Em pleno 1º de Maio, dia internacional da luta dos trabalhadores, voltou a aparecer uma velha posição cretina da esquerda pequeno-burguesa: a palavra de ordem de que seria preciso “derrotar Putin” e, ao mesmo tempo, “derrotar os aiatolás”. É a política do “nem-nem”: “nem OTAN, nem Rússia”; “nem imperialismo, nem Irã”. Na prática, serve apenas para desmoralizar os governos dos países que, neste momento concreto, estão em choque com o imperialismo. Quem levanta a fórmula é o jornal Opinião Socialista, do PSTU.
Quando alguém diz que é preciso “derrotar Putin”, a pergunta elementar é: derrotar Putin em favor de quem? Quem está em guerra contra a Rússia? Quem arma, financia, orienta e sustenta militarmente a Ucrânia? A própria OTAN apresenta oficialmente sua política como “apoio à Ucrânia” contra a Rússia.
Portanto, a palavra de ordem “derrotar Putin” não cai do céu. Ela tem um conteúdo político concreto. No campo de batalha real, “derrotar Putin” significa a vitória da OTAN, da União Europeia, dos Estados Unidos e de seus aliados. Frases sobre “democracia”, “autodeterminação” ou “contra todos os imperialismos” significam, na prática, a derrota da Rússia, o que, nas condições atuais, seria uma vitória direta do imperialismo.
O mesmo vale para a palavra de ordem “derrotar os aiatolás”. Quem está atacando o Irã? Quem bombardeia, ameaça, cerca e sabota o país? Estados Unidos e “Israel” iniciaram em 28 de fevereiro de 2026 uma série de ataques contra o Irã, declarando como objetivo atingir seu programa nuclear e balístico e pressionar por mudança de regime. Assim, quando a esquerda pequeno-burguesa repete que é preciso “derrotar os aiatolás”, ela está, goste ou não, atuando para derrubar ou enfraquecer o governo iraniano.
É aqui que aparece a falsificação. Os defensores do “nem-nem” dizem: “não apoiamos o imperialismo, mas também não apoiamos Putin”. Ou então: “não apoiamos os bombardeios de Israel e dos EUA, mas também queremos derrotar os aiatolás”. O problema é que uma guerra não é um seminário acadêmico. Não há, no terreno concreto, um terceiro exército abstrato, puro, socialista e moralmente impecável lutando contra todos ao mesmo tempo. Há forças reais em choque. De um lado, a OTAN e o imperialismo. De outro, governos nacionais que resistem à pressão imperialista.
Quem está desafiando a OTAN, senão a Rússia? Quem impede que a Ucrânia seja transformada em uma plataforma militar totalmente controlada pelo imperialismo, senão o governo russo? Quem, no Oriente Próximo, responde com mísseis e forças militares aos ataques de “Israel” e dos Estados Unidos, senão o governo iraniano?
A política revolucionária não consiste em escolher governos simpáticos. Muito menos em distribuir certificados morais. A questão central é a luta entre imperialismo e países oprimidos. Quando o imperialismo lança uma ofensiva contra um país, o dever dos revolucionários é derrotar o imperialismo.
Os partidários do “nem-nem” respondem: “mas Putin não é socialista”. E daí? Isso não resolve absolutamente nada. O critério para se posicionar diante de uma guerra não é saber se o governo atacado é socialista, progressista, laico, simpático ou democrático. O critério é saber qual é o conteúdo objetivo do conflito.
Quando o imperialismo ataca um país atrasado, a vitória do imperialismo reforça a opressão mundial. A derrota do imperialismo, ao contrário, enfraquece o principal inimigo dos povos. É por isso que a política correta não é “nem imperialismo, nem Rússia”, mas derrota da OTAN. Não é “nem imperialismo, nem aiatolás”, mas derrota do imperialismo e de “Israel”.
A posição contrária é infantil porque confunde independência política com neutralidade. A classe operária deve manter sua independência diante de qualquer governo burguês. Mas independência política não significa ficar neutro quando o imperialismo ataca.
A palavra de ordem “derrotar os aiatolás” é particularmente criminosa nesse contexto. O Irã é o maior obstáculo à dominação completa do Oriente Médio por “Israel” e pelos Estados Unidos. Quando se tenta desmoralizar esse governo em nome de uma revolução abstrata que não está em curso, o resultado prático é enfraquecer a resistência ao imperialismo.
O “nem-nem” é apenas covardia política disfarçada de pureza. Na hora decisiva, não enfrenta o imperialismo. Fica no meio do caminho, atirando contra aqueles que estão enfrentando a maior força reacionária do planeta.





