O MST ocupou a sede da CONAB no Ceará na quarta-feira (22) de abril. Com aproximadamente 200 pessoas, o movimento, com apoio de cooperativas agrícolas e organizações de agricultura familiar, realizou a ocupação para denunciar falhas de gestão da companhia, falta de recursos para o povo, atrasos nos pagamentos e descaso com a agricultura familiar. Representantes da COOPERASC, COOPERAMEL, COOPERAMUNS, COOPALC e diversas entidades de agricultura familiar participam da ação, que marca a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária e exige mudanças imediatas na gestão da companhia e garantias de orçamento para programas de aquisição de alimentos da agricultura familiar.
A CONAB é uma empresa pública ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, responsável por políticas de abastecimento, estoques reguladores e compras públicas de alimentos. Críticas recorrentes de movimentos sociais envolvem lentidão burocrática, cortes ou atrasos em programas voltados para a agricultura familiar, especialmente em governos de diferentes orientações.
Entre as principais reivindicações do MST está a solução de passivos históricos que afetam diretamente a renda das cooperativas participantes. A COOPERAMEL aguarda há meses pelo pagamento de uma entrega de mel realizada em setembro de 2025. A COOPERASC segue sem receber informações sobre compras programadas desde março. Antônio José Soares, representante das cooperativas participantes, afirmou que a CONAB precisa cumprir seu papel institucional, garantindo a segurança alimentar do povo brasileiro apoiando a agricultura familiar e a produção local, em vez de favorecer grandes intermediários.
A pauta de reivindicação inclui cinco pontos principais. O primeiro é a solução imediata de passivos, com pagamento de dívidas contraídas com as cooperativas. O segundo é a operacionalização de compras diretas, com retomada de programas de aquisição junto aos agricultores familiares. O terceiro é a aceleração da formação de estoque, com liberação de processos travados há meses. O quarto é mudança institucional, com substituição imediata da superintendência da CONAB do Ceará. O quinto é garantia orçamentária, assegurando recursos permanentes para os programas de aquisição de alimentos.
O MST ressalta que os atrasos e problemas na gestão da CONAB impactam diretamente na geração de renda e emprego no campo, afetando a capacidade das cooperativas de investir na produção e oferecer alimentos de qualidade à população. A ocupação demonstra a insatisfação crescente dos trabalhadores rurais com a condução da política de abastecimento no país.


