O Plantão Irã desta terça-feira (5), programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária, abordou a intensificação da guerra no Oriente Próximo, com destaque para a prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila por “Israel”, os ataques sionistas contra o Líbano e as tentativas do imperialismo de controlar o Estreito de Ormuz.
O primeiro tema debatido foi a manutenção da prisão de Thiago Ávila, ativista brasileiro sequestrado pelo exército sionista em águas internacionais, a mais de mil quilômetros da Faixa de Gaza, quando participava da Flotilha Global Sumud. Segundo Pedro Burlamaqui, Ávila e o ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek permanecem presos em Ascalão, na Palestina ocupada, e estão em greve de fome.
O comentarista informou que um tribunal israelense prorrogou por mais seis dias a prisão de Ávila, sem acusação formal contra o ativista. A detenção, segundo a defesa, está baseada em “suspeitas vagas”.
“Ele estava fazendo parte de uma missão de tipo humanitária, que é a Flotilha Global Sumud. Na ocasião em que eles foram sequestrados, mais 175 ativistas também foram sequestrados por ‘Israel’, mas esses 175 foram liberados, com exceção do Thiago Ávila e do Saif Abukeshek, que agora permanecem na prisão de Ascalão”, afirmou Burlamaqui.
Victor Assis criticou a posição do governo Lula diante do caso. Para o apresentador, a declaração do presidente, que pediu a libertação imediata de Ávila, mostrou a fraqueza do governo brasileiro diante de “Israel”.
“Eu acho que era melhor ele ter ficado calado, sinceramente. Porque só reforça a fraqueza e a desmoralização do governo. O Thiago Ávila está preso em ‘Israel’, vai ficar mais seis dias preso, se é que isso não vai ser prorrogado, pelo crime de andar de barco. Esse é o crime que o Thiago Ávila cometeu”, disse.
Assis comparou a atitude do governo brasileiro com o caso de um soldado sionista que esteve no Brasil após participar do genocídio na Faixa de Gaza. Segundo ele, enquanto Ávila segue preso por ter participado de uma missão humanitária, o governo brasileiro não tomou medidas contra o militar.
“Um brasileiro que, muito pelo contrário de cometer qualquer crime, está se dedicando, arriscando sua vida para a libertação de um povo oprimido, massacrado, martirizado, o governo Lula fala: ‘Bibi, que coisa feia que você fez’, e fica por isso. Não toma nenhuma atitude. É vergonhoso”, afirmou.
Na sequência, Burlamaqui apresentou dados sobre o Líbano. Segundo ele, apesar do cessar-fogo formal entre o Hesbolá e “Israel”, os ataques sionistas continuam. No dia 4 de maio, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) registrou 619 ataques israelenses em 24 horas.
“Apesar do cessar-fogo que está vigente neste momento entre o Hesbolá e o Estado israelense, os combates continuam. Na prática, não existe esse cessar-fogo, que é muito mais pro forma do que qualquer outra coisa”, afirmou Burlamaqui.
O comentarista também citou dados do Ministério da Saúde do Líbano, segundo os quais mais de 2.700 pessoas foram assassinadas e 8.300 ficaram feridas desde o início dos bombardeios israelenses contra o país, em 2 de março.
Ao mesmo tempo, o programa destacou que o Hesbolá segue realizando operações contra posições militares sionistas no sul do Líbano. Burlamaqui citou ataques contra concentrações de tropas, tanques Merkava, helicópteros e instalações militares. Também mencionou reportagem do Times of Israel sobre a preocupação de oficiais sionistas com os VANTs utilizados pelo Hesbolá.
“‘Israel’ enfrenta um grande problema no Líbano. O Hesbolá deu um salto inegável em suas capacidades e táticas com VANTs nas últimas semanas e está usando veículos aéreos não tripulados carregados de explosivos com efeitos mortais contra as tropas no sul do Líbano. Quaisquer contramedidas que ‘Israel’ possua são claramente insuficientes”, citou.
Outro tema central foi o Estreito de Ormuz. Burlamaqui informou que o Irã anunciou a criação de uma nova autoridade para gerenciar o tráfego marítimo na região. A medida, segundo ele, inclui avisos do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) sobre rotas obrigatórias de navegação.
O comentarista afirmou ainda que navios de guerra norte-americanos tentaram se aproximar do Estreito de Ormuz com aparelhos desligados. Após advertências iranianas ignoradas, as forças da República Islâmica dispararam mísseis de cruzeiro, foguetes e VANTs nas proximidades das embarcações, em ação descrita como advertência.
“A República Islâmica declarou que a ação teve um caráter de advertência e que, nesse sentido, não foi atingida nenhuma embarcação”, explicou Burlamaqui.
Assis avaliou que os Estados Unidos enfrentam uma situação difícil diante do Irã. Para ele, a política de Donald Trump leva o país a mais uma guerra sem perspectiva de vitória.
“Acho que é a continuação do que a gente já havia avaliado: diante do sucesso militar iraniano, o governo norte-americano não sabe o que fazer. As duas opções colocadas são ruins. A permanência na guerra é péssima e a retirada da guerra nas condições atuais, em que o Irã apareceria como vencedor, também é muito ruim”, disse.
Segundo Assis, as exigências de Trump contra o Irã não podem ser impostas na atual relação de forças. O apresentador citou o objetivo norte-americano de acabar com o programa nuclear, o programa balístico, as alianças regionais do Irã e o próprio regime da República Islâmica.
“Da maneira como está colocado, nós estamos indo para mais uma guerra interminável. Uma guerra como foi no Iraque, no Afeganistão, em que foram investidos trilhões de dólares sem os Estados Unidos recolherem nenhum resultado positivo”, afirmou.
O programa também tratou das tensões envolvendo os Emirados Árabes Unidos. Burlamaqui informou que o Irã advertiu que qualquer ataque contra seu território, feito diretamente pelos Emirados ou por forças dos Estados Unidos ou de “Israel” a partir do território emiratense, terá resposta dura.





