Oriente Próximo

Irã funda a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico

Navios que pretendem atravessar o Estreito de Ormuz devem pedir autorização ao Irã; CGRI alerta que apenas rotas indicadas pela República Islâmica são seguras

O Irã inaugurou oficialmente um novo sistema para administrar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Segundo a Press TV, embarcações que pretendem atravessar a região passaram a receber instruções da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, por meio do endereço oficial [email protected], com as normas para a travessia.

Pelo novo procedimento, os navios devem adequar suas operações às regras estabelecidas pelo Irã e obter uma autorização antes de atravessar o estreito. A medida já está em vigor no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado internacionalmente.

A criação da autoridade ocorre em meio ao acirramento da disputa no Golfo Pérsico, após a agressão iniciada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra a República Islâmica em 28 de fevereiro. Desde então, as Forças Armadas iranianas passaram a exercer controle rigoroso sobre o estreito, bloqueando embarcações associadas aos EUA e à entidade sionista.

O Irã havia indicado disposição de reabrir a passagem depois que os EUA e “Israel” aceitaram incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão, que ajudou a interromper a agressão contra a República Islâmica. No entanto, as autoridades iranianas voltaram a fechar a via marítima diante das violações contínuas do acordo por parte dos norte-americanos e dos sionistas.

Um projeto de lei em tramitação no Parlamento iraniano prevê a proibição total da passagem de navios associados a “Israel”. Embarcações vinculadas aos EUA e a outros países hostis ficam sujeitas a severas restrições. A proposta também estabelece a cobrança de taxas para navios considerados não hostis.

A tensão aumentou nos últimos dias depois que os EUA lançaram, no domingo, uma operação para tentar romper o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. As forças iranianas alertaram repetidas vezes os navios de guerra norte-americanos para que não se aproximassem da região.

Na segunda-feira (4), forças navais do Irã dispararam mísseis e VANTs nas proximidades de destróieres norte-americanos que ignoraram os avisos para se afastar do estreito. Autoridades iranianas afirmaram que manterão sua autoridade soberana sobre a passagem e que qualquer tentativa de desafiá-la será enfrentada pela força.

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) também emitiu um comunicado nesta terça-feira determinando que navios que buscam atravessar o Estreito de Ormuz devem usar exclusivamente as rotas indicadas pelo Irã como seguras.

“Qualquer desvio de embarcações para outras rotas será inseguro e receberá uma resposta decisiva da Marinha do CGRI”, afirmou a corporação.

No mesmo comunicado, o CGRI declarou que “a única rota segura para passar pelo Estreito de Ormuz é o corredor previamente anunciado pelo Irã”. As rotas autorizadas ficam no ponto mais ao norte do estreito, próximo à ilha de Laraque. As autoridades iranianas alertaram que outras áreas da passagem marítima podem estar minadas.

O CGRI rejeitou ainda a alegação dos EUA de que dois navios com bandeira norte-americana atravessaram o Estreito de Ormuz no primeiro dia da nova operação anunciada por Donald Trump. Segundo o Irã, nas últimas semanas, um número limitado de navios foi autorizado a passar pela região, sempre pelas duas faixas de entrada e saída determinadas pela República Islâmica.

A agência Tasnim, citando uma fonte militar, informou também que os EUA atacaram duas pequenas embarcações civis de carga que saíam da costa de Omã em direção ao litoral iraniano. Ao menos cinco pessoas foram assassinadas no ataque.

A fonte negou a versão norte-americana de que os alvos eram lanchas rápidas do CGRI. “Em vez de atingir lanchas rápidas do CGRI, os Estados Unidos, em um crime flagrante, abriram fogo contra dois pequenos barcos que transportavam mercadorias de civis”, disse.

A fonte acrescentou que, após a declaração falsa dos EUA, autoridades locais foram consultadas para verificar o que havia ocorrido, uma vez que nenhuma embarcação de combate do CGRI havia sido atingida.

“A investigação revelou que as forças dos EUA atacaram e dispararam contra dois pequenos barcos de carga que transportavam mercadorias pertencentes a civis. Os barcos viajavam de Khasab, na costa de Omã, em direção às margens iranianas. O ataque resultou na morte de cinco passageiros civis”, afirmou.

A fonte declarou ainda que os norte-americanos devem responder pelo crime. Segundo ela, o ataque foi resultado da atuação precipitada dos EUA diante dos avisos emitidos pela República Islâmica contra embarcações hostis e invasoras no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

Na sexta-feira (1º), a Marinha do CGRI havia prometido cumprir a diretriz do aiatolá Seied Mojtaba Khamenei sobre o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz. Um dia antes, Khamenei afirmou que estrangeiros com planos contra o Golfo Pérsico não tinham lugar na região “exceto no fundo de suas águas”.

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