O livro O Espinho e o Cravo, escrito por Iahia Sinuar, terá sua versão física lançada no Brasil em 9 de maio, às 17h, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), Rua Conselheiro Crispiniano, 73. A informação foi divulgada pela Editora Democritos, responsável pela publicação da obra em português.
Segundo a editora, a versão digital será enviada, na próxima semana, aos leitores que já adquiriram o exemplar durante a pré-venda. A edição impressa será disponibilizada ao público a partir da data do lançamento.
Inicialmente, o lançamento do livro estava previsto para abril. A Democritos informou ao Diário Causa Operária que a alteração na data foi decidida após consulta ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe), partido político mais popular da Palestina, fundado, entre outras pessoas, por Sinuar. O adiamento, segundo a editora, teve como objetivo aprimorar a tradução do árabe, a partir de novas consultas, além de permitir ajustes gráficos e a preparação do evento de lançamento em São Paulo.
Depois da atividade na capital paulista, a obra deverá ser lançada em outras regiões do País. Estão previstos eventos em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, nas semanas seguintes.
Durante a pré-venda, O Espinho e o Cravo pode ser adquirido por R$235,00. A partir de 9 de maio, o preço passará a R$270,00. Os interessados podem adquirir o livro e garantir o acesso antecipado à versão digital pelo telefone (11) 99741-0436.
Autor nasceu em Gaza
Iahia Sinuar nasceu em 1962 no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família era originária de Ascalão e foi expulsa durante a Nakba de 1948.
Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, Sinuar tornou-se uma das figuras mais importantes da resistência palestina. Em 1988, foi preso por “Israel” e condenado à prisão perpétua. Durante o período em que esteve encarcerado, escreveu O Espinho e o Cravo.
O manuscrito foi redigido ao longo de anos no isolamento das prisões, especialmente na prisão de Bersebá. Para impedir que o texto fosse destruído pelos carcereiros israelenses, prisioneiros palestinos copiaram trechos manualmente e esconderam as páginas. Esse trabalho coletivo permitiu que a obra fosse preservada.
No prefácio, datado de 2004, na Prisão de Bersebá, Sinuar afirma que o livro não é uma autobiografia, mas uma obra baseada em acontecimentos reais da vida palestina:
“Esta não é minha história pessoal, nem é a história de nenhum indivíduo em particular, embora todos os seus eventos sejam reais. Cada evento, ou cada conjunto de eventos, pertence a este ou aquele palestino. A única ficção nesta obra é sua transformação em um romance girando em torno de personagens específicos, para cumprir a forma e os requisitos de uma obra novelística. Todo o resto é real; eu vivi isso, e muito disso ouvi da boca daqueles que, eles próprios, suas famílias e seus vizinhos, vivenciaram isso ao longo de décadas na amada terra da Palestina.”
Romance aborda a história palestina recente
O Espinho e o Cravo trata de acontecimentos da história palestina moderna, desde a Naksa de 1967, quando “Israel” ocupou Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Sinai e Golã, até os primeiros anos da Segunda Intifada, iniciada em 2000.
A obra aborda a resistência armada e popular, a vida sob ocupação, as prisões, as torturas, as operações de inteligência israelenses e as diferenças políticas entre organizações palestinas. Os personagens são, em sua maioria, fictícios, mas foram criados a partir de acontecimentos reais vividos ou conhecidos pelo autor.
O título do livro resume dois aspectos presentes na obra. O espinho remete às dificuldades impostas pela ocupação israelense: prisões, demolições, perseguições e violência cotidiana. O cravo remete à permanência da luta palestina apesar dessas condições.
Sinuar dedica o livro “àqueles cujos corações se apegam à terra de Isra e Miraj, do oceano ao Golfo, na verdade, de oceano a oceano”, em referência à jornada noturna do Profeta Maomé.





