Movimento sindical

Marcha da Classe Trabalhadora: entre a ilusão e a realidade

Mobilização limitada e caráter burocrático expõem fragilidade do movimento sindical diante da ofensiva da direita

No dia 15 de abril, Brasília foi palco da Marcha da Classe Trabalhadora, convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e demais “centrais”, que reuniu milhares de ativistas e, principalmente, dirigentes sindicais.

Antes da marcha, um ato foi realizado, sob o nome de Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), com pouco mais de duas horas de duração, com dezenas de falas de sindicalistas, parlamentares e membros do governo Lula. Nada a ver com uma verdadeira conferência e com uma mobilização real dos trabalhadores.

A manifestação, celebrada como um avanço por lideranças sindicais e políticas, diante da paralisia que domina o movimento sindical, foi, na verdade, uma ação limitada e de caráter burocrático, sem ampla mobilização real dos trabalhadores, seja pela sua composição, pela ausência de mobilização na base da imensa maioria das categorias ou pela política limitada a apoiar, de forma claramente eleitoral, a pauta proposta pelo governo, como parte da campanha eleitoral da maioria da esquerda.

O evento teve como mote o apoio à proposta de “fim da escala 6 x 1”, encaminhada ao Congresso Nacional pelo presidente Lula em regime de urgência.

Apesar de ser apresentado como um “momento histórico” e um passo importante, a realidade mostra-se mais complexa. A proposta enfrenta um Congresso dominado por uma maioria da direita e dos grandes capitalistas, o que coloca em xeque sua real implementação sem prejuízos aos trabalhadores, como a manutenção dos salários já desvalorizados.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que “a classe trabalhadora está feliz” com o envio do projeto. Essa tal felicidade parece bem distante da realidade dos trabalhadores, que vivem uma situação de arrocho salarial e endividamento sem paralelos. A proposta, por mais que represente uma vitória, está longe de garantir, por si só, uma mudança efetiva sem uma luta mais ampla e consolidada.

A fala do ministro Guilherme Boulos, classificando o projeto como um “grito de liberdade”, também expressou essa verdadeira “ilha da fantasia” e a demagogia que dominaram as intervenções.

Lideranças como Juvandia Moreira, presidenta da CONTRAF e vice-presidenta da CUT, destacaram a importância da mobilização popular para pressionar o Congresso a aprovar a proposta. No entanto, a realização de um ato de caráter eleitoral, sem uma ampla campanha entre os trabalhadores, com reivindicações concretas e mobilizações efetivas a partir dos locais de trabalho, não garante um enfrentamento que vá além dos tradicionais lobbies sindicais e articulações que têm servido para que o governo e a esquerda aprovem pautas comuns com a direita, como o aumento das penas e da repressão que, de fato, têm como alvo principal os trabalhadores e seus filhos.

Para alcançar uma mudança efetiva, é imprescindível superar a política atual de colaboração com a burguesia e seus representantes políticos e mobilizar, efetivamente, os trabalhadores em todo o país, em uma verdadeira campanha pela redução da jornada — que teria de ser para 35 horas semanais, em cinco dias por semana, para mobilizar todos os trabalhadores, incluindo os setores de ponta, com maior poder de mobilização — sem redução dos salários, o aumento imediato dos salários (a começar por 100% do salário mínimo) e o fim da política dos bancos, com a redução imediata das taxas de juros, entre outras reivindicações.

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