A Rússia realizou nesta quinta-feira (16) uma série de bombardeios contra instalações militares e de energia da Ucrânia, em resposta ao ataque com VANTs lançado por Quieve contra o território russo, que assassinou duas crianças na região de Crasnodar. De acordo com o Ministério da Defesa russo, foram atingidos empreendimentos envolvidos na produção de mísseis de cruzeiro e de aeronaves não tripuladas de médio e longo alcance, além de infraestrutura energética utilizada para sustentar o esforço militar ucraniano.
Em nota, o ministério informou que a operação foi executada “em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra alvos civis em território russo”, com o emprego de armamentos de precisão de longo alcance lançados por terra, ar e mar, além de VANTs de ataque. Segundo a pasta, “os objetivos dos ataques foram alcançados” e “todos os alvos designados foram atingidos”.
A ofensiva ocorreu depois de um ataque ucraniano contra a cidade portuária de Tuapse, no Mar Negro, na qual duas crianças foram assassinadas. As autoridades russas informaram ainda que outras sete pessoas ficaram feridas. Fragmentos de VANTs também caíram em áreas residenciais e na zona do porto, levando à decretação de estado de emergência no distrito.
Segundo o governador de Crasnodar, Veniamin Kondratyev, outras cidades costeiras da região também foram atacadas, entre elas Sóchi e Dagomys. Um prédio residencial, um jardim de infância e cinco casas sofreram danos durante o que ele classificou como uma ofensiva maciça. Em Novorossiisk, destroços de VANTs atingiram uma embarcação civil, provocando incêndio e deixando um ferido.
As autoridades russas também denunciaram o ataque ucraniano contra um petroleiro de bandeira liberiana em águas territoriais russas. O capitão da embarcação, um cidadão turco, foi ferido e hospitalizado. O Comitê de Investigação da Rússia informou que peritos examinaram o local, registraram os danos e determinaram uma análise pericial sobre o explosivo utilizado.
Os ataques contra portos, instalações de energia, petroleiros e navios de carga vêm sendo apontados repetidamente pelo governo russo como parte da ofensiva ucraniana contra a infraestrutura civil e econômica do país. O Ministério da Defesa da Rússia denunciou ainda Quieve por utilizar armamentos fornecidos por potências imperialistas para atacar a população civil. Na quarta-feira (15), a pasta divulgou uma lista de empresas europeias que participam da fabricação de VANTs militares destinados ao governo ucraniano.
Diante disso, o ex-presidente russo Dmitri Medvedev afirmou que as instalações dessas empresas são “alvos em potencial” das Forças Armadas russas. Na mesma linha, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, advertiu nesta quinta-feira que a Rússia terá o direito de retaliar caso Finlândia, Lituânia, Letônia e Estônia estejam permitindo deliberadamente a passagem de VANTs ucranianos por seus espaços aéreos.
“Recentemente, houve um aumento dos ataques de VANTs ucranianos contra a Rússia via Finlândia, Lituânia, Letônia e Estônia”, declarou Shoigu. Segundo ele, ou as defesas aéreas imperialistas estão se mostrando ineficazes, ou esses países “fornecem deliberadamente seu espaço aéreo, tornando-se cúmplices abertos da agressão contra a Rússia”.
Shoigu acrescentou que, neste caso, Moscou tem direito à autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, por se tratar de “um ataque armado”. Nos últimos dias, o governo russo também advertiu formalmente os governos bálticos contra a utilização de seu território para operações ucranianas. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou na semana passada que, se esses regimes “não forem inteligentes o bastante para ouvir”, terão de arcar com as consequências.




