Análise Política da Semana

Pimenta denuncia campanha sionista contra liberdade de expressão

Presidente do PCO afirmou que acusações contra sua fala fazem parte de ofensiva para intimidar opositores do sionismo

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (9), durante o programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), que as acusações feitas contra ele por setores sionistas e reproduzidas pela imprensa são parte de uma campanha contra a liberdade de expressão no Brasil.

O programa começou com a acusação feita pela TV Record e pelo lobby sionista de que Pimenta teria negado a existência do Holocausto. O presidente do PCO afirmou que a emissora deu espaço às organizações sionistas, mas não publicou a nota enviada pelo partido.

“Eles deram voz às posições do sionismo, mas não deram a nossa nota. Quer dizer, uma campanha orquestrada de calúnia”, afirmou Pimenta.

Segundo ele, a questão deve ser analisada como parte de uma ofensiva maior. “Esse problema da liberdade de expressão é um dos problemas-chave da liberdade política em geral. Não por acaso é essa liberdade fundamental que tem sido alvo de um complexo processo de restrições e proibições”, disse.

Pimenta afirmou que o objetivo principal dessa campanha é proteger o sionismo e o imperialismo. Para ele, a discussão sobre o Holocausto vem sendo usada para impedir o debate político e impor um tabu.

“Os sionistas, através de uma intensa propaganda em torno do problema do Holocausto, foram criando um clima em que falar qualquer coisa contra o Holocausto seria tabu. Em alguns países, se existe algum país em que isso possa ser considerado crime, eles fazem uma intensa campanha de difamação da pessoa”, afirmou.

O presidente do PCO defendeu que qualquer fato histórico deve poder ser discutido. Segundo ele, transformar um tema histórico em dogma político é uma forma de censura.

“Nós somos favoráveis que a pessoa fale o que ela tem na cabeça sobre qualquer assunto. Nós não vemos por que os crimes cometidos pelo nazismo não possam ser discutidos e até negados pelas pessoas que têm interesse em negá-los. É uma coisa absurda. É com esse tipo de dogma que vai se introduzindo a cassação do direito à liberdade de expressão”, declarou.

Pimenta comparou o tratamento dado ao Holocausto com a cobertura sobre a Faixa de Gaza. Segundo ele, a imprensa trata um episódio ocorrido há 80 anos como tema permanente, mas se cala diante do genocídio realizado atualmente por “Israel” contra os palestinos.

“Enquanto que o fato da imprensa, inclusive a TV Record, negar sistematicamente a matança, o banho de sangue, o genocídio que está sendo realizado em Gaza pelos sionistas, não é uma coisa maligna. Estão negando um fato, uma coisa que está acontecendo agora debaixo dos nossos olhos”, disse.

O dirigente também lembrou o Dia da Vitória, celebrado em 9 de maio, data em que a União Soviética derrotou o nazismo. Segundo Pimenta, o massacre sofrido pelo povo soviético durante a Segunda Guerra Mundial é ignorado, enquanto a memória do Holocausto é explorada politicamente pelo sionismo.

“O Holocausto, que aconteceu há 80 anos, é meio que escolhido assim como o crime maior da história da humanidade. O que é mentira. Não foi o crime maior da história da humanidade. Na mesma época em que Hitler estava matando gente nos campos de concentração, ele atacou a antiga União Soviética e as estimativas mais conservadoras dão como tendo sido mortos cerca de 20 milhões de cidadãos soviéticos entre soldados e população civil”, afirmou.

Pimenta citou o livro A Indústria do Holocausto, do intelectual judeu Norman Finkelstein, para afirmar que o sionismo utiliza a memória dos judeus perseguidos pelo nazismo para encobrir os crimes do Estado sionista.

“Nesse livro, ele mostra como o sionismo tem explorado sistematicamente a propaganda, o fato do Holocausto, para encobrir os crimes do Estado sionista. É uma espécie de chantagem permanente contra todo mundo. Todo mundo teria que ficar aterrorizado com medo de se referir ao Holocausto”, afirmou.

