A Bienal de Veneza abriu, nesta quarta-feira (6), as visitas à imprensa sob protestos e ameaças de corte de verbas por causa da presença da Rússia. O retorno russo à exposição, o primeiro desde 2022, foi recebido com boicotes, renúncia do júri e pressão da União Europeia, que ameaçou retirar dois milhões de euros do evento.
O pavilhão russo foi incluído com a apresentação As árvores têm suas raízes no céu, reunindo cerca de 30 jovens músicos, filósofos e poetas, em sua maioria russos. Mesmo assim, o espaço não ficará aberto ao público durante toda a Bienal, que ocorre de 9 de maio a 22 de novembro. As apresentações gravadas serão projetadas em telões ao ar livre.
A justificativa oficial do boicote é a guerra na Ucrânia, apresentada como se a Rússia fosse a responsável pelo conflito. Essa versão oculta a pressão militar, econômica e diplomática conduzida há anos pelos Estados Unidos e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Rússia. O país se defende de uma investida internacional que busca preparar uma guerra de grande escala contra os russos e, em seguida, contra a China.
Para que essa política avance, os Estados Unidos e, sobretudo, a Europa precisam impor uma espécie de ditadura de opinião. A presença de artistas russos em uma exposição internacional torna-se um escândalo porque a cultura também precisa ser subordinada à propaganda de guerra. A agência Associated Press registrou que 22 países europeus pediram a exclusão russa e acusaram a Rússia de tentar usar a Bienal politicamente, enquanto a Comissão Europeia ameaçou suspender o financiamento.
O presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, defendeu que a arte deve permanecer como espaço sem censura, mas a pressão europeia conseguiu restringir o acesso ao pavilhão.



