As forças navais do Irã lançaram, na sexta-feira (8), uma operação com oito mísseis de cruzeiro e 24 VANTs de ataque unidirecional contra embarcações da Marinha dos Estados Unidos, segundo comunicado das Forças Armadas iranianas divulgado pela agência Tasnim.
A ação ocorreu depois que navios norte-americanos tentaram deslocar três destróieres que, conforme o Exército iraniano, violavam a região do Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã. A operação recebeu o nome de “Mártir Mayouan”, em homenagem ao capitão Amir Bahador Mayouan, comandante do destróier iraniano Jamaran.
De acordo com o comunicado iraniano, um míssil de cruzeiro e três VANTs atingiram os destróieres dos EUA, provocando incêndios a bordo. A nota afirmou que os projéteis alcançaram os alvos apesar das tentativas da Marinha norte-americana de interceptar o ataque.
A ação iraniana foi uma resposta a uma agressão dos Estados Unidos contra embarcações civis do país. Mais cedo, a agência Fars, citando fontes de segurança, havia informado que ocorreram confrontos esporádicos entre forças iranianas e navios norte-americanos na região do Estreito de Ormuz.
Segundo a Fars, na noite anterior, as Forças Armadas iranianas impediram uma tentativa de ataque dos EUA contra um petroleiro iraniano na mesma região. Uma fonte militar ouvida pela Tasnim afirmou que as forças navais do Irã responderam depois que os Estados Unidos atacaram petroleiros iranianos. A mesma fonte declarou que os confrontos diminuíram e que a situação estava calma naquele momento.
A fonte, no entanto, fez uma advertência aos EUA:
“Se os EUA planejam entrar novamente no Golfo ou causar perturbação aos ativos marítimos iranianos, enfrentarão outra resposta decisiva.”
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, classificou as forças militares norte-americanas como “agressivas e terroristas”. Segundo ele, os EUA violaram um cessar-fogo e atacaram um petroleiro iraniano que se deslocava das águas costeiras do Irã, na região de Jask, em direção ao Estreito de Ormuz.
Zolfaghari afirmou ainda que outra embarcação iraniana foi atacada quando entrava no Estreito de Ormuz, em frente ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o porta-voz, os EUA também realizaram ataques aéreos contra áreas civis nas províncias costeiras do Irã, atingindo locais ao longo das costas de Bandar Khamir, Sirik e da ilha de Qeshm.
“O Irã responderá ferozmente e sem a menor hesitação, com uma resposta devastadora a qualquer agressão ou transgressão”, afirmou o porta-voz.
Conforme o Quartel-General Khatam al-Anbiya, a resposta iraniana foi imediata. As Forças Armadas da República Islâmica atacaram navios militares norte-americanos a leste do Estreito de Ormuz e ao sul do porto de Bandar Chabahar. O comunicado afirmou que a operação causou “danos significativos” aos navios dos EUA.
Uma autoridade militar iraniana também declarou à IRIB que, depois do ataque de aviões militares norte-americanos contra um petroleiro iraniano no Golfo de Omã, unidades inimigas no Estreito de Ormuz foram atingidas por intenso fogo de mísseis iranianos. Segundo essa autoridade, as forças agressoras receberam impactos diretos e foram obrigadas a recuar em desordem.
A agência Tasnim também tratou de relatos não confirmados sobre supostos ataques com mísseis e VANTs contra os Emirados Árabes Unidos. Segundo a agência, as autoridades iranianas não confirmaram essas informações. A Tasnim informou que colunas de fumaça foram vistas em alguns pontos dos Emirados, mas a origem dos incidentes não estava clara.
O Irã rejeitou oficialmente as acusações de Abu Dabi sobre lançamentos de mísseis e VANTs contra o país. Ebrahim Zolfaghari afirmou que nenhuma operação desse tipo foi realizada. O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que o país agiu com “máxima contenção” e que suas medidas militares recentes foram defensivas, voltadas a repelir a agressão dos EUA.
O ministério também advertiu os Emirados Árabes Unidos a encerrar sua cooperação com forças hostis ao Irã. Em nota, afirmou:
“É evidente que o Irã não hesitará em tomar quaisquer medidas necessárias e apropriadas para defender seus interesses e sua segurança nacional.”
Na quinta-feira, Ali Khezrian, integrante da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, havia afirmado que a República Islâmica deixou de considerar os Emirados Árabes Unidos como vizinhos e passou a vê-los como base hostil alinhada aos inimigos do Irã. Segundo ele, existem suspeitas de que aeronaves emiradenses retiraram suas marcações nacionais para ocultar a identidade antes de uma agressão direta contra o território iraniano.
A nova escalada ocorreu um dia depois de Donald Trump suspender o chamado “Projeto Liberdade”, iniciativa norte-americana apresentada como tentativa de forçar a abertura do Estreito de Ormuz. O plano durou apenas 48 horas antes de ser interrompido, em meio à incapacidade dos EUA de impor sua operação naval contra a resistência iraniana.