PT e PSOL diante do sionismo

Pimenta também criticou a posição da esquerda brasileira diante do sionismo. Para ele, o movimento de defesa da Palestina no Brasil é fraco, apesar da grande simpatia popular pela causa palestina, por causa da política do PT e de seus aliados.

“O PT é o grande motivo pelo qual esse movimento é fraco. O PT e seus aliados, logicamente, o PCdoB e o PSOL”, disse.

O presidente do PCO lembrou o episódio em que Guilherme Boulos, ao ser perguntado sobre a declaração de Lula de que “Israel” praticava genocídio em Gaza, respondeu que não era candidato a prefeito de Telavive. Para Pimenta, a declaração mostrou submissão à pressão sionista.

“Ele não tinha nada a dizer, mostrou uma covardia política absoluta diante da pressão do sionismo. Nem para apoiar o presidente do qual ele logo depois se transformou em ministro ele teve capacidade. Quer dizer, praticamente se ajoelhou diante do sionismo”, afirmou.

Pimenta também voltou a criticar parlamentares do PT que assinaram o projeto de Tábata Amaral contra críticas ao sionismo. Segundo ele, a retirada das assinaturas ocorreu apenas porque o caso ganhou grande repercussão.

“Ninguém assinou por engano o projeto da Tábata Amaral, proibindo a crítica ao sionismo”, afirmou.

O dirigente ainda mencionou o seminário promovido no Itamaraty com organizações sionistas para tratar do Holocausto e do antissemitismo. Segundo Pimenta, o governo foi transformado em plataforma de propaganda sionista em plena ofensiva contra Gaza.

“O governo estava se transformando numa plataforma de divulgação do sionismo. Em pleno genocídio na Faixa de Gaza. Então, quer dizer, há uma promiscuidade entre o PT e o sionismo”, afirmou.

Censura e perseguição judicial

Na análise, Pimenta relacionou a campanha sionista contra o PCO a outros episódios de cerceamento da liberdade de expressão no País. Ele citou a condenação de Zé Maria, presidente do PSTU, por ter defendido a palavra de ordem “Palestina do rio ao mar”.

“Uma coisa totalmente contrária à legislação brasileira, porque você pode falar o que você quiser”, afirmou.

O presidente do PCO disse que a tática das organizações sionistas não é processar todas as pessoas, mas intimidar as mais conhecidas para calar o restante.

“A censura funciona da seguinte maneira. Alguém fala alguma coisa. E essa pessoa é duramente perseguida. Aí o restante não fala mais. Não fala mais nada. Você pode até nem ser condenado. Esses processos aí nem todos eles têm dado lugar a condenações”, disse.

Segundo Pimenta, o próprio PCO é alvo permanente desse tipo de perseguição. Ele citou processos contra o Partido por sua defesa da resistência palestina.

“O lobby sionista sabe que nós somos a voz mais contundente contra o sionismo no Brasil, que nós apoiamos a resistência palestina. Eles querem assustar todo mundo, intimidar todo mundo”, afirmou.

Pimenta também afirmou que está sendo articulado um comitê em defesa das pessoas perseguidas por se posicionarem contra o sionismo.

“Está na hora de contra-atacar e nós temos que ver inclusive de contra-atacar no terreno legal, porque o que eles estão fazendo é uma coisa chamada assédio judicial. Toda hora, a troco de nada, abrem um processo contra você”, declarou.

Vigilância nas redes sociais

Outro tema abordado por Pimenta foi a chamada Plataforma do Respeito, citada em uma matéria do portal Metrópoles. Segundo ele, a entidade feminista Matria entrou com uma ação contra a plataforma, que utiliza inteligência artificial para monitorar publicações em redes sociais.

Pimenta criticou o fato de postagens consideradas ofensivas serem encaminhadas ao Ministério Público.

“Então veja vocês que foi montada aí uma plataforma que fica vigiando a Internet e, se a pessoa falar qualquer coisa que possa ser interpretada como preconceito contra os LGBT, os controladores, os donos da plataforma, os administradores da plataforma enviam a denúncia ao Ministério Público”, disse.

Para o presidente do PCO, a iniciativa tem caráter de perseguição política. Ele denunciou a deputada federal Erika Hilton por defender a punição judicial de adversários.

