Moradores protestaram contra a falta de água no bairro Aruana, em Aracaju, no domingo (26), após interrupções no abastecimento. A concessionária Iguá Sergipe afirmou ter identificado supostas intervenções indevidas em registros essenciais do sistema. A concessionária, no entanto, não apresentou nada de substancial para a população que afaste sua responsabilidade sobre a falta de água.
O protesto ocorreu em meio à insatisfação dos moradores com a falta de abastecimento. A manifestação foi realizada na manhã de domingo e teve como alvo a ausência de água na região. A concessionária informou que a retomada do fornecimento teria sido interrompida pela detecção de intervenções indevidas em registros essenciais para o sistema de abastecimento.
A versão de “sabotagem” apresentada pela Iguá precisa ser vista com desconfiança. A população afetada pela falta de água não pode ser obrigada a aceitar, sem provas públicas e sem apuração independente, que o problema teria sido causado por terceiros. Quando uma concessionária responsável pelo serviço essencial falha em garantir abastecimento, a primeira questão a ser respondida é por que o sistema chegou a esse ponto e quais medidas foram tomadas para evitar que os moradores ficassem sem água.
A falta de água atinge diretamente a vida cotidiana. Sem abastecimento, famílias deixam de cozinhar, lavar roupas, limpar casas e manter condições mínimas de higiene. Em bairros populares, onde muitas residências não contam com grandes reservatórios, a interrupção se torna ainda mais grave. A água não é um serviço qualquer: é condição básica para saúde, alimentação e funcionamento de escolas, comércios e unidades de atendimento, etc.
A justificativa de suposta sabotagem também transfere o centro da responsabilidade. A empresa responsável pela operação do sistema precisa explicar quanto tempo os moradores ficaram sem água, quais bairros foram afetados, quais registros teriam sido violados, como essa violação teria ocorrido, por que não houve proteção suficiente dessas estruturas, e qual foi o prazo real para normalização. Sem essas respostas, a acusação contra terceiros é apenas uma tentativa de afastar a devida cobrança pública sobre a concessionária.
A Prefeitura de Aracaju e os órgãos de fiscalização também têm responsabilidade no acompanhamento do caso. A concessão de um serviço essencial não elimina o dever do poder público de cobrar qualidade, continuidade e transparência. Quando há falha no abastecimento, a população deve receber informações claras, prazos confiáveis e, quando necessário, fornecimento emergencial por carros-pipa ou outras medidas de assistência.
O episódio revela a fragilidade de um modelo em que serviços fundamentais são entregues a empresas privadas ou concessionárias, que cortam gastos com a prevenção de falhas para ampliar os lucros. Assim, fica claro que não é possível ter um serviço de água de qualidade sem a reestatização total e a administração pública da companhia.


