Resposta à Conib

Rui Pimenta: Holocausto não foi o maior crime da humanidade

Em seu programa semanal de análise política, pré-candidato à presidência da República do PCO rebateu as calúnias do lobby sionista

A reação do lobby sionista à crítica de Rui Costa Pimenta aos crimes de guerra praticados pelo Estado de “Israel” é o exemplo mais bem acabado da política vigente de cerceamento da liberdade de expressão. O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), que também é pré-candidato à presidência da República, havia denunciado na edição de 2 de maio do programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV, o uso político do holocausto judeu por parte dos sionistas. Em resposta, Fernando Lottenberg, ex-presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), e Cláudio Lottenberg, atual presidente da entidade, acusaram o dirigente trotskista de negar a existênca“antissemita”. As calúnias foram reproduzidas pela TV Record, que, por seu turno, se negou a ler a nota de resposta publicada por Rui Costa Pimenta.

Neste sábado (9), em nova edição da Análise Política da Semana, o pré-candidato a presidente pelo PCO comentou longamente o caso.

“Todo esse esforço para impedir a liberdade de expressão tem como objetivo proteger o sionismo e os patrocinadores do sionismo, ou seja, o imperialismo.”

Pimenta argumentou que “nós enviamos uma nota, entramos em contato com a TV Record, enviamos uma nota explicando o nosso ponto de vista e eles deram voz às posições do sionismo, mas não deram a nossa nota”, concluindo que se tratava de “uma campanha orquestrada de calúnia”.

O pré-candidato à presidência da República explicou que os sionistas, através de uma intensa propaganda, criaram um clima em que se falar qualquer coisa contra o Holocausto seria tabu.

“Eu queria dizer, primeiramente, o seguinte: que o nosso posicionamento é muito preciso nesse ponto. Nós somos favoráveis a que a pessoa fale o que ela tem na cabeça sobre qualquer assunto. Nós não vemos por que os crimes cometidos pelo nazismo não possam ser discutidos e até negados pelas pessoas que têm interesse em negá-los. É uma coisa absurda. É com esse tipo de dogma que vai se introduzindo a cassação do direito à liberdade de expressão.”

Rui Pimenta comparou a defesa ou negação do Holocausto com a apologia dos crimes norte-americanos em Hiroxima e Nagasáqui.

“Não há pessoas que justificam o fato de os Estados Unidos jogarem uma bomba em Hiroxima e outra em Nagasáqui, matando instantaneamente centenas de milhares de pessoas, incluindo aí crianças, velhos, mulheres, pessoas que não estavam na linha de combate? Se uma pessoa pode discutir esse assunto e justificar esse crime monstruoso, outras pessoas têm o direito de justificar outros crimes. E aí se debate, cada um põe a sua opinião.”

Para o presidente do PCO, a propaganda sionista foi introduzindo no debate político uma política repressiva parecida com os dogmas da Igreja Católica. 

“O dogma é aquela coisa, aquela opinião, aquela afirmação, aquela declaração que não pode ser questionada. Nenhuma pessoa com espírito minimamente democrático pode admitir que no debate histórico, científico, político, existam dogmas. Tudo o que existe pode ser questionado. Pode e deve ser questionado.”

Para o sionismo, debater o Holocausto é proibido. No entanto, o Holocausto, justamente por ser um fenômeno bastante grande e de grande relevância histórica, deveria ser profundamente discutido.

“Há muitas pessoas que acreditam que o Holocausto não existiu. Eu mesmo já encontrei várias pessoas que pensam isso. Outros pensam que o Holocausto existiu, mas não foi do tamanho que a propaganda, em geral, apresenta: seis milhões de pessoas. Já ouvi falar de pessoas que acreditam que, no máximo, teriam morrido 300 mil judeus. É uma discussão legítima. Qualquer um pode fazer essa discussão.”