“A Erika Hilton é uma perseguidora de pessoas, quer botar gente na cadeia. Se ela não concorda com o que a pessoa fala, a pessoa tem que ir para a cadeia”, afirmou.

Pimenta leu trecho da denúncia da Matria, segundo a qual a plataforma serviria para vigilância de opiniões, intimidação de atores sociais e perseguição a pessoas com posição divergente.

“Quer dizer, é um sistema financiado pelo Estado de perseguição, de assédio judicial permanente contra pessoas que divergem politicamente da deputada”, afirmou.

Governo Lula e aumento de penas

Pimenta também criticou o governo Lula por apoiar projetos que aumentam penas e ampliam a repressão penal. Segundo ele, essa política não combate o crime, mas reforça a demagogia da direita.

“Para que serve isso? Para nada, do ponto de vista de combater o crime. É pura demagogia política da direita e do PT, que está dizendo para a população que o crime existe por um problema de impunidade”, afirmou.

O presidente do PCO disse que a política de aumento de penas apenas amplia o sofrimento da população pobre e não resolve as causas sociais do crime.

“No final das contas, não vai acontecer nada. O crime não vai diminuir. Se a situação social continuar a se deteriorar, o crime vai aumentar em vez de diminuir, independentemente da maior ou menor repressão. E o que vai acontecer é um maior sofrimento para a população pobre”, declarou.

Reunião de Lula com Trump

No programa, Pimenta também comentou a viagem de Lula aos Estados Unidos e a reunião com Donald Trump. Ele criticou a comemoração feita pela imprensa petista, que apresentou o encontro como uma vitória política.

“O Lula foi para os Estados Unidos, fez uma reunião com Trump. Tiraram uma fotografia sorrindo e ele veio embora. E ninguém sabe o que foi discutido. Aí a imprensa de esquerda brasileira começou a comemorar a coisa como se fosse uma enorme vitória do Lula”, afirmou.

Pimenta criticou a tentativa de transformar a aproximação com Trump em demonstração de força diplomática. Segundo ele, essa comemoração revela a admiração de setores petistas pelos Estados Unidos.

“A única coisa que a gente consegue pensar é o seguinte: é que o pessoal tem uma idolatria pelos Estados Unidos. Então, se você consegue ser recebido na Casa Branca, isso aí seria uma grande realização, porque os Estados Unidos são o centro do mundo”, disse.

O dirigente também comentou rumores sobre possíveis negociações envolvendo terras raras brasileiras. Para ele, qualquer acordo desse tipo com os Estados Unidos tende a favorecer o imperialismo.

“Todo mundo sabe que os acordos com os Estados Unidos são todos acordos de tipo colonial. Os Estados Unidos não fazem negócio com ninguém sobre uma base equitativa ou minimamente equitativa”, afirmou.

Pimenta comparou a relação com o imperialismo ao caso das privatizações no Brasil e citou a Enel, empresa italiana que controla o sistema elétrico em São Paulo.

“Pega uma estrutura de transmissão de energia elétrica toda montada, pronta, que demorou muitos anos para conseguir e que eles não têm condição nenhuma de fazer. Eles não têm condição nem de manter essa estrutura funcionando. Cobram o olho da cara pela energia elétrica. A maior parte desse dinheiro vai para a Itália. E os brasileiros nem recebem um serviço decente de volta”, afirmou.

Caso Banco Master

Pimenta também tratou do escândalo envolvendo o Banco Master e o presidente do PP, Ciro Nogueira. Segundo informações citadas no programa, o senador recebia uma mesada de R$300 mil a R$500 mil de Daniel Vorcaro.

Para o presidente do PCO, o caso expõe o funcionamento real do Congresso Nacional.

“Esse caso que foi revelado aí está muito longe de ser um caso excepcional. Todo mundo trata como se fosse um caso excepcional, mas todo mundo sabe que o Congresso Nacional é um balcão de negócios”, disse.

Segundo Pimenta, a suspeita de que um senador recebia dinheiro para defender interesses de um banco no Congresso mostra como as instituições brasileiras são controladas por grandes capitalistas.

