriana Kutwak, portanto, se soma a uma campanha política já em curso desde 2023: a tentativa de usar o Ministério Público, a polícia e o Judiciário para perseguir a defesa da Palestina e intimidar setores que se opõem ao massacre promovido por “Israel”.
No mesmo dia em que a major protocolou a representação contra Rui Pimenta, dirigentes da Conib publicaram mensagens caluniosas, veiculadas pela TV Record, acusando o presidente do PCO de “antissemitismo” e de “negar o Holocausto”. Dias antes, o presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Zé Maria, foi condenado à prisão por defender uma “Palestina livre, do rio ao mar”.
Os casos mostram uma clara ofensiva do sionismo contra os críticos do regime nazista israelense. Este cerco nada mais é que a expressão da profunda crise em que o Estado de “Israel” se encontra, cada vez mais odiado pela opinião pública mundial.





