Os funcionários da Universidade de São Paulo encerraram a greve após acordo com a reitoria, em São Paulo, na quinta-feira (23), mas os estudantes da instituição ampliaram o movimento paredista que já chegou a 105 cursos na capital e no interior. A categoria de servidores técnico-administrativos entrou em greve no dia 14 de abril, pleiteando isonomia em relação a gratificações que foram dadas aos docentes, e a universidade informou que vai igualar o recurso destinado a gratificações para as duas categorias. O pagamento das gratificações depende ainda de envio de proposta estruturada para órgãos técnicos da universidade, não havendo previsão da data de início, mas o acordo foi suficiente para que a assembleia dos servidores decidisse pelo fim da paralisação.
Também foi firmado compromisso para a formalização do abono das horas não trabalhadas em períodos de pontes de feriados e recesso de final de ano, uma antiga reivindicação da categoria. A discussão avançou também no atendimento a um acordo que envolve os trabalhadores terceirizados, com o compromisso de buscar soluções que assegurem condições de deslocamento análogas às oferecidas aos servidores da Universidade de São Paulo, como gratuidade no transporte dentro do campus. A reitoria se comprometeu a analisar as demandas e apresentar propostas concretas nos próximos meses.
Os estudantes da Universidade de São Paulo, no entanto, mantêm a paralisação iniciada no dia 16 de abril e já conseguiram aprovar a adesão à greve em mais de 100 cursos, incluindo unidades tradicionalmente avessas a movimentos desse tipo, como a Escola Politécnica. As diversas unidades e campi têm algumas pautas unificadas, como melhores condições de permanência estudantil, com aumento no valor das bolsas e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito.
O Diretório Central dos Estudantes Livre da Universidade de São Paulo aprovou em assembleia realizada na quarta-feira (15) uma greve unificada por tempo indeterminado. Durante a reunião no Vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, estudantes da instituição votaram a favor do estado de greve com maioria de votos do público ao final do encontro. O movimento estudantil defende maior incentivo à permanência e melhores condições nos restaurantes universitários, e a existência de vestibulares para povos indígenas e cotas trans, iniciativas já adotadas pela Universidade Estadual de Campinas.
Entre as faculdades e institutos que aprovaram adesão à paralisação estão os institutos de Relações Internacionais, Física e Ciências Biomédicas, as faculdades de Ciências Farmacêuticas, Educação, a Escola de Comunicações e Artes, a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades, conhecida como Universidade de São Paulo Leste. Ainda haverá novas deliberações em outros cursos nos próximos dias, e a expectativa é de que o movimento continue crescendo.
A reitoria da Universidade de São Paulo publicou nota afirmando que realizou reunião com representantes de entidades estudantis e que ações relacionadas à permanência estudantil, ao Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo e a restaurantes universitários foram discutidas.
A gestão também informou reajustes em benefícios para servidores a partir de abril de 2026. O vale-alimentação passou de 1.950 reais para 2.050 reais, enquanto o vale-refeição subiu de 45 reais para 65 reais por dia. Também foi anunciado reajuste de 14,3 por cento no auxílio-saúde, com pagamento previsto para maio. Apesar dos reajustes, os estudantes consideram que as medidas são insuficientes e mantêm a mobilização por conquistas concretas nas suas pautas específicas.



