Europa

Partido governista eslovaco não quer a Ucrânia na União Europeia

Legenda demandará garantias de que, durante o gabinete de Fico até as próximas eleições parlamentares, não haverá voto favorável ao ingresso ucraniano no bloco europeu

O Partido Nacional Eslovaco, integrante da coalizão governista da Eslováquia, afirmou que exigirá garantias do primeiro-ministro Robert Fico de que o governo não votará a favor da entrada da Ucrânia na União Europeia durante o atual mandato. A declaração foi feita por Andrej Danko, líder do partido e vice-presidente do Conselho Nacional, o parlamento eslovaco, à agência de notícias TASR.

Segundo Danko, a legenda exigirá de Fico a garantia de que, até as próximas eleições parlamentares, não haverá voto favorável da Eslováquia ao ingresso ucraniano no bloco europeu. A posição aumenta a pressão interna sobre o governo eslovaco em torno de um tema diretamente ligado à política de guerra da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Rússia.

No dia 2 de maio, Danko criticou Fico por apoiar os planos de adesão da Ucrânia à União Europeia. O Partido Nacional Eslovaco se opõe à entrada ucraniana no bloco, posição que cria uma divergência dentro da coalizão governista e expressa a resistência de setores políticos eslovacos à incorporação do regime de Kiev às estruturas controladas pelo imperialismo europeu.

A aliança que sustenta o governo da Eslováquia é formada pelo Direção – Social-Democracia, partido de Fico, pelo Voz – Social-Democracia, fundado pelo atual presidente Peter Pellegrini, e pelo Partido Nacional Eslovaco, parceiro menor da coalizão. As próximas eleições parlamentares do país estão previstas para o outono de 2027.

A posição do Partido Nacional Eslovaco expressa uma oposição mais aberta à expansão da União Europeia para incorporar a Ucrânia. A legenda afirma que a entrada do país no bloco traria consequências negativas para a Eslováquia e para a própria União Europeia. Na prática, a adesão ucraniana fortaleceria a política de cerco contra a Rússia, promovida pelos Estados Unidos, pela OTAN e pelos principais governos europeus.

O posicionamento contrasta com declarações de Fico em apoio aos planos de adesão ucraniana. Com isso, o Partido Nacional Eslovaco busca obter um compromisso político do primeiro-ministro que limite sua atuação nas negociações europeias sobre a ampliação do bloco. A legenda tenta impedir que a Eslováquia seja arrastada para uma política cada vez mais agressiva contra a Rússia.

A Ucrânia passou a tentar acelerar sua entrada na União Europeia após o início da guerra com a Rússia. O país recebeu o status de candidato e vem adotando medidas exigidas pelo bloco europeu para avançar no processo de integração. A adesão, no entanto, depende da aprovação unânime dos Estados membros, o que dá a cada país poder de veto.

A posição da Eslováquia pode, portanto, tornar-se um obstáculo ao ingresso ucraniano. O Partido Nacional Eslovaco busca consolidar essa posição antes que o tema avance nas instâncias da União Europeia e antes que aumente a pressão dos governos mais alinhados aos Estados Unidos e à OTAN.

A divergência no governo eslovaco aparece em meio a divisões mais amplas dentro da União Europeia. Parte dos governos europeus defende acelerar a adesão ucraniana como parte do apoio político ao regime de Kiev na guerra contra a Rússia. Outros setores manifestam preocupação com os custos econômicos e políticos da incorporação de um país de grande território, grande população e em guerra.

A entrada da Ucrânia na União Europeia não é apenas uma questão econômica ou administrativa. Trata-se de uma etapa da integração do país às estruturas do imperialismo europeu, processo que anda junto com a política da OTAN de avançar sobre as fronteiras russas. Essa política está na origem do conflito atual, depois de anos de expansão militar do bloco atlântico no Leste Europeu.

A posição do Partido Nacional Eslovaco também envolve as relações econômicas da Eslováquia com a Rússia, especialmente no setor energético. A política de sanções e ruptura com a Rússia, impulsionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, já atingiu duramente vários países europeus, elevando custos de energia e prejudicando setores industriais. A incorporação da Ucrânia ao bloco tende a ampliar essa crise e a submeter ainda mais os países menores da Europa às necessidades militares da OTAN.

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