Uma matéria publicada pelo Al Mayadeen com base em informações do The New York Times aponta que o Catar está profundamente abalado pelas consequências dos ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã. Um dos principais pontos sofrido com os impactos é o setor de gás natural liquefeito, afetando de forma significativa a economia do país.
De acordo com analistas entrevistados pelo jornal estadunidense, o Catar sofreu um “choque estratégico” que “afetou a economia e expôs os limites de seu posicionamento geopolítico.” Ficou claro que o país não conseguiu se proteger diante dos ataques iranianos que visavam particularmente as bases militares norte-americanas à medida que o conflito escalava.
O Catar sofreu mais de 700 ataques de mísseis e drones iranianos em locais de onde eram lançadas ofensivas contra o Irã, essa situação forçou as autoridades catarenses a interromper operações energéticas cruciais. Sua posição como um centro estável para investimentos, aviação e turismo foi abalada, com voos cancelados, fluxo de visitantes em declínio e residentes estrangeiros deixando o país.
A produção de GNL (gás natural liquefeito) na instalação de Ras Laffan foi suspensa logo no início da guerra, uma vez que o Estreito de Ormuz, a única rota de exportação, tornou-se inseguro, provocando interrupções que reverberaram pelos mercados internacionais, já que o país é um pilar crucial no fornecimento desse tipo de energia para todo o mundo.
A empresa estatal de energia QatarEnergy interrompeu as operações em seu principal centro de exportação, com estimativas sugerindo que as perdas podem chegar a US$ 20 bilhões anualmente, cerca de 37% da receita esperada do governo. O ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, alertou para consequências duradouras, afirmando: “Isso fez com que toda a região retrocedesse de 10 a 20 anos”.
Rashid al-Mohanadi, vice-presidente do Centro de Pesquisa de Política Internacional do Catar, descreveu a situação como um “choque estratégico”, acrescentando: “Havia uma expectativa de que uma medida tão drástica na região, como iniciar uma guerra com o Irã, ocorreria, no mínimo, em consulta com os países do Golfo”.
Toda essa situação abriu uma verdadeira preocupação e de certa forma uma crise entre as autoridades do Golfo e a Casa Branca. “Este é um momento revelador para os estados do Golfo”, disse Sinem Cengiz, pesquisadora da Universidade do Qatar. “Haverá uma reformulação muito, muito significativa.”
Outra questão que tem levantado uma série de debates e discussões entre analistas e autoridades do Golfo é aquilo que acreditam ser a influência das lideranças do Estado fictício de “Israel” sobre o governo dos Estados Unidos. Em um primeiro momento ficou bem claro que os EUA tentaram fazer de tudo para defender “Israel” dos ataques do Irã e de certa forma os países do Golfo ficaram a ver navios.




