A Editora Democritos lançará no próximo sábado (9), às 17h, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), em São Paulo, a versão física em português de O Espinho e o Cravo, romance escrito por Iahia Sinuar, uma das mais importantes lideranças do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), martirizado em 2024 pelas forças de ocupação do Estado de “Israel”.
O evento acontecerá na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, no centro da capital paulista. Segundo a editora, a versão digital será enviada na próxima semana aos leitores que adquiriram a obra durante a pré-venda. A edição impressa estará disponível ao público a partir do lançamento.
Esta é a primeira vez que o livro ganha uma tradução do árabe para o português. É também a primeira vez em que é impresso no Brasil.
O livro se tornou raro até mesmo nos Estados Unidos e no Reino Unido. Graças à pressão de organizações pró-“Israel”, ele foi retirado do catálogo da Amazon. Entidades sionistas como a britânica UK Lawyers for Israel (UKLFI) e a israelense B’Tzalmo acusaram a plataforma de violar leis “antiterroristas” ao permitir a venda da obra de Sinuar.
Segundo informações divulgadas por essas entidades, no dia 18 de abril de 2024 a UKLFI notificou a Amazon alegando que Sinuar era uma pessoa sancionada no Reino Unido. A organização também afirmou ter encaminhado o caso à polícia britânica. No dia seguinte, a empresa retirou o livro do catálogo.
O livro havia sido publicado recentemente, com edições em capa dura e brochura lançadas entre março e abril de 2024. Na descrição da própria plataforma, a obra era apresentada como um romance que explora a trajetória e as ideias do autor. Além das pressões jurídicas, usuários também registraram reclamações na página do produto, pedindo sua retirada.
Escrito durante os anos em que Sinuar esteve preso em cadeias israelenses, O Espinho e o Cravo narra a história recente da Palestina, desde a Naksa de 1967 até os primeiros anos da Segunda Intifada. A obra trata da ocupação israelense, das prisões, da tortura, da resistência popular e armada e das contradições políticas internas do movimento palestino.
Inicialmente, o lançamento brasileiro estava previsto para abril. A Democritos informou ao Diário Causa Operária que a mudança de data foi decidida após consulta ao Hamas, fundado, entre outros, por Sinuar. O adiamento teve como objetivo aprimorar a tradução do árabe, realizar novos ajustes gráficos e preparar o evento em São Paulo.
Após a atividade na capital paulista, a editora prevê lançamentos em outras regiões do País, incluindo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Durante a pré-venda, o livro pode ser adquirido por R$235,00. A partir de 9 de maio, o preço passará a R$270,00. Os interessados podem comprar a obra e garantir acesso antecipado à versão digital pelo telefone (11) 99741-0436.
Iahia Sinuar nasceu em 1962 no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família foi expulsa de Ascalão durante a Nakba de 1948. Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, tornou-se uma das principais figuras da luta palestina.
Preso por “Israel” em 1988 e condenado à prisão perpétua, Sinuar escreveu o romance no cárcere, especialmente na prisão de Bersebá. Para impedir que o manuscrito fosse destruído pelos carcereiros israelenses, prisioneiros palestinos copiaram trechos manualmente e esconderam as páginas, preservando a obra.
No prefácio, datado de 2004, Sinuar afirma que o livro não é uma autobiografia individual, mas uma obra baseada em acontecimentos reais vividos pelo povo palestino. O espinho do título remete à violência da ocupação israelense; o cravo, à permanência da luta palestina apesar da repressão.





