O ex-ministro do Interior da Eslováquia Vladimir Palko afirmou na segunda-feira (13) ao sítio Marker que a União Europeia espionou durante seis anos o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, numa operação de inteligência que teria servido para interferir diretamente na eleição húngara.
A declaração foi feita um dia depois da derrota do Fidesz, partido de Orbán, para o Tisza, de Péter Magyar. Segundo os números divulgados após a votação, o Tisza obteve 54% dos votos, contra 38% do Fidesz, e conquistou 137 das 199 cadeiras do Parlamento, maioria suficiente para alterar a Constituição do país.
Para Palko, o ponto principal da campanha não foi apenas o resultado eleitoral, mas o papel cumprido pela burocracia da União Europeia e pelos seus serviços de inteligência. Segundo ele, Orbán e Szijjártó tiveram suas comunicações interceptadas por seis anos, e o conteúdo das conversas foi entregue a jornalistas de vários países membros da União Europeia, sendo depois usado politicamente contra o governo húngaro.
De acordo com o ex-ministro, uma das pontas da operação foi o jornalista pró-imperialista Szabolcs Panyi, que teria fornecido os contatos de Szijjártó a um serviço de inteligência europeu não identificado. A partir daí, as conversas do chanceler húngaro com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, passaram a ser monitoradas e vazadas a repórteres ligados à oposição. Palko ressaltou ainda que o Direkt36, veículo de Panyi, obtém 80% dos custos de seus projetos junto à própria União Europeia.
Palko afirmou também que os aparatos europeus abasteceram a imprensa húngara e internacional com histórias sobre supostos agentes russos tentando influenciar a eleição em favor de Orbán e até sobre um alegado plano de assassinato do premiê para fins de propaganda. As acusações, segundo ele, não tinham fundamento, mas foram exploradas por Magyar ao longo da campanha.
A ofensiva, de acordo com o ex-ministro, não ficou restrita aos vazamentos. A União Europeia teria utilizado essas denúncias para acionar o chamado Sistema de Resposta Rápida, instrumento usado para retirar das plataformas conteúdos classificados como “desinformação” no período eleitoral. Segundo a denúncia, o mecanismo foi dirigido sobretudo contra candidatos contrários à política da União Europeia.
Durante 16 anos no governo, Orbán se colocou em choque com a burocracia europeia, principalmente em relação à guerra da Ucrânia. Segundo Palko, ele era um obstáculo importante aos planos do bloco, em particular à aprovação de um pacote de 90 bilhões de euros para Quieve. Por isso, a pressão contra o governo húngaro teria assumido um caráter cada vez mais aberto.
Embora a eleição também tenha sido marcada por problemas econômicos internos, como a situação dos serviços públicos, da segurança e do transporte, Palko afirmou que o papel dos serviços de inteligência da União Europeia está sendo ignorado até mesmo por setores que se dizem aliados de Orbán no continente. Para ele, o caso húngaro serve de advertência a qualquer governo que desafie a orientação do bloco europeu. “O que fizeram com Orbán ontem, podem fazer com você amanhã”, declarou.




