A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) registrou 619 ataques de “Israel” contra o sul do Líbano no dia 4 de maio, informou na terça-feira (5) o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric. O número foi apresentado como o maior nível de hostilidades desde o início do cessar-fogo, em 17 de abril.
Segundo Dujarric, a ofensiva israelense atingiu território libanês em larga escala ao longo de um único dia. No mesmo período, foram registrados 30 disparos contra alvos israelenses, enquanto o Hesbolá manteve operações de defesa diante das violações israelenses.
A ONU pediu que as partes cumpram o cessar-fogo e evitem uma nova escalada na fronteira. A declaração, no entanto, ocorre quando os próprios dados da organização apontam que a entidade sionista manteve ataques quase diários contra o Líbano desde o acordo de abril. E que, portanto, a ação do Hesbolá é uma ação defensiva.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 2.700 pessoas foram assassinadas desde 2 de março, quando se intensificou a agressão israelense contra o país. O balanço também registra 8.311 feridos.
Os números mostram que o cessar-fogo não interrompeu a ofensiva de “Israel”. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que 380 libaneses foram assassinados desde a entrada em vigor do acordo.
Nos três primeiros dias após o cessar-fogo, ataques israelenses destruíram 428 unidades residenciais no sul do Líbano. A destruição ampliou o deslocamento de famílias, que tentavam retornar às áreas atingidas.
Karolina Lindholm Billing, representante da ACNUR, afirmou que forças israelenses impedem muitos moradores deslocados de voltar a localidades sob controle da ocupação no sul libanês. Ela relatou que a vontade de retornar é generalizada entre os deslocados.
“Todos os deslocados com quem falei anseiam por voltar para casa”, disse.
Segundo a funcionária, milhares de famílias tentaram retornar desde o início do cessar-fogo, mas encontraram casas destruídas, bairros sem segurança, serviços básicos interrompidos e áreas com munições não detonadas.
Diante da continuidade dos ataques, a Resistência Islâmica no Líbano manteve operações contra tropas e veículos militares israelenses. O Hesbolá afirmou que suas ações ocorreram em resposta às violações do cessar-fogo e às agressões contra vilas do sul do país.
Em 4 de maio, às 23h45, o Hesbolá atingiu um tanque Merkava israelense em al-Bayyada com um míssil guiado de precisão. A resistência informou que o alvo foi atingido diretamente e que o blindado pegou fogo.
No dia seguinte, as operações continuaram. Às 00h15, combatentes do Hesbolá atacaram uma concentração de soldados e veículos israelenses em al-Bayyada com foguetes. Às 7 horas, outro tanque Merkava foi atingido em al-Qawzah por um VANT FPV.
Ao longo do dia 5, o Hesbolá anunciou ataques contra escavadeiras militares D9, veículos NAMER, tropas reunidas em al-Bayyada, Khallat Raj, Deir Seryan e Adshit al-Qusayr. Às 13h35, a resistência informou ter atingido diretamente um helicóptero militar israelense sobre al-Bayyada com um míssil terra-ar.
Às 15h35, uma posição de artilharia recém-instalada por “Israel” em Rab Thalathin foi atacada por um enxame de VANTs.
As operações da resistência libanesa passaram a preocupar abertamente a imprensa israelense. O repórter Lazar Berman, do Times of Israel, escreveu em 4 de maio que os VANTs FPV do Hesbolá se tornaram um “grande problema” para “Israel”.
“Israel tem um grande problema nas mãos no Líbano. O Hesbolá deu um salto inconfundível em suas capacidades e táticas de VANTs nas últimas semanas e está usando veículos aéreos não tripulados carregados de explosivos com efeito mortal contra tropas no sul do Líbano. Quaisquer contramedidas que Israel tenha são claramente insuficientes”, escreveu Berman.
O jornalista israelense acrescentou que “Israel deveria ter visto a ameaça chegando” e que o exército “agora corre para encontrar soluções tecnológicas e táticas” contra os VANTs do Hesbolá.
Berman citou o analista militar Eado Hecht, que apontou uma mudança importante nas condições de combate para o exército israelense:
“Por décadas, o exército israelense esteve acostumado a combater sem olhar para cima para ver de quem era a aeronave que rugia sobre sua cabeça, sabendo com praticamente 100% de certeza que era israelense. Ele não pode mais ter certeza disso e deve se preparar para operar sob céus hostis.”
O mesmo artigo afirmou que as tropas israelenses no sul do Líbano permanecem expostas aos VANTs FPV até que novas defesas sejam desenvolvidas. O Times of Israel reconheceu ainda que não apenas os soldados estão em risco, mas toda a política de zona-tampão montada por “Israel” no Líbano.
A imprensa israelense também registrou que o exército ainda não tem uma solução completa para os ataques. O Jerusalem Post citou a Força Aérea israelense admitindo que não existe “forma mágica” de deter os VANTs do Hesbolá.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, afirmou no domingo (3) que “levará tempo”, mas que havia ordenado um “projeto especial” para tentar conter a ameaça.
Segundo o sítio israelense Ynet, “Israel” passou a usar o sistema Iron Drone Raider, projetado para interceptar VANTs por meio de radar e outro VANT equipado com uma rede. Fontes citadas pela publicação afirmaram, porém, que o sistema já havia sido testado cerca de um ano antes e não se mostrou eficaz na detecção.
Um alto funcionário israelense citado pelo jornal Israel Hayom afirmou que, embora a ameaça fosse conhecida, não houve esforço suficiente para enfrentá-la antes do avanço das operações do Hesbolá com VANTs ligados por fibra ótica.
Os VANTs operados com fibra ótica dificultam a interferência eletrônica, têm maior alcance e podem atingir alvos militares na fronteira e em assentamentos israelenses. O Hesbolá divulgou imagens de operações contra soldados, tanques, escavadeiras militares, veículos blindados e outros alvos.
No fim de abril, um desses VANTs atravessou a fronteira e atingiu uma instalação militar no assentamento de Shomera, ferindo 12 soldados e danificando um obuseiro. Em 1º de maio, outro ataque atingiu a instalação militar de Misgav Am, ferindo um oficial da reserva e um soldado.





