A greve geral por tempo indeterminado convocada pela Central Operária Boliviana (COB), pela Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (Csutcb) e por diversos setores sindicais teve início nesta sexta-feira (8), às 00h, com bloqueios em várias regiões do país. A principal reivindicação dos manifestantes é a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz.
Desde a madrugada, foram registrados bloqueios em pontos estratégicos das principais estradas bolivianas. No departamento de La Paz, as interrupções atingem Patacamaya, Villa Remedios, Cruce Luribay, Santiago de Machaca, Viacha, Caranavi e Santa Bárbara. Em Beni, ao menos cinco cortes de rota foram registrados, incluindo o bloqueio no puente Yucumo e em San Ignacio.
A paralisação foi convocada após o agravamento da crise política e econômica no país. Os setores mobilizados responsabilizam o governo pela situação e denunciam Paz por não atender às reivindicações populares. A direção da COB também confirmou que não participará das mesas de negociação propostas pelo governo, afirmando que não reconhece a autoridade do ministro do Trabalho, Edgar Morales.
A Federação Departamental Única de Trabalhadores Camponeses, uma das principais organizações da mobilização, orientou suas bases nas 20 províncias a manter o cerco de maneira permanente. A medida ampliou a pressão sobre o governo, atingindo o transporte e o abastecimento de mercadorias em várias cidades.
Além da saída de Rodrigo Paz, os sindicatos apresentaram um conjunto de exigências consideradas inegociáveis. Entre elas estão a rejeição a qualquer alteração na Lei Geral do Trabalho, a oposição a novos aumentos nos combustíveis e a reafirmação do Acordo Interinstitucional de Unidade e Lealdade, assinado em 7 de maio.
Em comunicado, a COB afirmou que a mobilização continuará até a renúncia do presidente:
“Até que Rodrigo Paz vá embora. Não há segunda alternativa. O presidente não cumpriu, nos enganou e não ouviu as reivindicações do povo.”
Os trabalhadores denunciam o governo por incapacidade diante da crise econômica e denunciam o aumento do custo de vida. A greve por tempo indeterminado, com bloqueios nas estradas, coloca o governo de Rodrigo Paz diante de uma das maiores mobilizações desde sua posse. Com a paralisação do transporte, o abastecimento já começa a ser afetado nas principais cidades.