“Será que é o único banco que tem senador na folha de pagamento? Será que é a única empresa que tem senador ou deputado na folha de pagamento? Claro que não. Isso daí é meio que o sistema oficial de funcionamento do Congresso Nacional”, afirmou.

Pimenta também criticou as ilusões de setores da esquerda nas instituições.

“Se alguém tem ilusão de que no Brasil nós vamos conseguir fazer alguma mudança significativa por meio das instituições, a pessoa teria que abandonar essa fantasia de maneira integral”, declarou.

O presidente do PCO afirmou que a Polícia Federal vazou informações para pressionar Vorcaro a ampliar sua delação.

“A Polícia Federal soltou esse escândalo para mostrar: a sua delação não vale nada, está ocultando o crime. Tem que denunciar todo mundo. E o Ciro Nogueira era o alvo mais fácil que eles tinham para pressionar o Vorcaro a fazer a delação premiada e entregar o pessoal”, disse.

Eleições britânicas e crise do regime imperialista

Na parte internacional do programa, Pimenta comentou as eleições locais no Reino Unido. Segundo ele, os resultados indicam uma crise profunda do regime político britânico, com derrota dos partidos Trabalhista e Conservador e crescimento do Reform UK, de Nigel Farage.

“A imprensa imperialista diz o seguinte, que essa eleição instituiu multipartidarismo na Inglaterra, que, como toda declaração da imprensa burguesa, revela uma realidade, mas encobre o essencial”, afirmou.

Para Pimenta, o essencial não é o simples surgimento de mais partidos, mas a dissolução do regime político britânico, historicamente baseado no controle de dois grandes partidos.

“O que nós estamos vendo na Inglaterra é a dissolução do regime político. O regime político britânico é um regime altamente centralizado e dominado, através dos dois partidos que eram majoritários até agora, pelos serviços de informação”, afirmou.

Pimenta disse que o partido de Farage representa uma tentativa de reorganização do regime pela extrema direita, mas ressaltou que essa solução é instável.

“Esse é um partido, até certo ponto, improvisado e cheio de contraditórios. Quer dizer, ao invés de você ter um partido que é sólido no controle do regime, que é essencial num país imperialista, você vai ter um partido que é relativamente imprevisível”, disse.

Segundo ele, a crise britânica acompanha o processo de desagregação política observado em outros países imperialistas.

“A análise das eleições serve para estabelecer as tendências de evolução do regime político. E aqui o que nós temos é uma fortíssima tendência à desagregação do regime político imperialista da Inglaterra”, afirmou.

Pimenta também destacou o crescimento de setores à esquerda do Partido Trabalhista, como os agrupamentos ligados a Jeremy Corbyn e George Galloway.

“A crise do Partido Trabalhista é uma crise grave. Vários setores sindicais estão se deslocando do Partido Trabalhista para os partidos de esquerda. O partido do Jeremy Corbyn, o partido do Galloway, que concorreram na eleição, ainda precariamente, elegeram aí alguns vereadores, que já é um sinal de que eles estão se erguendo como partidos que podem ter uma presença política importante nas eleições e mais ainda fora das eleições”, declarou.

Irã e a crise do imperialismo norte-americano

Ao final do programa, Pimenta comentou a situação dos Estados Unidos após a guerra contra o Irã. Segundo ele, Trump ficou politicamente enfraquecido, e a desaprovação ao governo tem relação direta com a política militar norte-americana.

“O Trump tem 61% de desaprovação e todo mundo atribui essa desaprovação em grande medida à questão iraniana. Você vê que é interessante como a política opera. A perseguição do Trump aos imigrantes não produziu esse efeito. Mas a guerra produziu esse efeito”, afirmou.

Para o presidente do PCO, o povo norte-americano demonstra forte oposição à política militar do imperialismo.

“Os norte-americanos, o público, o povo norte-americano, tanto de direita como de esquerda, têm uma posição muito forte contra a política militar do imperialismo. Quer dizer, é um imperialismo que não encontra uma base de apoio sólida em casa. E isso dá a medida extraordinária da fraqueza do imperialismo”, disse.

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