Parceria DCO-COTV

Plantão Irã analisa plano iraniano para encerrar guerra

Programa tratou do plano iraniano de 14 pontos, das violações sionistas em Gaza, do sequestro da flotilha e dos ataques ao Líbano

O programa Plantão Irã, parceria entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), analisou neste domingo (3) a proposta enviada pelo Irã aos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Próximo. A edição, apresentada por Victor Assis e com participação de Pedro Burlamaqui, também tratou das violações de “Israel” contra o cessar-fogo em Gaza, do sequestro do brasileiro Thiago Ávila pela Marinha sionista e dos ataques israelenses contra o Líbano.

O principal tema da edição foi o plano de 14 pontos enviado pelo Irã aos EUA por intermédio do Paquistão. Segundo Burlamaqui, a proposta responde a um plano anterior dos norte-americanos, de nove pontos, e apresenta as condições iranianas para o fim da guerra em até 30 dias.

O comentarista destacou uma declaração do Ministério das Relações Exteriores do Irã: “nosso plano de 14 pontos trata exclusivamente do fim da guerra, não há nada sobre o programa nuclear”.

Embora o texto integral ainda não tenha sido divulgado, Burlamaqui afirmou que, segundo informações da imprensa iraniana, a proposta inclui o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano; a retirada das forças norte-americanas da região; o fim do bloqueio naval; a liberação de ativos iranianos congelados por sanções; o pagamento de reparações de guerra; o levantamento das sanções e um novo mecanismo de administração do Estreito de Ormuz.

Assis avaliou que a posição iraniana não expressa recuo, mas uma tentativa de estabelecer o cessar-fogo sem abrir mão da soberania do país.

“É interessante que o Irã é quem aparece como a parte que tem vontade de fazer o acordo, mas isso não indica uma capitulação, pelo contrário. É muito comum você ver, numa situação de guerra, uma parte implorando por um acordo porque ela não aguenta mais, porque ela quer se render. Mas aqui é exatamente o oposto. Na verdade, o Irã tem uma superioridade militar e, por uma questão de doutrina e por uma questão também de posição política, ele entende que o cessar-fogo é importante.”

Para Assis, o Irã procura demonstrar que suas ações militares são defensivas. Ao mesmo tempo, afirmou, o país não tem feito concessões estratégicas.

“O que o Irã muda de um acordo para outro é só tornar ainda mais óbvio o que ele quer, o que ele tem direito a reivindicar, e o que os Estados Unidos precisam aceitar. As negociações são marcadas por esse tom. Não é uma inflexibilidade, no sentido de não querer a paz, é simplesmente uma discussão em torno daquilo que é de direito do Irã. De direito você não abre mão, você não negocia.”

O programa também abordou a situação na Palestina. Burlamaqui citou declarações de Bassem Naim, dirigente do Birô Político do Hamas, segundo as quais o cessar-fogo em Gaza não é mais viável após 200 dias de violações israelenses. Naim afirmou que a resistência cumpriu suas obrigações no acordo, enquanto “Israel” manteve os ataques e não reabriu a passagem de Rafá conforme previsto.

Assis relacionou a situação atual à ofensiva da resistência palestina de 7 de outubro de 2023. Segundo ele, a luta palestina não pode terminar em um acordo superficial com a entidade sionista.

“Dar um basta significa pôr fim à política genocida do Estado de ‘Israel’, que significa, finalmente, pôr fim ao Estado de ‘Israel’ em si, visto que é um Estado constituído sobre a base da violência da ocupação, da limpeza étnica. Então é uma batalha que não tem como acabar de maneira rápida.”

Outro ponto tratado foi o sequestro de integrantes da Flotilha Global Sumud. Burlamaqui lembrou que cerca de 175 ativistas foram detidos pela Marinha sionista. A maioria foi levada à Grécia, mas o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abukeshek foram conduzidos à Palestina ocupada.

Segundo Burlamaqui, o DCO recebeu informações da própria flotilha de que Ávila sofreu tortura sob custódia sionista. Advogados que tiveram acesso ao brasileiro relataram hematomas, inclusive ao redor de um dos olhos. Os dois ativistas foram levados a uma corte sionista para a prorrogação da prisão por mais dois dias.

Assis criticou a posição do Itamaraty diante do caso. Para ele, o governo brasileiro deveria ter adotado medidas muito mais duras contra “Israel”.

“Acho que esse posicionamento do Itamaraty é uma vergonha. Em relação a ‘Israel’, não tem muito o que comentar, porque toda essa crise começou porque eles sequestraram o pessoal que estava em outro país. O pessoal estava no mar grego, próximo à ilha de Creta, quando foi sequestrado por ‘Israel’.”

O apresentador afirmou que o governo brasileiro deveria expulsar representações diplomáticas israelenses e organizar uma pressão internacional pela libertação dos ativistas.

Na parte final do programa, Burlamaqui tratou do Líbano. Segundo ele, 41 pessoas foram assassinadas por “Israel” em 24 horas, em ataques concentrados principalmente no sul do país. O comentarista afirmou ainda que o Exército sionista tem usado métodos semelhantes aos empregados em Gaza, com a destruição de bairros e cidades inteiras.

Assis avaliou que não existe perspectiva de paz duradoura entre “Israel” e o Líbano. Segundo ele, a permanência dos ataques também tem relação com a indecisão dos Estados Unidos sobre o rumo da guerra.

“Acho que nesse momento essa agressividade israelense tem mais um outro fator, que é o fato de que eles não querem o cessar-fogo. Eles estão mantendo a guerra, mas não têm poder de decisão. Se os Estados Unidos disserem que têm que parar, eles vão parar.”

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