O problema central, portanto, não é a opinião em si, mas sim o fato de que, para os sionistas, ninguém tem direito a ter uma opinião que não seja a mesma que apresentada pela propaganda oficial. Quem contestar o dogma, é automaticamente apresentado como maligno.

“A matéria da TV Record tem esse ar, mostra algumas cenas da Segunda Guerra Mundial, mostra lá um nazista, mostra lá o que seria talvez um campo de concentração para dar a ideia de que: ‘nossa, olha só, pessoa está negando o Holocausto’.”

Ironicamente, os crimes praticados pelo Estado de “Israel” na Faixa de Gaza não aparecem como algo nefasto. A grande imprensa brasileira — inclusive a TV Record — negam sistematicamente o banho de sangue que está sendo realizado na Palestina pelos sionistas. 

“Eles estão negando um fato, uma coisa que está acontecendo agora debaixo dos nossos olhos. Qual foi o órgão da imprensa brasileira que documentou e analisou o que aconteceu em Gaza? Nenhum.”

Os números da guerra em Gaza são monstruosos. Segundo as estatísticas mais conservadoras e reconhecidas por órgãos sob controle do imperialismo, como a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 30 mil crianças foram aniquiladas em pouco mais de dois anos de guerra.

“Agora, o Holocausto, que aconteceu há 80 anos, é meio que escolhido assim como o crime maior da história da humanidade. O que é mentira. Não foi o maior crime da história da humanidade. Na mesma época em que Hitler estava matando gente nos campos de concentração, ele atacou a antiga União Soviética e as estimativas mais conservadoras dão como tendo sido mortos cerca de 20 milhões de cidadãos soviéticos entre soldados e população civil. A maioria, logicamente, da população civil.”

A questão do Holocausto é usada para introduzir a negação do debate político em todos os lugares. Um intelectual judeu chamado Norman Finkelstein escreveu um livro muito conhecido que se chama A Indústria do Holocausto. Nesse livro, ele mostra como o sionismo tem explorado sistematicamente o fato do Holocausto para encobrir os crimes do Estado de “Israel”.

“O Holocausto é uma espécie de chantagem permanente contra todo mundo. Todo mundo teria que ficar aterrorizado, com medo de se referir ao Holocausto.”

Há um vídeo famoso em que o próprio Norman Finkelstein é confrontado por duas moças que o acusam de antissemitismo. O intelectual, por seu turno, falou que ele que os pais dele tinham estado em campos de concentração e que ele não admitia que a memória das pessoas que sofreram ali fosse usada para encobrir o crime contra outras pessoas.

Após explicar minuciosamente a crítica do PCO à propaganda sionista, Rui Pimenta comentou sobre o cerco do assédio ao lobby pró-”Israel” no Brasil.

“Nós vimos na semana passada que o presidente do PSTU [Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado] foi condenado a dois anos de prisão. (…) Uma coisa totalmente contrária à legislação brasileira, porque ela diz que você pode falar o que você quiser.”

Embora a Lei esteja ao lado do dirigente do PSTU, Pimenta explicou que não há mais liberdade de expressão no Brasil.

“Nós chegamos em um ponto no Brasil em que as pessoas têm medo de falar sobre diversos temas.”

O pré-candidato à presidência da República destacou outro exemplo de perseguição: o do influenciador digital Bruno Aiub “Monark”.

“Outra pessoa que parece ter caído na malha fina do sionismo é Monark. Ele tentou abrir um canal — falei disso semana passada — e o canal no YouTube dele foi encerrado. Mas não foi só isso: ele teve as suas contas encerradas em quase todas as redes sociais. Quer dizer, ele está proscrito. Tem lei? Não tem lei. Ele fez alguma coisa? Não fez, porque nem deu tempo de ele fazer alguma coisa. Ele está proscrito. E logicamente que ele vai ter que se esforçar muito para conseguir ter uma presença nas redes sociais, porque a lei brasileira que foi aprovada com apoio entusiástico da esquerda diz que as redes sociais podem cancelar os usuários sem que haja necessidade de processo legal.”

