O governo da Romênia caiu nesta terça-feira (5), menos de um ano depois da eleição de Nicușor Dan à Presidência do país. O primeiro-ministro Ilie Bolojan, indicado por Dan em junho de 2025 para chefiar um governo em favor da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi derrubado por uma moção de desconfiança aprovada no Parlamento por 281 votos, bem acima dos 233 necessários. A moção foi apresentada conjuntamente pelo Partido Social-Democrata (PSD), que havia integrado a coalizão governista, e pela Aliança para a União dos Romenos (AUR), força de oposição.
O episódio abriu uma nova crise no país. A Romênia passa a ser governada por um gabinete interino, com poderes limitados, enquanto o presidente tenta formar uma nova maioria parlamentar. A queda de Bolojan ameaça o acesso do país a recursos da União Europeia e ocorre em meio a um déficit orçamentário considerado o maior do bloco.
A imprensa europeia apresentou o caso como uma crise fiscal e parlamentar. Mas a sequência dos fatos mostra algo mais profundo: o regime político estabelecido depois da anulação das eleições presidenciais de 2024 não conseguiu estabilizar o país. O governo que caiu era produto de um arranjo feito para manter a Romênia rigidamente alinhada à União Europeia, à OTAN e à política de guerra contra a Rússia.
A crise começou em novembro de 2024, quando o primeiro turno da eleição presidencial foi vencido por Călin Georgescu, candidato pró-Rússia e contra a OTAN. A Corte Constitucional romena anulou o processo sob acusação de interferência russa, determinando a repetição da eleição. Georgescu e outros setores da oposição denunciaram a decisão como uma ruptura da “ordem democrática“.
Na eleição refeita, Georgescu foi impedido de concorrer. George Simion, dirigente da AUR, assumiu o papel de principal candidato do campo anti-OTAN e venceu o primeiro turno de maio de 2025 com cerca de 41% dos votos. Nicușor Dan, então prefeito de Bucareste e candidato apoiado pela União Europeia, ficou em segundo lugar, com cerca de 21%. No segundo turno, porém, Dan foi declarado vencedor com 53,6% dos votos contra 46,4% de Simion.
Foi esse resultado que colocou Dan na Presidência. A partir daí, formou-se uma coalizão de quatro partidos em torno de Bolojan, como uma espécie de barreira contra os setores pró-Rússia. Essa barreira, agora, desmoronou. O PSD, maior força da coalizão, rompeu com o governo e se uniu à AUR para derrubar o primeiro-ministro.
Bolojan havia assumido com um programa de austeridade: aumento de impostos, congelamento de salários, cortes de gastos e reformas exigidas para manter o financiamento europeu. A justificativa era reduzir o déficit público e preservar a confiança da União Europeia. Na prática, o governo passou a aplicar uma política impopular, sem base social sólida, sustentada por uma coalizão unida mais pelo medo da oposição nacionalista do que por um programa comum.
A votação de 281 parlamentares contra Bolojan mostrou que essa sustentação era artificial. O próprio centro do regime pró-União Europeia, representado pelo PSD, preferiu abandonar o governo e votar com a AUR. O resultado é que a tentativa de isolar as forças contrárias à política da OTAN acabou produzindo o efeito contrário: a AUR saiu fortalecida como polo de oposição, enquanto o governo pró-União Europeia caiu sem completar um ano.
A crise romena ocorre poucas semanas depois de outro revés para a política da OTAN no Leste Europeu. Na Bulgária, o ex-presidente Rumen Radev venceu as eleições parlamentares de abril à frente do partido Bulgária Progressista, com cerca de 44,6% dos votos e maioria no Parlamento.
A política de guerra contra a Rússia, as sanções, a alta do custo de vida, a crise energética e os programas de austeridade impostos em nome da União Europeia estão produzindo instabilidade dentro dos próprios países alinhados ao imperialismo.





