Um bate-papo horroroso de se assistir foi o das jornalistas esportivas Milly Lacombe com Alice Klein, ambas do UOL/Folha de S. Paulo, onde as duas se faziam de chocadas com o fato de que o termo “arrascapênalti” — em referência ao jogador flamenguista Arrascaeta — tem mais discussão que a “misoginia” no futebol. Segundo as debatedoras, os torcedores do Flamengo não gostam desse termo e os demais o utilizam para falar que o jogador uruguaio se joga dentro da área para conseguir um pênalti.
Lacombe e Klein Acharam um escândalo que as pessoas debatam em torno disso, mas não em torno de questões sérias como o racismo e a “misoginia”. O que as debatedoras da imprensa capitalista queriam é que houvesse a mesma indignação e revolta diante do fato, por exemplo, de Neymar ter dito que um juiz estava “de Chico”, ou diante do fato de que um outro jogador falou que futebol era coisa de homem, em resumo.
Não há uma indignação na Internet porque o pessoal simplesmente não liga, e não liga porque não tem, de fato, importância alguma esses acontecimentos. Por isso não há o debate caloroso tão sonhado pelas colunistas da “Falha” de S. Paulo. “Debate” que serviria para que elas pudessem brilhar ensinando a todos o que é “misoginia” e machismo, garantindo, assim, mais uns trocados da sua contratante, o ganha-pão.
Segundo elas, os homens seriam privilegiados, ao ponto de poder debater a questão do “arrascapênalti” e não outros assuntos importantes. O título do vídeo é “O PRIVILÉGIO DE SE INDIGNAR COM O ARRASCAPÊNALTI E IGNORAR O QUE IMPORTA”.
“E aí tem um aspecto que é tragicômico também, que é: essas pessoas ficam indignadas com coisas das quais a gente é capaz de rir porque o nosso sarrafo é muito diferente, né? É, a gente é xingada o tempo inteiro.”
Em primeiro lugar, colunistas da Folha de S. Paulo não levam “sarrafo” nenhum. Estão sendo muito bem pagos pela imprensa burguesa para propagar, dentre outras ideias, o identitarismo.
A mulher que é colunista da imprensa capitalista não se equipara à mulher trabalhadora, que, igual aos demais homens, não está preocupada com o que dizem os futebolistas, mas com trabalho, saúde e comida no prato.
Por isso, a discussão identitária proposta pelas articulistas dos jornalões serve, somente, para confundir a política geral. Na realidade, para confundir uma parcela da classe média que lê esse tipo de coisa.
Para elas, “a misoginia está pulsando no futebol. Todo dia a gente tem uma história. Tem história na Argentina, não é só no Brasil, não. Tem história na Argentina, tem história na Europa, né? E a guerra… O Trump está… Sei lá, gente, assim… Não tem nada, não tem nada melhor, assim, realmente, para vocês se indignarem, né? Porque é isso que eu penso”.
As colunistas do UOL pretendiam que os jogadores de futebol e os demais comentaristas do esporte contratados pela imprensa burguesa saíssem às ruas para derrubar Trump e acabar com a “misoginia”. Coisa que, diga-se de passagem, elas mesmas nunca fizeram e nem querem fazer. É o mais puro cinismo.
O que as duas revelaram, na verdade, é que a tal luta contra a “misoginia” não tem absolutamente nada a ver com a melhoria das condições de vida real das mulheres e também não tem nada a ver com futebol. Na realidade, essa questão serve para ocultar o que realmente sofrem as mulheres e o que realmente querem os torcedores e jogadores de futebol.





