O livro O Espinho e o Cravo, escrito por Iahia Sinuar, terá sua edição física lançada no Brasil no dia 9 de maio, às 17h, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, no centro de São Paulo. A obra, publicada em português pela Editora Democritos, tem cerca de 800 páginas e apresenta a história recente da Palestina por meio da trajetória de uma família palestina.
A obra acompanha Armédia, o mais novo entre os irmãos de uma família atingida diretamente pela ocupação sionista. O romance começa em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, quando seu tio, pai de seus primos, é martirizado. A guerra marcou uma mudança decisiva na situação política do Oriente Próximo, com a derrota dos exércitos árabes e a ocupação, por “Israel”, de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Sinai e Golã.
A partir dessa situação, Sinuar acompanha a vida palestina sob a ocupação, as prisões, as torturas, as operações dos serviços de inteligência de “Israel”, a resistência armada, as diferenças políticas entre as organizações palestinas e a formação de uma geração de militantes.
Um dos aspectos mais importantes do livro é a descrição da luta política dos palestinos dentro das prisões sionistas. Escrito durante o encarceramento de Sinuar, especialmente na prisão de Bersebá, O Espinho e o Cravo mostra que os presídios de “Israel” não foram apenas locais de repressão, tortura e isolamento, mas também centros de organização e formação política da resistência palestina.
No início do livro, Sinuar descreve um regime brutal contra os prisioneiros palestinos. Eles não tinham sequer o direito de conversar entre si nas celas. Nos horários de pátio, eram obrigados a caminhar em determinado ritmo. Se atrasassem, eram espancados. Se avançassem demais, também eram espancados. Se falassem, eram novamente agredidos.
Na década de 1970, antes da fundação do Hamas, prisioneiros palestinos organizaram uma greve de fome, dirigida principalmente pelo Fatá. A mobilização conquistou direitos elementares, como o direito de conversar dentro das celas e de usar o pátio sem a disciplina militar imposta pelos carcereiros sionistas. A partir desse momento, as prisões passaram a cumprir um papel decisivo na formação política dos palestinos encarcerados.
Muitos prisioneiros entravam sem grande conhecimento da causa nacional palestina e saíam como militantes formados. Nas celas e nos pátios, estudavam a história da Palestina, discutiam a ocupação, conheciam as organizações da resistência e entravam em contato com diferentes correntes políticas. A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), que na época era a segunda maior organização da resistência palestina e se reivindicava marxista, também aparece nesse processo de formação.
A importância dessa luta ajuda a explicar por que a libertação dos prisioneiros palestinos sempre aparece como uma das exigências centrais da resistência. Nos acordos de cessar-fogo realizados desde a operação de 7 de outubro, a libertação de mulheres, crianças e dirigentes políticos palestinos presos por “Israel” foi uma das principais reivindicações. Entre os nomes citados está Maruane Barguti, dirigente do Fatá mencionado no fim do livro como uma das figuras que defenderam a continuidade da luta contra a entidade sionista.
As prisões sionistas aparecem, assim, como parte fundamental da causa nacional palestina. Do mesmo modo que a Mesquita de Al-Aqsa passou a ocupar um lugar central na luta palestina com o crescimento do bloco islâmico, os prisioneiros palestinos tornaram-se um dos centros da mobilização contra a ocupação.
No prefácio, datado de 2004, na prisão de Bersebá, Sinuar explica que O Espinho e o Cravo não é uma autobiografia, embora seja baseado em acontecimentos reais da vida palestina:
“Esta não é minha história pessoal, nem é a história de nenhum indivíduo em particular, embora todos os seus eventos sejam reais. Cada evento, ou cada conjunto de eventos, pertence a este ou aquele palestino. A única ficção nesta obra é sua transformação em um romance girando em torno de personagens específicos, para cumprir a forma e os requisitos de uma obra novelística. Todo o resto é real; eu vivi isso, e muito disso ouvi da boca daqueles que, eles próprios, suas famílias e seus vizinhos, vivenciaram isso ao longo de décadas na amada terra da Palestina.”
Iahia Sinuar nasceu em 1962, no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família era originária de Ascalão e foi expulsa durante a Nakba de 1948. Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, tornou-se uma das principais figuras da resistência palestina.
Em 1988, foi preso por “Israel” e condenado à prisão perpétua. Durante os anos de encarceramento, escreveu O Espinho e o Cravo. Para impedir que o manuscrito fosse destruído pelos carcereiros israelenses, prisioneiros palestinos copiaram trechos manualmente e esconderam as páginas. Esse trabalho coletivo permitiu a preservação do livro.
A versão digital do livro será enviada, na próxima semana, aos leitores que adquiriram a obra durante a pré-venda. A edição impressa será disponibilizada ao público a partir de 9 de maio. Depois do lançamento em São Paulo, estão previstos eventos em outras capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Durante a pré-venda, O Espinho e o Cravo pode ser adquirido por R$235,00. A partir de 9 de maio, o preço passará a R$270,00. Os interessados podem adquirir o livro e garantir o acesso antecipado à versão digital pelo telefone (11) 99741-0436.