O presidente do PCO explicou que os processos judiciais têm um forte poder de intimidação.

“Quantas pessoas vão querer passar por esse processo de responder em juízo, de contratar um advogado, viver na tensão de saber se vai ser condenado ou não, saber qual vai ser a condenação, saber quais vão ser as consequências etc.? A maioria das pessoas não quer saber disso. Então fica quieto. Não fala mais nada. É assim que funciona a censura.”

Segundo Rui Pimenta, nos últimos três anos, o PCO recebeu uma infinidade de processos.

“Eles vão mandar para o Ministério Público uma denúncia contra a minha pessoa, supostamente porque eu teria negado o Holocausto. Mais um processo. E eu já estou respondendo inquérito em outros dois ou três processos por outras coisas que eu falei. Uma major da Polícia Militar, Adriana Kutvack, entrou com um processo porque, há dois anos e meio atrás, nós falamos que nós éramos 1000% Hamas, o que a gente reitera. Mais um processo. Segundo ela, que é major da PM, você não pode defender o terrorismo. É uma ironia ou não? A denúncia fala que o Hamas teria matado 1.200 pessoas. Mesmo que fosse verdade isso daqui, seria muito menos que a PM.”

O PCO tornou-se alvo preferencial do lobby sionista porque, nas palavras de Rui Pimenta, é “a voz mais contundente contra o sionismo no Brasil”.

O pré-candidato à presidência também declarou que a crítica ao Estado de “Israel” era uma obrigação de qualquer pessoa que se diga antissionista e vá abordar o tema do Holocausto.

“A questão do Holocausto não é uma questão atual. Aconteceu 80 anos atrás. Muitas coisas ruins aconteceram. Mas ela é tratada como se fosse um problema de política atual. A pessoa levanta os crimes do Estado de Israel, pronto: Holocausto.”

Segundo Rui Pimenta, o Estado de “Israel” não foi criado porque os judeus tinham sido perseguidos na Segunda Guerra Mundial.

“Mentira, não tem nada a ver. A perseguição foi usada politicamente para implantar o Estado de Israel. O que os palestinos têm a ver com a perseguição dos judeus na Alemanha nazista? Nada. Por que alguém ia dar de presente um Estado em um país que não era deles para os judeus porque eles teriam sido perseguidos? Quem é que é tão bonzinho assim? Quer dizer, criou-se toda uma mitologia em torno do problema do Holocausto. E não é correto, do ponto de vista da esquerda, você compactuar com essa mitologia.”

O presidente nacional do PCO chamou a atenção para o fato de que, já sabendo da histeria sionista, ele tentou se precaver, mas foi em vão.

“Você vê que a utilização política é tão flagrante que eu, na minha fala, já sabendo da sanha persecutória, eu falei: ‘não é que o Holocausto, a morte de judeus nos campos de concentração, não tenha acontecido. Isso efetivamente aconteceu’. Mas não adianta nada você falar isso. Você é apresentado como antissemita”.

Rui Pimenta alertou que o sionismo está deflagrando uma onda de oposição aos judeus enquanto tais.

“O sionismo é o principal inimigo dos judeus. Há muitos judeus ortodoxos que pensam que o sionismo é o pior inimigo dos judeus.”

O pré-candidato à presidência da República encerrou sua fala afirmando que chegou a hora de contra-atacar a propaganda sionista.

“Nós estamos articulando com diversos setores um comitê em defesa de todas as pessoas que estão sendo perseguidas. Está na hora de contra-atacar e nós temos que ver inclusive de contra-atacar no terreno legal, porque o que eles estão fazendo é uma coisa chamada assédio judicial. Toda hora, a troco de nada, abrem um processo contra você. Eu, por exemplo, estou em vários processos. Como é possível isso? Estão em vários processos, por quê? Por que eu defendo a Palestina? Porque eu defendo a luta do povo palestino? Então, está na hora de responder a esse assédio com muito mais energia.”

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