Na edição deste sábado (25) do programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta analisou a “degradação total do ambiente político no Brasil”. Com uma pauta extensa que percorreu desde a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) até a guerra contra o Irã, a análise centralizou-se na tese de que o regime político estabelecido pela Constituição de 1988 está em seu estágio final de esgotamento, sendo o Partido dos Trabalhadores (PT) o atual “administrador” de uma agonia que não oferece saída real para a população trabalhadora.
Rui Pimenta, que também é pré-candidato à presidência da República pelo PCO, iniciou o programa com o caso do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que foi incluído no Inquérito das “Fake News” pelo ministro Gilmar Mendes após publicar críticas humorísticas à Corte. Pimenta caracterizou esse inquérito, que já dura sete anos, como uma aberração jurídica. Segundo o dirigente, o procedimento não é mais uma investigação comum, mas “um instrumento de um estado de exceção no Brasil”, que funciona como uma “espada de Dâmocles suspensa sobre a cabeça do país inteiro” para intimidar e calar a oposição. Ele ressaltou que o próprio PCO sofreu censura direta sob o comando de Alexandre de Moraes, tendo suas redes sociais cassadas por críticas legítimas ao regime.
O presidente do PCO prosseguiu denunciando o que chamou de “reino da arbitrariedade judicial total”, citando o julgamento de Eduardo Bolsonaro por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Pimenta defendeu que a crítica de que um parlamentar defende projetos por interesses econômicos ou vínculos com lobbies — como o lobby sionista, no caso de Tabata — é uma parte essencial do debate político. Ele afirmou que “se você não puder falar isso, você não pode falar nada”, ressaltando que hoje os humoristas e analistas tenham que “pisar em ovos” por medo de multas e prisões. Segundo Pimenta, o Brasil se transformou em um “campo de concentração do ponto de vista do pensamento”, onde a sátira política foi substituída pelo medo de represálias judiciais.
Sobre o escândalo do Banco Master, Rui Pimenta citou o jornalista Fernando Gabeira, da rede Globo, que afirmou que Alexandre de Moraes atuava como um “funcionário” de Vorcaro, visto que sua esposa teria recebido R$80 milhões sem prestação de serviço comprovada. Para o dirigente, o fato de tais acusações circularem na grande imprensa mostra que o STF está perdendo sua retaguarda política. Ele criticou duramente a aliança da esquerda com o Judiciário, afirmando que agora ela ameaça afundar o governo Lula, já que “o STF vai pesar na conta do PT nas eleições” de 2026 devido ao gigantesco nível de insatisfação popular.
Rui Costa Pimenta também fez uma reflexão sobre a gravidade das condenações dos envolvidos no 8 de janeiro, citando o caso emblemático da “moça do batom”. Ele argumentou que condenar pessoas desarmadas a 17 anos de prisão por atos de vandalismo ou pichação é uma medida ilegal e ditatorial. O analista foi enfático ao dizer que, embora não seja bolsonarista, defende a anistia para esses prisioneiros por considerar os processos fraudulentos. Ele afirmou que “processo fraudulento não pode ser apoiado pela esquerda”, sob o risco de que os mesmos métodos sejam usados contra o movimento operário no futuro, concluindo que o Judiciário não tem moral para dar “lições de moral” enquanto estiver mergulhado em escândalos financeiros.
Ao analisar a situação econômica, Pimenta traçou uma linha desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, que ele classificou como o “maior ataque à economia nacional de todos os tempos”, até a atualidade. Ele defendeu que o regime da Nova República, inaugurado em 1988, está morto. Para ele, o PT é o partido mais identificado com esse sistema e, ao se limitar a administrá-lo sem reverter as privatizações ou enfrentar a dívida pública, o partido caminha para o esvaziamento. O presidente do PCO criticou o discurso de Lula no recente congresso do PT, onde o presidente pediu “realismo” aos militantes. Pimenta interpretou isso como um sinal de conformismo: “sejamos realistas, não vamos pedir nada demais porque não vai acontecer”, o que, segundo ele, drena o entusiasmo necessário para vencer uma eleição disputada.
Sobre as eleições de 2026, o presidente do PCO esclareceu que o partido participa do pleito sem ilusões no poder do voto. Ele criticou o que chamou de “demagogia eleitoral” de outros setores da esquerda, como o lançamento de candidatos baseados em popularidade artística ou programas “folclóricos”. Pimenta afirmou que a eleição deve ser um terreno de luta pelo programa revolucionário e que “não adianta nada você ter muito voto se as pessoas estão votando em você por um motivo equivocado”. Ele também criticou figuras como Jones Manoel, chamando sua entrada no PSOL de “malabarismo político” e destacando a falta de um programa socialista real nessas organizações.
No plano internacional, a análise destacou a formação de um bloco de resistência ao imperialismo composto por Irã, Somália e Iêmen, que ameaçam estrangular rotas econômicas estratégicas como o estreito de Babelmândebe. Pimenta defendeu que a política russa e chinesa de apoio a Cuba e ao Irã deve ser vista como um ponto de apoio contra o domínio norte-americano. Ele ridicularizou a tese de parte da esquerda que fala em “imperialismo russo ou chinês”, afirmando que isso serve apenas para encobrir o verdadeiro imperialismo que domina o Brasil.
Por fim, a reportagem abordou o avanço de um “paternalismo ditatorial” na vida privada. Pimenta criticou a proibição britânica de fumo para jovens e a perseguição às casas de apostas (bets) e aos medicamentos contra obesidade no Brasil pela Anvisa. Ele argumentou que essas leis, muitas vezes aplaudidas por setores “bonzinhos” da classe média, são, na verdade, ferramentas dos bancos para reduzir gastos públicos com saúde, ignorando a soberania do indivíduo sobre seu próprio corpo.
Para fechar o programa, Rui Costa Pimenta convocou a militância para um 1º de Maio independente em São Paulo, em frente ao Theatro Municipal, afirmando que o PCO não deixará passar em branco a data histórica de luta operária, mesmo com a ausência de grandes mobilizações das principais entidades sindicais tradicionais.





